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06/11/2008 - 10:52

COPOM: meta é 2009.

Hoje de manhã foi divulgada a ata do último COPOM, realizada nos dias 28 e 29 de outubro, onde foi decidida, por unanimidade, a manutenção da taxa básica. No documento de 16 páginas a diretoria do Banco Central repassa a condição geral da economia brasileira e, apoiados em algumas premissas, discorrem sobre a evolução prospectiva da inflação doméstica. As principais premissas são:

a) as projeções de reajustes nos preços da gasolina e do gás de bujão foram mantidas em 0% para o acumulado de 2008;
b) as projeções de reajustes das tarifas de energia elétrica e telefonia fixa permaneceram inalteradas, para o acumulado de 2008, em 1,1% e em 3,5%, respectivamente;
c) a projeção, construída item a item, de reajuste para o conjunto de preços administrados para o acumulado de 2008 foi alterada para 3,8%, ante os 4,0% considerados na reunião de setembro. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo IBGE, correspondeu a 29,71% do total do IPCA de setembro;
d) a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados para 2009 foi alterada de 4,8% para 5,5%. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outros, componentes sazonais, variações cambiais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP); e
e) a trajetória estimada para a taxa do swap de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 147 p.b. no quarto trimestre de 2008 e de 85 p.b. no último trimestre de 2009. Os choques identificados e seus impactos foram reavaliados de acordo com as novas informações disponíveis.

Após considerar esses dados o BC deixa claro que o aperto monetário iniciado esse ano terá um efeito mais sensível apenas em 2009, quando se espera que as medidas tenham o efeito esperado e que a inflação convirja para a meta oficial. No mais esperam que a desaceleração no crédito retire parte da vitalidade na demanda interna, de tal sorte que a demanda nivele num nível mais adequado em relação à oferta, retirando assim parte da inflação decorrente deste descasamento.

Em suas palavras:

“20. O Copom considera importante ressaltar, mais uma vez, que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos tanto sobre o nível de atividade como sobre a inflação. Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve concentrar-se, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável. Tais considerações ganham ainda mais relevância em momentos cercados por maior incerteza.”

“21. As perspectivas para a evolução da atividade econômica tornaram-se mais incertas desde a última reunião do Copom. Em particular, os efeitos da crise internacional sobre as condições financeiras internas indicam que a contribuição do crédito para a sustentação da demanda doméstica pode arrefecer de forma mais intensa do que o que seria determinado exclusivamente pelos efeitos da política monetária. Adicionalmente, a intensificação da crise internacional parece ter tido efeito negativo sobre a confiança dos consumidores e empresários. Caso persista tal situação, o dinamismo da atividade passaria a depender crescentemente da expansão da massa salarial real e dos efeitos das transferências governamentais esperadas para este e para os próximos trimestres. Essas ponderações tornam-se ainda mais relevantes quando se leva em conta os sinais de demanda doméstica ainda aquecida ao final do terceiro trimestre, a disseminação de pressões derivadas de ajustes de preços relativos, inclusive sobre o mercado de trabalho, e o fato de que as decisões de política monetária terão impactos concentrados em 2009.”

Nesse sentido a atual parada no aperto monetário não é apensa uma “parada técnica”, como muitos analistas acreditavam antes da divulgação da ata, mas sim um marco na política monetária atual que deve interromper as altas consecutivas na taxa básica.

Para ler a ata na íntegra basta acessar:
http://www.bcb.gov.br/htms/copom/not20081029138.asp

Hoje também foi divulgado o IGP-DI pela FGV. O índice veio em 1,09%, praticamente em linha com nossa expectativa de 1,06% de alta. Para ver o informa da FGV basta acessar:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/dsp_arquivo.asp?arquivo=5D5DE136C4AB84D2

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,

1 comentário para “COPOM: meta é 2009.”

  1. Pedro de Oliveira disse:

    Pensando em 2009, nao. O pensamento, eu aposto nisso, eh de aumenta-lo a qualquer momento. Afinal, o presidente do nosso BC tem reservas estimadas em 50 milhoes de dolares, somente isso! BC brasileiro, o BC do povo!

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