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25/02/2009 - 12:57

Nada de novo acima do equador.

Parece que o mundo entrou em recesso durante o carnaval. Nada de novo, nada digno de nota pelo menos. Claro, os discursos de Obama e de Bernanke mexeram com os mercados; porém não há nas suas falas nada substancialmente novo, a não ser o detalhamento – ou a explicação – de tudo que já foi dito por Timothy Geithner ao anunciar o plano dias atrás. Porém, o mercado insiste em requentar notícias antigas, num movimento eterno e ininterrupto de arbitrar notícias até chegar a um preço adequado para o mundo.

 

O que há de novo é algo até que trivial. O presidente do FED, Bernanke, disse o óbvio: “Não precisamos ter propriedade dos bancos para trabalhar com eles”. Com esta singela frase ele sinaliza ao mercado que não irá estatizar os bancos, e ao contribuinte/congresso que não irá “perder” dinheiro para salvar os acionistas dos mesmos.

 

O sistema financeiro é que nem qualquer ramo de atividade da economia. Se o governo dá muita liberdade os bancos podem fazer muito, se retira parte dessa liberdade os bancos podem fazer pouco. Se retira toda a liberdade só podem fazer o que o governo mandar. É basicamente isso que está ocorrendo hoje; uma liberdade assistida. Ao sacarem recursos do FED (via TARP, TALF ou qualquer mecanismo que seja), os bancos abrem mão de uma série de liberdades que gozavam até então; e não há banco que não se entregue alegremente à prisão nestes dias turbulentos. Afinal, a prisão é bem mais segura que ficar andando por Wall Street.

 

Salvar ou não os bancos deve ser colocado sob a luz da teoria econômica. A questão que está sobre a mesa de Obama e de Bernanke é a seguinte: devemos deixar os bancos deficitários serem destruídos, ou será mais barato manter suas estruturas (agências, área administrativa, analistas de crédito, área comercial, back-office, etc.)? O sistema financeiro, junto com os Bancos Centrais, são os responsáveis pela produção e circulação da moeda na economia. Se, por exemplo, o Citi falir seus correntistas perderão parte dos seus recursos. Até aí tudo bem, essa “destruição” de moeda deverá ser reposta pelo FED no intuito de manter a liquidez adequada na economia. No entanto, a estrutura do Citi é um ativo valioso para a economia norte-americana; os gerentes das agências no interior dos EUA conhecem seus clientes há anos, sua área de crédito sabe avaliar as necessidades dos empresários numa centena de diferentes atividades econômicas, seu departamento de TI desenvolveu um sofisticado sistema computacional que permite a compensação de milhões – quiçá bilhões – de transações bancárias por hora. E por aí vai.

 

O Citi ajuda o FED a aumentar a eficiência na circulação e criação do dinheiro (da mesma forma que o Itaú ajuda o BACEN). Porém, é bom lembrar, o Citi só faz isso porque o FED permite. O FED pode, a qualquer tempo, baixar uma portaria mudando as regras do jogo (diminuir compulsório, cortar taxa de juros, só para citar alguns mecanismos). Bernanke nem chega a tanto, ele faz isso via regras nos empréstimos que faz. Uma estratégia inteligente e eficaz, que não trás o ônus de ficar comprado em ativos potencialmente podres.

 

Em resumo: nada de novo. Banco é banco, Governo é governo, e o FED é Banco Central.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

4 comentários para “Nada de novo acima do equador.”

  1. s. freitas disse:

    olá Sr. editor, até que vc. tem muita coragem pra falar, mas compre e leia um livro chamado O GOVERNO SECRETO
    ai vc. podera falar muito mais aos seus leitores, boa leitura tú nunca mais será o mesmo
    abração

  2. Marcos disse:

    Mas o presidente o FED está errado. Ou estatiza os bancos ou a economia americana já era. Não há outro caminho, a não ser a forte intervenção estatal. Veja o caso chinês que mesmo com a maior crise do capitalismo vai crescer 6%, isso, segundo os economistas pessismistas. Esse crescimento só é possível porque na China não há essa de ideologia capitalista, socilista, liberal, neoliberal ou direita e esquerda, o que vale é a máxima de Deng Xiaoping: “pouco importa se o gato seja preto ou amarelo, o que interessa é que ele cace os ratos”. Se os Estados Unidos continuarem seguindo esse receituário neoliberal criado por Milton Friedman e Friedrich Hayek na conhecida escola de Chicaco não vai sobrar pedra sobre pedra e a China vai passar como um rolo compressor sobre os Estados Unidos. Espero que o governo brasileiro siga o exemplo chinês e comece a gastar como se não houve amanhã exatamente para poder existir.

  3. Oscar Armando Baldoni disse:

    Hoje é um bom dia = Dois comentários inteligentes. Parabéns aos Sres. Freitas e Marcos. Vou comprar o livro, sim. Será que os chineses o leram ? Quando foi editado ? Aposto que Mao já tinha uma idéia e, com certeza Deng Xiaoping o sabia de côr. Então os chineses da nomenklatura pensaram assim : Não dá para fazer de novo o que Mao fez (matar milhões). Vamos utilizar todos os estudantes brilhantes que enfrentaram os tanques na Praça da paz Celestial e fazer deles agentes para dominar o capitalismo.
    Para isso, fizeram cair aos ocidentais espertos numa armadilha.
    O ruim é que os chineses estão matando nossa indústria. Nós já temos gente demais em diferentes cirquitos, sendo serventes deles. Passem na Receita Federal, falem com chefes e auditores e depois conversamos.

  4. glauco disse:

    Meus amigos não se preocupe , pos vocês poderam sofrer um infarto ou a diabeti subir , o colesteral aumentar ai a economia vai para as cucunha , neste mundo globalizado quem tem mais chora menos.A economia é mundana procura sempre um ponto melhor para explorar .“ aqueles que ficaram escutando o canto da Sereias (SIFU),se o problema não der jeito nois volta pra roça´´

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