Arquivo de fevereiro, 2009
26/02/2009 - 11:35
Dados divulgados hoje nos EUA não deixam dúvida quanto a desaceleração econômica da maior economia do ano e preparam o terreno para a divulgação – amanhã – do PIB por lá. O Pedido de Bens duráveis sofre uma retração além da esperada. O mercado imaginava uma queda de -2,6%; porém veio o dobro: -5,2%. Esse dado por si já confirma a desaceleração importante na economia, mas não se compara ao aumento no pedido de Auxílio Desemprego. Em fevereiro deram entrada na previdência social mais 667 mil americanos, maior alta desde setembro de 1982 quando 671 mil tomaram a mesma fila.

O IGP-M do mês de fevereiro, divulgado hoje pela FGV, superou todas as expectativas de mercado e fecha o período em 0,26%. Nossa expectativa era de 0,48% contra uma deflação de 0,44% em janeiro.

O destaque que influenciou para baixo foi a evolução dos Preços ao Consumidor que desacelerou de 0,75% para 0,40% na última apuração. Esta evolução benigna da inflação era esperada por nós e por boa parte dos economistas. A discordância principal está no ritmo e intensidade. Acreditamos que o momento atual é de deflação generalizada de ativos, não importa qual seja: ações, salários, imóveis…
Prova disso é a evolução do preço dos imóveis na Inglaterra. Ao ano o tombo acumula queda 17,6% e joga mais mau humor sobre o sistema financeiro. É bom lembrar que a atual crise começou justamente no sistema imobiliário e que reverberou na sua contra-partida financeira e exótica; os títulos sub-prime.

Aproveitamos a oportunidade para relembrar a todos que nossa projeção para a próxima reunião do COPOM é de corte de 150 pontos base, fazendo a taxa sair dos atuas 12,75% e chegar a 11,25%. O motivo é simples e até trivial. A conjunção de crescimento em queda e inflação idem forçam o BC à uma política monetária mais expansionista e nos parece adequado que o esforço nesse sentido seja feito de forma mais abrupta.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: derretimento, imóveis, ressaca
25/02/2009 - 12:59

Um tanto quanto trágica essa capa, bem ao gosto dos ingleses e do seu humor peculiar.
Infelizmente é um tanto quanto “precisa” a manchete.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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25/02/2009 - 12:57
Parece que o mundo entrou em recesso durante o carnaval. Nada de novo, nada digno de nota pelo menos. Claro, os discursos de Obama e de Bernanke mexeram com os mercados; porém não há nas suas falas nada substancialmente novo, a não ser o detalhamento – ou a explicação – de tudo que já foi dito por Timothy Geithner ao anunciar o plano dias atrás. Porém, o mercado insiste em requentar notícias antigas, num movimento eterno e ininterrupto de arbitrar notícias até chegar a um preço adequado para o mundo.
O que há de novo é algo até que trivial. O presidente do FED, Bernanke, disse o óbvio: “Não precisamos ter propriedade dos bancos para trabalhar com eles”. Com esta singela frase ele sinaliza ao mercado que não irá estatizar os bancos, e ao contribuinte/congresso que não irá “perder” dinheiro para salvar os acionistas dos mesmos.
O sistema financeiro é que nem qualquer ramo de atividade da economia. Se o governo dá muita liberdade os bancos podem fazer muito, se retira parte dessa liberdade os bancos podem fazer pouco. Se retira toda a liberdade só podem fazer o que o governo mandar. É basicamente isso que está ocorrendo hoje; uma liberdade assistida. Ao sacarem recursos do FED (via TARP, TALF ou qualquer mecanismo que seja), os bancos abrem mão de uma série de liberdades que gozavam até então; e não há banco que não se entregue alegremente à prisão nestes dias turbulentos. Afinal, a prisão é bem mais segura que ficar andando por Wall Street.
Salvar ou não os bancos deve ser colocado sob a luz da teoria econômica. A questão que está sobre a mesa de Obama e de Bernanke é a seguinte: devemos deixar os bancos deficitários serem destruídos, ou será mais barato manter suas estruturas (agências, área administrativa, analistas de crédito, área comercial, back-office, etc.)? O sistema financeiro, junto com os Bancos Centrais, são os responsáveis pela produção e circulação da moeda na economia. Se, por exemplo, o Citi falir seus correntistas perderão parte dos seus recursos. Até aí tudo bem, essa “destruição” de moeda deverá ser reposta pelo FED no intuito de manter a liquidez adequada na economia. No entanto, a estrutura do Citi é um ativo valioso para a economia norte-americana; os gerentes das agências no interior dos EUA conhecem seus clientes há anos, sua área de crédito sabe avaliar as necessidades dos empresários numa centena de diferentes atividades econômicas, seu departamento de TI desenvolveu um sofisticado sistema computacional que permite a compensação de milhões – quiçá bilhões – de transações bancárias por hora. E por aí vai.
O Citi ajuda o FED a aumentar a eficiência na circulação e criação do dinheiro (da mesma forma que o Itaú ajuda o BACEN). Porém, é bom lembrar, o Citi só faz isso porque o FED permite. O FED pode, a qualquer tempo, baixar uma portaria mudando as regras do jogo (diminuir compulsório, cortar taxa de juros, só para citar alguns mecanismos). Bernanke nem chega a tanto, ele faz isso via regras nos empréstimos que faz. Uma estratégia inteligente e eficaz, que não trás o ônus de ficar comprado em ativos potencialmente podres.
Em resumo: nada de novo. Banco é banco, Governo é governo, e o FED é Banco Central.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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20/02/2009 - 14:52
Pelo visto o carnaval vai acabar antes de começar. Pelo menos em Brasília, imagino. O discurso oficial da marola, e do “não-é-tão-ruim-quanto-parece”, fez água antes mesmo da quarta-feira de cinzas. O CAGED já aguou a festa, e, hoje, a Taxa de Desemprego acendeu a luz no salão com 8,2% às vistas dos desavisados. O governo vai ter que readequar a fantasia neste carnaval.
Não tem como fugir do óbvio. A desaceleração será forte no país, e, após o choque no câmbio em outubro do ano passado, a situação mudou dramaticamente por aqui, jogando considerável estresse sobre as margens empresariais (via custo e via hedge). Aproveitamos a oportunidade para reiterar nosso cenário de desaceleração de -2,2% no 4° trimestre de 2008.
Os dados do CAGED merecem uma ressalva uma vez que tem comportamento sazonal bem definido. No gráfico abaixo está constituída a série em unidades e dessazonalizada (método X-12 aditivo). Observamos que foi apenas nos últimos dois meses que houve perda efetiva de empregos no país, reiterando mais uma vez os sinais de queda no produto interno.

A indústria está sendo forçada a readequar o estoque de capital à um novo nível de demanda. Os empresários estão refazendo as contas e se perguntando: será que haverá demanda em 2009 para a mesma quantidade de produto que produzi em 2008? A resposta é um tanto quanto óbvia; não. Nesta etapa é necessária uma readequação, e o emprego de mão de obra no mesmo patamar não é necessário, ou seja, haverá dispensa de trabalhadores, não importa o esforço que o governo faça, no curto e médio prazo as forças de mercado são mais poderosas.
Isso quer dizer que 2009 será um desastre? De forma alguma. Os dados de desemprego apontam de forma clara essa leitura e apesar da alta registrada em janeiro para 8,2% (acima das expectativas e do índice anterior em 6,8%), este resultado ainda é baixo em termos históricos. Enfrentaremos um ano difícil, não resta dúvida, mas para quem já passou pela década de 80 e 90 não será tão sentida a desaceleração.

Depois que o carnaval passar o governo vai ter que sentar e discutir a relação. A política monetária deverá convergir de forma mais agressiva (tempestiva no jargão) a taxa Selic a algo mais condizente à realidade econômica e às taxas de juros básicas mundiais. Mantemos nossa expectativa de corte de 150 pontos base.
Até então o carnaval dá conta de varrer as más notícias dos jornais. A manobra da Embraer de demitir na véspera do feriado popular é antiga. A empresa de aeronaves brasileiras sofreu demais com a queda do mercado mundial. Infelizmente não havia muita solução, a não ser uma renegociação salarial e férias. A diretoria da empresa optou pelo caminho mais abrupto.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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19/02/2009 - 11:15
Tem sido tema de intenso debate acadêmico, e amplificado pela mídia em geral, as origens e soluções para a atual crise econômica. Boa parte dos economistas jogou na vala comum de 29 a origem deste qüiproquó financeiro que começou em casa e terminou na rua. Já na ponta inversa – a da solução – ressuscitaram Sir Keynes com os restos do século 20; numa mistura exótica de nacional desenvolvimentismo aliado com tecnologia da informação. Um verdadeiro Frankstein (há quem chame esse tipo de neo-keynesiano de hidráulico, o mais puro senso de humor britânico).
O presidente Barak Obama deu um passo correto ontem, e acrescentou alguns decibéis na já acalorada discussão econômica, ao anunciar que vai destinar US$ 275 bilhões do mega pacote para ajudar os mutuários norte-americanos à pagar suas prestações. Até então, sob a administração Bush, o remédio era apenas um anti-termal para combater a febre crônica no sistema financeiro. Rios de dinheiro foram jogados de para-queda aqui e acolá na tentativa de apagar os incêndios pontuais.
Agora não. Obama e Timothy Geithner vão à raiz do problema: a deterioração do mercado imobiliário. Vemos todos os meses os preços dos imóveis despencarem sob a pressão da demanda reduzida e da oferta em alta, e esse quadro fez que os ativos lastreados nestes imóveis perdessem valor. Se a situação imobiliária não melhorar não há dinheiro que chegue para estancar o incêndio financeiro, e tanta liquidez vai permanecer nos cofres dos bancos incendiados não congelada, mas em vapor.
Em alguma medida Obama está indo além do óbvio e fazendo um gigantesco pacote de transferência de renda dos ricos para a classe média norte-americana. Além destes US$ 275 bilhões, outros US$ 300 bilhões estão em pauta via corte de impostos para as famílias e pequenos negócios. Este movimento – de transferência de renda – busca equilibrar as forças na sociedade norte-americana. Na década de 90 e início de século XXI, rendimentos financeiros ganharam força através de derivativos exóticos gerando uma acumulação de renda acentuada e, como vemos hoje, suicida. O pacote aos mutuário e à classe-média pode reorganizar as forças nesse sentido, e Obama é o homem certo na hora certa para fazer isso.
O plano é bom e correto, ma não é imediato nem dramático. É lento e gradual, e por isso mesmo – na nossa opinião – é que vai funcionar. Só espero que tenhamos todo esse tempo. Fantasmas do nacionalismo estão saindo da tumba, e em poucos momentos da história foi tão fácil ser populista. Isto sim é um perigo de fato.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Barak Obama, bolsa-família, EUA, Greenspan chora
18/02/2009 - 12:17
O ano de 2008 vai entrar para a história como o ano que não acabou. Boa parte da turbulência que ocorreu durante o fatídico ano ainda vai ecoar por um bom tempo entre nós e pelo mundo e a crise de crédito, de confiança, e nervosa ainda vai fazer mais algumas vítimas.
Ontem foi divulgada a Pesquise Mensal do Comércio, pelo IBGE, com os dados de dezembro de 2008. Com este dado em mãos, mais a Pesquisa Mensal da Indústria, temos como construir um cenário consistente para o resultado do PIB do 4° trimestre de 2008. O resultado é um tanto quanto desagradável e reitera uma trajetória de queda no produto nacional.
O modelo confirma nossos temores e projeta uma queda de -2,18% no PIB do 4° trimestre contra o 3° trimestre do mesmo ano. Trabalhamos com dados dessazonalizados pelo próprio IBGE para evitar contradições metodológicas. Se confirmado este resultado, o ano de 2008 fecha com um crescimento robusto de 5,52%. Uma ótima notícia, sem dúvida.
Porém, este mesmo resultado expressivo será nosso maior entrave para o ano de 2009. Como o país cresceu de forma consistente em 2008, para crescer a mesma coisa em 2009 será difícil; as condições de crédito, câmbio, comércio internacional e outros fatores se alteraram, forçando uma realocação de fatores em outro ponto de equilíbrio.
Se, por exemplo, crescermos 0% (ou seja, o mesmo produto do trimestre anterior) durante todos os trimestres de 2009, teremos um crescimento negativo do PIB, em -0,37%.
A questão que está em jogo é: qual o montante de capital (ou produto) para esta nova demanda? Com o crédito encolhido o poder de compra das famílias, e, principalmente, o investimento, ficam comprometidos. Não há como retornar ao antigo ponto de equilíbrio forçando variáveis macroeconômicas autônomas (exemplo: taxa Selic).
No entanto, não fazer nada é desnecessário e pode custar caro. Manter a taxa básica do país num patamar tão alto é um movimento equivocado frente a este novo cenário. Por isso acreditamos num corte mais agressivo na taxa Selic pelo colegiado do COPOM de 150 pontos bases, ou 1,50%. Desta forma a taxa cairia dos atuais 12,75% para 11,25% ao ano e seria seguido de um outro corte da mesma magnitude, encerrando assim o afrouxamento.

Para quem conhece econometria, segue abaixo o modelo estimado e o resultado.
Ei-lo:


Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Brasil, fim de festa, pib, regressão
17/02/2009 - 12:04
Um deprimente show foi patrocinado pelo Ministro das Finanças japonês, Shoichi Nakagawa, na reunião do G7. Visivelmente embriagado, o ministro concedeu entrevista coletiva, e o resultado não poderia ser diferente: ele irá se retirar do cargo.
O episódio anedótico diz pouco sobre a crise, mas aponta para algo muito mais sério; a incapacidade dos governantes em lidar com a crise econômica. Não podemos depositar fé demais nos ministros e presidentes uma vez que, a rigor, muito pouco pode ser feito, e o que pode ser feito demora para acontecer. Da mesma forma que não existe lucro milagroso – como advogavam alguns financistas há menos de dois anos –, também não existe planos redentores. Só posso imaginar a pressão que repousa sobre os ombros destes líderes. Só para citar o Japão, sua Produção Industrial retraiu -20,8%.
A Rússia apresentou um resultado também preocupante na sua Produção Industrial, uma retração de 19% nos dados brutos, e de -6,32% nos dados dessazonalizados.

A queda no nível de atividade é generalizada, em 6 meses é o 5° resultado negativo em termos dessazonalizados. A situação da Rússia é particularmente dramática por conta da queda do petróleo (seu principal produto for export), e a conseqüente desvalorização cambial que queimou uma centena de bilhão das suas reservas. A pressão aumenta.
Na Inglaterra o preço dos imóveis é ainda preocupante. A crise subprime colocou na linha de tiro os lares mundo à fora e representa uma ajuste no preços deste ativo sem paralelo. A queda ao ano chegou a 10,2%, uma reversão severa da apreciação até então verificada.
Não há o que comemorar neste momento e é melhor se preparar para o pior do que se embriagar na retórica oficial. 2009 será um ano ruim, há poucas dúvidas em relação a isso, no entanto não será um desastre se comparado a outros períodos de desaceleração econômica robusta que o Brasil já viu. Nós já vimos esse filme e vimos que sobrevivemos. A desaceleração é séria no mundo inteiro, não há motivo para aqui não ser diferente.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: ressaca, saquê, varejo
16/02/2009 - 10:54
Dados divulgados sobre o PIB japonês confirma sua desaceleração. Até aí nada de novo: boa notícia no front econômico é caso raro hoje em dia. A queda foi poderosa, e foi a maior em 34 anos. Em termos anuais a retração registrada foi de estonteantes -12,7%, na comparação trimestral a queda foi de -1,7%.

Note-se, que a queda trimestral é menor que a apurada nos EUA (-3,8%) e um pouco superior a da Europa (-1,5%). A economia japonesa passa por um momento difícil, além da atual crise, a economia japonesa ainda está lambendo as feridas da sua própria crise imobiliária – início da década de 90 –, e da crise nos tigres asiáticos, que arrasou feito tsunami as economias da região. Não será rápida a recuperação da sua economia.
No Brasil o IPC-S, da FGV, registra queda e aponta inflação menor que a expectativa do mercado. O índice fechou em 0,59%, contra 0,81% da semana passada. Destacamos aqui o grupo educação que nas últimas semanas havia dado dor de cabeça a muita gente, e agora começa a perder forças. Na semana passada o aumento foi de 2,91%, hoje está em 1,93%.

O relatório Focus, elaborado pelo BC com as expectativas do mercado, aponta para queda na inflação ao consumidor (mediana – agregado). Já no grupo TOP 5 a expectativa é que o IPCA feche fevereiro em 0,48%, em queda com relação ao mês passado.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise, japão, que crise, sushi
15/02/2009 - 04:54
Começa hoje.
Pra quem já vive entre pequenos biombos, já estamos no meio do caminho.
Mas, calma lá.
Axé que vai que vai.
Beijos
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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13/02/2009 - 15:58
O que já era sabido hoje ficou notório: a economia do Velho Continente segue em desaceleração acelerada. O PIB divulgado hoje do 4° trimestre de 2008 mostrou a face feia da crise que começou em casa e terminou na rua. A queda trimestral (4° contra 3°) foi de -1,5%. Já na Alemanha, a locomotiva da cambaleada Europa, o tombo foi maior: -2,1%.


Ninguém duvida que a economia mundial está desacelerando, mas há quem ache que o pior já passou. Alguns argumentam que os dados divulgados são passado, e prestar atenção nisso é dirigir olhando pelo retrovisor.
Não é do interesse do nosso departamento espalhar o mau humor, muito menos jogar descrédito no futuro do país. No entanto, ao jogar os holofotes nesses dados ruins, queremos chamar atenção para um movimento típico e elementar da economia: deslocamento da oferta versus demanda.
O raciocínio é simplório, mas muito elucidativo. A crise sub-prime congelou o crédito mundo no frio da espinha do medo. A sensação de insegurança travou a liquidez nas tesourarias e reverteu o fluxo global de recursos de volta para os EUA na esteira da aversão do risco, retraindo a globalização do capital. Este choque reprimiu o crédito na raiz e desarticulou o consumo via crédito mundo a fora.
Agora temos um novo patamar de consumo que é sensivelmente menor do que o registrado anteriormente. A pergunta é: qual o montante de capital que irá se adequar a esta nova realidade? Sem dúvida é menor do que a do mesmo período do ano passado. Imagine um empresário. Você acha que ele se sente confortável para expandir sua produção hoje? E mais. Você acha que este mesmo empresário irá precisar da mesma quantidade de trabalhadores, uma vez que a produção irá se reduzir. A resposta é a óbvia: não.
Os efeitos da crise não são homogêneos e os governos agem de forma correta no sentido contrário da crise. Porém, todos sabemos que esta crise é daquelas que acontecem de 70 em 70 anos, e a ação do estado só pode contrabalançar por hora algumas tendências. Ainda não vimos as empresas automobilísticas demitirem de fato. Até agora outros expedientes foram usados, como férias coletivas e cursos de reciclagem. No entanto, o corte será feito pois não há nada no mundo que faça a demanda de veículos aumentar para o patamar pré-crise no curto prazo.
A crise é pesada? Claro que é. Porém não será tão sentida pela população como no passado, uma vez que o Brasil dispõe de alguns mecanismos de transferência de renda poderosos. Além do Bolsa Família (e programa correlatos), hoje o emprego é muito mais formalizado que em anos anteriores, o que permite um colchão anti-crise via auxílio desemprego.Fosse em outro tempo a situação da população de baixa e média renda seria muito pior.
Precisamos de cautela mais do que nunca. Prudência nunca foi tão importante.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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