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28/01/2009 - 11:20

Desaceleração. E agora?

Ninguém gosta de ser portador de más notícias, muito menos economistas; acreditem. Nos últimos Comentários Diários nosso Departamento Econômico tem apontado de forma recorrente – e incisiva – todos os sinais da desaceleração econômica por aqui: produção industrial em queda, comércio estagnado, o avanço do desemprego, câmbio volátil, contas externas negativas e até a inflação em baixa (que é um péssimo sinal na verdade). Hoje soma-se mais um.

Ontem foi divulgada a arrecadação federal que registrou valor recorde da série em 2008. Isso é uma ótima notícia: arrecadação em alta, apesar do corte da CPMF, indica crescimento econômico vigoroso. A arrecadação é uma ótima aproximação para verificar a evolução do PIB.

No entanto, se olharmos com um pouco mais de atenção, veremos que o quadro deteriorou de forma vertiginosa nos últimos meses do ano. O comportamento da arrecadação federal é extremamente sazonal, respondendo de forma sensível à agenda comercial. Para vermos com precisão a evolução precisamos dessazonalizar a série. Abaixo a série tratada mês a mês (método Census X-12 multiplicativo).

A arrecadação caiu entorno de 6% entre novembro e dezembro. Essa queda captura a desaceleração econômica verificada a partir de novembro; uma vez que o choque mais pesado da crise chegou ao país em outubro via câmbio explosivo, e fez-se sentir no mês seguinte.

Continuamos com nosso call de crescimento muito baixo para 2009, em 1,10% no acumulado do ano. Para o 4° trimestre de 2008 a queda tri versus tri deve chegar à -1%. O Instituto Internacional de Finanças sentenciou, em recente relatório, que o Brasil deve ter um crescimento ainda menor em 2009: 0,8%. Segundo o mesmo relatório o mundo deve diminuir 1,1%. Até que não estamos tão mal assim, pondera nosso lado Poliana.

Até aí nenhuma novidade. Saber que estamos em crise qualquer um sabe. A pergunta persiste: E agora? Em tempos nebulosos como esse os economistas devem, por dever de ofício, serem mais conservadores que a média e apontar apenas o que está contemplado dentro do seu escopo teórico.

A crise econômica atual mostrou de uma vez por todas que não se deve administrar recursos de forma leviana, e que não há gênios no mercado, só alguns espertalhões. Esperamos que essa “Era de Gênios” acabe, porém duvidamos fortemente disso. Nada há nada mais eterno que um esperto.

O que podemos apontar, no sentido de auxiliar nossos clientes a planejar seus investimentos, é que a desaceleração econômica é generalizada, mas há, no entanto contra-tendências. Quero ressaltar aqui apenas uma. O Governo Federal tem agido fortemente para manter a demanda agregada (consumo e investimento) elevados de forma artificial na esperança de reanimar a economia como um todo, e de criar uma ponte entre o momento atual de crise e a retomada da atividade no futuro. Este tipo de ação faz muito sentido em momentos de crise, e esse expediente é amplamente utilizado por todos os países.

Cabe agora tentar capturar estas “distorções” geradas pela ação exógena do governo na economia. Cabe perguntar: quem são os fornecedores das empresas estatais que serão beneficiadas pelos investimentos públicos? Elas são listadas? Quais as empresas que podem participar das licitações do PAC? Quais os setores que serão beneficiados com incentivos ao consumo? Bens duráveis? Quais?

Para responder a estas questões é necessária a presença de especialistas. A maioria das corretoras contam com uma equipe de analistas de mercado, que podem te auxiliar na elaboração da melhor estratégia.

Mais do que nunca trabalho duro e inteligência serão cruciais para vencer os desafios que enfrentamos. E para isso não precisa ser nenhum gênio.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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3 comentários para “Desaceleração. E agora?”

  1. Luiz Henrique Lusvarghi disse:

    …..Tudo começa naquela velhinha que vai ao supermercado comprar uma lata de óleo, um saco de arroz, um kg de feijão e meio de salsicha, ovos, uma latinha de sardinha e um guaraná desses de uma das marcas que estão vendendo a fábrica….é esta velhinha que faz girar tudo…quer dizer, não é ela, mas vamos ter que apostar nela, porque os consumidores que se empanturraram e empanturraram a economia, pelo menos aqui no Brasil, estão devendo o carro, a televisão e o carro pelo menos até na outra copa. Seus nomes estão no SPC, o que não é ruim, porque ao menos, estes serão freados, já que fazem uma economia baseada no nada e economia baseada no nada levou o mundo a essa crise miserável…Vejo um futuro mais arrumado e o Brasil se acertando, mas é preciso urgentemente fazer com que o governo pare de gastar, e sua esposa também pare de gastar se você estiver bem próximo do caos. Se você não estiver, lembre-se de fazer um pouco de poupança…Afinal, não foi um americano – vê que ironia – que disse certa vez : não existe prosperidade baseada em dinheiro emprestado, não a terá se gastardes mais do que ganhas e resumindo, um povo sem poupança é um povo sem futuro? – quanto a gastança que o Lula manda fazer, vamos deixar para o funcionários públicos de cargos eletivos principalmente, que ganham de todo jeito, trabalhando ou não trabalhando….vamos forçá-los cortar gastos com seus próprios salários. Se fizermos a lição direitinho, isso vai deixar de ser utopia….

  2. André, concordo que alguns setores serão mais previlegiados que outros atravéz dos investimentos do PAC, mas tiro o chapel para o governo por este plano. Sem dúvidas o simpático português da padaria não fornecerá nada atravez das licitações do PAC, mas frequentemente os funcionários da obra irão tomar um cafezinho lá nas horas de descanço, evitando que o Sr. Manuel reduza seu quadro de funcionarios. Portanto seria muito bom investir essa dinheirama toda aonde pode gerar mais mão de obra. Não adianta agora comprar um TREM BALA feito no Japão ou na Alemanha, talvez seja a hora de construir pontes ou as ferrovias por onde esse trem passará no futuro próximo.

  3. Deborah disse:

    Muito bom seu ponto de vista. Dá pra refletir sobre ele. Parabens!
    Deborah

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