Depois que o carnaval passar.
Pelo visto o carnaval vai acabar antes de começar. Pelo menos em Brasília, imagino. O discurso oficial da marola, e do “não-é-tão-ruim-quanto-parece”, fez água antes mesmo da quarta-feira de cinzas. O CAGED já aguou a festa, e, hoje, a Taxa de Desemprego acendeu a luz no salão com 8,2% às vistas dos desavisados. O governo vai ter que readequar a fantasia neste carnaval.
Não tem como fugir do óbvio. A desaceleração será forte no país, e, após o choque no câmbio em outubro do ano passado, a situação mudou dramaticamente por aqui, jogando considerável estresse sobre as margens empresariais (via custo e via hedge). Aproveitamos a oportunidade para reiterar nosso cenário de desaceleração de -2,2% no 4° trimestre de 2008.
Os dados do CAGED merecem uma ressalva uma vez que tem comportamento sazonal bem definido. No gráfico abaixo está constituída a série em unidades e dessazonalizada (método X-12 aditivo). Observamos que foi apenas nos últimos dois meses que houve perda efetiva de empregos no país, reiterando mais uma vez os sinais de queda no produto interno.
A indústria está sendo forçada a readequar o estoque de capital à um novo nível de demanda. Os empresários estão refazendo as contas e se perguntando: será que haverá demanda em 2009 para a mesma quantidade de produto que produzi em 2008? A resposta é um tanto quanto óbvia; não. Nesta etapa é necessária uma readequação, e o emprego de mão de obra no mesmo patamar não é necessário, ou seja, haverá dispensa de trabalhadores, não importa o esforço que o governo faça, no curto e médio prazo as forças de mercado são mais poderosas.
Isso quer dizer que 2009 será um desastre? De forma alguma. Os dados de desemprego apontam de forma clara essa leitura e apesar da alta registrada em janeiro para 8,2% (acima das expectativas e do índice anterior em 6,8%), este resultado ainda é baixo em termos históricos. Enfrentaremos um ano difícil, não resta dúvida, mas para quem já passou pela década de 80 e 90 não será tão sentida a desaceleração.
Depois que o carnaval passar o governo vai ter que sentar e discutir a relação. A política monetária deverá convergir de forma mais agressiva (tempestiva no jargão) a taxa Selic a algo mais condizente à realidade econômica e às taxas de juros básicas mundiais. Mantemos nossa expectativa de corte de 150 pontos base.
Até então o carnaval dá conta de varrer as más notícias dos jornais. A manobra da Embraer de demitir na véspera do feriado popular é antiga. A empresa de aeronaves brasileiras sofreu demais com a queda do mercado mundial. Infelizmente não havia muita solução, a não ser uma renegociação salarial e férias. A diretoria da empresa optou pelo caminho mais abrupto.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:


