Uma trajetória desagradável.
O ano de 2008 vai entrar para a história como o ano que não acabou. Boa parte da turbulência que ocorreu durante o fatídico ano ainda vai ecoar por um bom tempo entre nós e pelo mundo e a crise de crédito, de confiança, e nervosa ainda vai fazer mais algumas vítimas.
Ontem foi divulgada a Pesquise Mensal do Comércio, pelo IBGE, com os dados de dezembro de 2008. Com este dado em mãos, mais a Pesquisa Mensal da Indústria, temos como construir um cenário consistente para o resultado do PIB do 4° trimestre de 2008. O resultado é um tanto quanto desagradável e reitera uma trajetória de queda no produto nacional.
O modelo confirma nossos temores e projeta uma queda de -2,18% no PIB do 4° trimestre contra o 3° trimestre do mesmo ano. Trabalhamos com dados dessazonalizados pelo próprio IBGE para evitar contradições metodológicas. Se confirmado este resultado, o ano de 2008 fecha com um crescimento robusto de 5,52%. Uma ótima notícia, sem dúvida.
Porém, este mesmo resultado expressivo será nosso maior entrave para o ano de 2009. Como o país cresceu de forma consistente em 2008, para crescer a mesma coisa em 2009 será difícil; as condições de crédito, câmbio, comércio internacional e outros fatores se alteraram, forçando uma realocação de fatores em outro ponto de equilíbrio.
Se, por exemplo, crescermos 0% (ou seja, o mesmo produto do trimestre anterior) durante todos os trimestres de 2009, teremos um crescimento negativo do PIB, em -0,37%.
A questão que está em jogo é: qual o montante de capital (ou produto) para esta nova demanda? Com o crédito encolhido o poder de compra das famílias, e, principalmente, o investimento, ficam comprometidos. Não há como retornar ao antigo ponto de equilíbrio forçando variáveis macroeconômicas autônomas (exemplo: taxa Selic).
No entanto, não fazer nada é desnecessário e pode custar caro. Manter a taxa básica do país num patamar tão alto é um movimento equivocado frente a este novo cenário. Por isso acreditamos num corte mais agressivo na taxa Selic pelo colegiado do COPOM de 150 pontos bases, ou 1,50%. Desta forma a taxa cairia dos atuais 12,75% para 11,25% ao ano e seria seguido de um outro corte da mesma magnitude, encerrando assim o afrouxamento.
Para quem conhece econometria, segue abaixo o modelo estimado e o resultado.
Ei-lo:
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: Brasil, fim de festa, pib, regressão



