Mudando a leitura.
Em tempos de crise velhos sinais mudam de sinal, e mais que isso, antigos sinais tomam outro viés. Resultado de tempos de pernas para o ar onde o que costumava ser diz muito pouco sobre o que pode ser.
Caso deste revertério são os dados divulgados na semana passada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a Utilização da Capacidade Instalada. Até então parte dos economistas viam neste indicador um antecessor da inflação doméstica. Se, por acaso, o nível de utilização estivesse muito alto isto queria dizer que a oferta estaria chegando ao seu limite e, por conseqüência, haveria pressão inflacionária.
Hoje fica um tanto quanto indelicada essa afirmação. A deterioração da atividade no Brasil chegou a um patamar tão agudo que dificilmente podemos olhar o mesmo dado com a mesma percepção. O que este dado aponta, hoje, é antes de tudo a desaceleração econômica.
A boa notícia, só para fazer o jogo do contente, é que – num segundo momento – o país poderá crescer sem pressões inflacionárias adicionais. Isso pode fazer toda a diferença lá em 2010 quando o fluxo internacionais de capitais e o estresse financeiro (leia-se aversão ao risco) estejam num patamar mais civilizado.
Hoje o IPC-S da Fundação Getúlio Vargas interrompeu um ciclo de alta que se estendia desde a última semana de 2008. O índice fechou em 0,81% contra 0,83% da semana anterior. As pressões pontuais típicas do mês de janeiro estão se arrefecendo, entre elas educação. A alta está em declínio, mas continua elevada: 2,91% disparada na frente entre os grupos.
No que toca a inflação temos uma má notícia no horizonte. Hoje está previsto o início da nova tarifa de metrô e trem metropolitano em São Paulo (a passagem de metrô foi reajustada em 6,25%, saindo de R$2,40 para R$2,55). Este aumento deve impactar fortemente os IPCs tanto da FGV quanto da FIPE.
No entanto, este reajuste é sazonal e não deve retirar a inflação brasileira de uma trajetória adequada. O maior perigo, por ora, é o grupo alimentos que pode ser afetado por eventos exóticos, em especial mudanças climáticas agudas como os temporais recentemente observados no Rio Grande do Sul.
Para ler o comunicado do índice acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/arq/temporario/893060098.pdf
Hoje o Relatório Focus não apresentou mudanças significativas. Chamo atenção, no entanto, à queda na expectativa na produção industrial no Brasil em 2009, agora em 1,50% (semana passada estava em 2,00%). Nossa expectativa é de uma retração severa no produto brasileiro em 2009, como já anunciamos. Esperamos que o PIB venha em 0% durante este ano, ou até uma leve queda de -0,22%.
Para ler o relatório na íntegra acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090206.pdf
