Obama: olho no olho.
Ontem começou, de fato, a administração de Barak Obama. Na sua primeira coletiva de imprensa o presidente falou sobre os mais variados assuntos. No entanto, a pauta estava dada: o Pacote Econômico.
Em coletivas o jogo é ao vivo e não há teleprompter nem discurso pronto. Obama não estava à vontade e parecia um tanto quanto hesitante nas suas colocações sobre o pacote. Disse muito sem dizer nada demais e deixou muitas dúvidas no ar sobre a implementação do plano. Pior: fez questão de dizer que o plano não é infalível e que talvez os EUA enfrentem uma “Década Perdida”. Como se não fosse amplamente sabido os desafios e a situação atual da economia.
O que ocorre hoje nos EUA é bem conhecido entre nós. Estamos vivendo um período onde a política chega perigosamente perto demais da economia, e a arbitragem política gera ganhos reais nos mercados financeiros. Lembra demais o período quando era fundamental saber dos detalhes do plano econômico antes de ser lançado, para poder, assim, capturar alguma renda.
Quem passou pelos planos Cruzado, Verão, Collor I, Collor II e Real (só par citar alguns) sabe muito bem do que se trata. E quem passou por isso sabe muito bem também que, dependendo do discurso do governante de plantão, os resultados podem ser catastróficos. É quase no fio do bigode que um plano vinga ou não. Se o mercado achar que Obama está sendo vago, este mesmo mercado vai “ficar vendido” em Obama e correr para se proteger no ativo que for, realimentando assim a aversão ao risco generalizada.
A questão não é se vai haver a criação do instrumento “Bad Bank” para retirar os ativos tóxicos do sistema bancário, ou se o pacote de estímulo vai ajudar mutuários em apuros. A questão, agora, é colocar o plano na rua logo, antes que se crie certa morosidade nos agentes e haja perda de eficiência no pacote.
Obama criou em torno de si uma enorme expectativa e capitalizou este sentimento para pavimentar sua estrada até o Salão Oval. Como reza a sabedoria popular: “não há almoço grátis”. Agora chegou a fatura.
O plano anunciado hoje pelo Secretário do Tesouro, Thimoty Geithner, não trás grandes emoções. No mais é mais do mesmo que seu antecessor, Henry Paulson, anunciou no apagar da luzes do governo Bush.
O mercado esperava o milagre e ficou com o santo. No fim sobre a ladainha.
Porém, creio que foi o tiro no lugar certo. Uma estatização branca do sistema é necessário. Caso contrário serão mais um cheque de US$ 20 bilhões aqui, outro acolá… até o inevitável.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: crise, FSP, geithner, milagre, plano, santo