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05/03/2009 - 11:18

Um espectro ronda a Europa.

Um espectro ronda a Europa: o espectro da recessão. Os dados do PIB divulgados hoje no Velho Continente não deixam dúvidas quanto ao fato. A desaceleração fica clara em ambas as pontas. Do lado do produto a retração foi de 1,5% – a maior da série. Já na demanda todos os componentes internos retrocedem: Consumo das famílias, Consumo do governo e Investimento.

 

São dados preocupantes, e que seguem a risca o script da desaceleração econômica via Choque de Crédito. A crise financeira secou o crédito disponível o que acertou em cheio o investimento privado, expresso na conta Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF). Crédito escasso é igual a crédito caro, logo os fluxos de caixa projetados tiveram que ser revistos sob este novo prisma, deprimindo os investimentos. Do lado do Consumo das Famílias a combinação perversa de desemprego em alta e crédito ralo fizeram o trabalho sujo da contração no consumo; num primeiro de bens duráveis (imóveis e veículos por exemplo) e agora ameaça a chegar a bens não-duráveis.

 

A surpresa ficou por conta na redução dos gastos do governo. A expectativa era que houvesse um aumento dos gastos governamentais no sentido de patrocinar uma política anti-cíclica. Esperava-se uma elevação de 0,3%, no entanto verificou-se uma retração de 0,6%. Isto pode apontar para duas coisas: a queda na PIB minou a arrecadação destes países, de tal sorte que o gasto ficou comprometido; ou uma estratégia dos governos europeus em esperar para ver qual país começa a gastar de forma mais agressiva, e evitar assim de ser o primeiro – ou único – a fazê-lo. Teoria dos jogos pura num cenário de terra arrasada.

 

Por conta do mau estar instalado no coração da Europa, os Bancos Centrais do continente resolveram continuar com a política monetária expansionista e anunciaram, ambos, corte de 0,50% na taxa básica. A esperança é que, com um maior volume de papel moeda em circulação na economia, a liquidez volte a circular.

 

 

 

 

O Banco Central Europeu está reagindo, em nossa opinião, de forma tímida frente ao desafio posto. Apesar de esta ser a menor taxa praticada pela instituição, ela ainda deixa a desejar. Alguns economistas advogam que é perigoso baixar demais as taxas básicas por dois motivos: de um lado ela piora a situação do sistema financeiro que fica sem uma remuneração mínima para o seu capital, afinal não é bom negócio emprestar para o consumo e investimento num cenário de recessão e o governo pagando zero fica impraticável a atividade bancária. O outro argumento, na nossa opinião, é um tanto quanto falacioso. Dizem que não se deve baixar a zero a taxa básica par não perder este instrumento de política monetária. Ora, se o paciente precisa de um remédio, não é prudente dar uma dose menor para não perder a eficiência do próprio remédio no futuro. Neste caso estaríamos salvando o emprego de médico à custa da vida do paciente.

 

Amanhã sai a Produção Industrial no Brasil e deve dar o tom dos eventos da semana que vem: divulgação do PIB do 4° trimestre e da taxa SELIC. Nosso call é de uma queda nos dados dessazonalizados do 4° trimestre 2008 de -2,18% e de uma redução de 150 pontos base na SELIC para dar conta da desaceleração econômica doméstica.

 

Resta saber se nosso BC é mais Inglês, ou Europeu.

 

 

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,

1 comentário para “Um espectro ronda a Europa.”

  1. Áthila da Silveira limeira disse:

    É! realmente um espectro ronda a Europa. E não só a Europa, mais todos os continentes. Ora trata-se da maior potência econômica que esta na falésia da recessão, e todos sentiram, pois são os maiores compradores do mundo. O espectro rondou o Brasil, porém estamos mais maduros, para as crises capitalistas, ou seja a crise deve ser gerada não nos países pobres e sim nas nações ricas e desenvolvidas ou seja nas ilhas capitalistas…

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