15/08/2008 - 14:36
Queridas, queridos e agregados de toda espécie.
Saiu na TRIP desse mês (número 169, ano 22) a matéria que fiz sobre transferência de conhecimento da esfera privada para a pública. A pauta cobre iniciativas de empresários que resolveram atuar de forma mais direta na melhoria da gestão pública, em especial na arrecadação e no gasto da máquina.
Quero agradecer todos que me ajudaram com dicas e sugestões de projetos nesse sentido. Infelizmente não deu para ver tudo nem falara de todos, mas ajudou – e muito – os palpites e indicações. Tks again!
Também fica aqui meu abraço para o Guilherme Werneck, Ricardo Calil e Anabelle da TRIP. Obrigado também ao Antônio Brasiliano pelas fotos da matéria.
A edição desse mês está muito boa. Faço aqui destaque a entrevista com Joe Wallach, executivo da Time-Life que ajudou o Dr. Marinho a montar um pequeno império chamado Globo. Fica também o registro da belíssima Kelli Aguiar num ensaio fotográfico com um fino bom gosto conduzido por Marcelo Gomes. Must see!
Para ler a matéria original é só acessar o blog mais bacana do bairro do Sumaré, agora radicado no Itaim Bibi.
Como você já está aqui é só descer um pouco mais. ABAIXO O ORIGINAL!
Beijos, abraços e cafunés
André Perfeito
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Novos ares.
Se parar pra pensar dá uma canseira que não tem fim. Ao se deparar com a máquina pública, qualquer cidadão de bem vê ali, como quem vê uma enorme geringonça, que aquilo não vai funcionar. É muita gente, é muita coisa, é muito papel, é muita mesa de madeira compensada marrom, são muitas vias (em folhas amarelas, brancas e verde-água), e sempre tem ali no canto da sala uma infiltração com um mofo já entre preto e esverdeado num pinga-pinga insistente e fatalmente deprimente: não vai dar certo, talvez nunca deu, suspira já cansado de pensar no tamanho da encrenca o pacato cidadão.
Fazer o que? É coisa demais, e, pior, muito interesse. Gente de tudo que é jeito querendo tudo que é coisa: verbas, prestígio, remédio para artrite, alvará para abrir um bar, contrato de fornecimento de giz, remédio para pressão alta, merenda, asilo, mesada; enfim. De tudo um tanto. E tudo isso num emaranhado de repartições e balcões que deixaria de pena em pé um mafagafo qualquer. A administração pública cresceu e prosperou do jeito que pode e, ao longo de séculos, ficou um tanto quanto confusa.
Para dar conta de tanta conta, e da máquina, o estado pega firme! Só os estados e municípios arrecadaram em maio quase R$ 50 bilhões. Em 2008 já foram R$ 268 bilhões. Mas não há dinheiro que dê conta do tamanho da geringonça. Para fechar o caixa, o governo ainda pegou algum emprestado na praça e pagou só de juros da dinheirama algum qualquer de R$ 8 bilhões. Isso só em março. Vai somando aí.
É gasto demais e receita de muito. Resultado: paralisia crônica e irrestrita. O estado não investe e não age, e só para respirar custa tudo isso acima e mais alguns trocados.
Porém algo novo parece estar, aos poucos, chegando na política brasileira. Duas décadas de democracia fizeram o político brasileiro perceber que o resultado de sua administração é crucial para seu futuro político. Velhos jargões, do tipo ‘rouba, mas faz”, caíram em desuso, sobrevivendo apenas em velhos dinossauros da política tupiniquim. As palavras de ordem agora são “choque de gestão” ou “administração de resultados”.
Seria pura demagogia eleitoral não fosse a resposta da sociedade civil aos novos ventos. Empresários de todas as partes começaram a se organizar no intuito de ajudar a administração pública no desafio dantesco de colocar a casa em ordem. E não é por bondade não; os empresários sabem muito bem que um estado mais eficiente vai ajudar, e muito, seus negócios. Com uma máquina enxuta e em ordem o país pode crescer e os empresários têm todo o interesse nisso. Esse pragmatismo tão típico da esfera privada é, sem dúvida, o motor da ação e evita que fique apenas no diz-que-me-diz de alguns governantes.
No entanto não há dúvida que muitos empresários agem por puro sentimento cívico, algo muito fora de moda nesses tempos, chamado também de patriotismo. Mas deixe estar esse papo e vejamos algumas iniciativas.
Um dos maiores patronos desse tipo de ação é sem dúvida alguma Jorge Gerdau. Ele é atualmente presidente fundador do Movimento Brasil Competitivo, uma associação que reúne sob seu guarda-chuva pesos pesado do empresariado brasileiro que, além da própria Gerdau, possui no seu quadro Ford, Fiat, Furnas, Eletronorte, GE, Natura, Odebrecht, Xerox e Suzano. Só para citar alguns.
A agremiação patrocina projetos de melhoria na gestão pública em praticamente todo o país e vem colhendo ótimos resultados. O foco desses convênios visa atacar basicamente os problemas crônicos que travam o poder público, principalmente no seu aspecto financeiro. Aumento de receitas, melhores técnicas administrativas e redução de gastos. Mas não se limita ao bê-á-bá das finanças não. Muitas vezes coloca o dedo na ferida e vai até áreas que são verdadeiras celeumas.
Um bom exemplo foi a parceria com o governo do Rio de Janeiro na área de segurança. Ao implementar a terceirização da manutenção da frota houve uma economia de R$ 9 milhões, além de liberar para a ativa cerca de 300 soldados que antes ficam com graxa na mão nas oficinas da corporação.
O convenio se deu através da contratação de uma consultoria especializada. No caso a INDG do Professor Vicente Falconi. Através de um levantamento detalhado da estrutura da máquina, ações pontuais são implementadas e metas estabelecidas. Atualmente há um convênio em andamento na prefeitura de São Paulo cujos principais objetivos são aumentar a receita (sem elevar os impostos) e reduzir as despesas (sem perder a qualidade).
A encrenca é grande, você sabe. O assessor de gestão da prefeitura, Rodrigo Mauro, vive nisso, e sumariza o deus-dará. “A Prefeitura de São Paulo é gigantesca. Tem tamanho de um Estado, porém missão de cidade. Para citar alguns números, são mais de 150 mil funcionários, R$ 22 bilhões de orçamento, 82 milhões de atendimentos ambulatoriais, e, somente de arroz para a merenda, são consumidas 360 toneladas por mês e por ai vai. O funcionamento dessa máquina é normatizado por regras, leis, portarias, decretos. Ou seja, a governança sobre mudanças de processos não é uma coisa simples.”
No caso do aumento das receitas a solução foi simples e elegante. A prefeitura resolveu incentivar a fiscalização na arrecadação do ISS utilizando o próprio consumidor como aliado. É a Nota Fiscal Eletrônica, que pode ser pedida em qualquer estabelecimento comercial e dá até 30% de desconto no IPTU do morador paulistano. Segundo a prefeitura de São Paulo nos dois primeiros anos houve um aumento de mais de R$ 3,5 bilhões, e só até maio de 2008 foram outros R$ 945 milhões.
Na frente das despesas compras foram unificadas pela prefeitura e processos racionalizados. Gastos comuns como água, luz e telefone passaram no pente fino e deixaram de onerar os cofres em R$ 125 milhões.
Não é mágica. As principais armas dessas iniciativas são tecnologia de informação, e clareza nas metas. Todos os projetos são facilmente auditados e os resultados divulgados amplamente, de tal forma que os agentes públicos possam ter de novo controle sobre a máquina. Sistemas eletrônicos acompanham o desempenho em praticamente tempo real e com sinais verde, amarelo e vermelho medem os resultados obtidos. O controle é total.
Outro grande avanço foi a utilização de leilões eletrônicos para compra de material. A economia está sendo substancial, além de dar mais transparência ao processo.
Conhecimento, conhecimento e mais do mesmo. Rodrigo vai ao ponto. “E aí entra a questão da Gestão e a importância do contato e a transferência de ferramentas e métodos que possibilitem trazer melhorias quali-quantivativas às cadeias de processos. Nosso convênio com o MBC é e, foi fundamental para que melhorássemos nossa eficiência e efetividade interna, através de uma permanente capacitação do corpo funcional, leia-se transferência de conhecimento.”
Só que não são só os estados ricos que estão nessa empreitada. O estado de Alagoas teve um ganho real acumulado de R$ 931 milhões. Pernambuco outros R$ 105 milhões e Sergipe algo próximo de R$ 60 milhões.
Não é só na racionalidade administrativa que se faz sentir um que de novo na esfera pública. Os eleitores também embarcaram nessa onda e se organizaram de forma mais objetiva para pressionar os governantes. Exemplo desse esforço é o movimento Nossa São Paulo é Outra História. A ONG, que tem o apoio de importantes empresários paulistas (entre eles Oded Grajew), pressionou a Câmara dos Vereadores e conseguiu aprovar uma lei que promete revolucionar a administração pública. Agora todo prefeito eleito deve, num prazo máximo de 90 dias, apresentar à cidade seu plano de ação e as metas que irá perseguir. Dessa forma há um claro termômetro da eficiência do gestor. No site da ONG é possível acompanhar o desempenho das subprefeituras paulistanas. Mais uma ferramenta de pressão eficiente.
Será que estamos vendo o início de uma nova era na administração pública, onde informação é crucial tanto para gerir melhor, como para exigir um melhor serviço? O sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, autor do clássico Raízes do Brasil, via com certa esperança que os valores urbanos pudessem, aos poucos, alterar o quadro de patrimonialismo endêmico brasileiro. Já o romancista Jorge Amado acreditava que se matássemos o “jeitinho brasileiro” acabaríamos matando o Brasil no que há de fundamental. Para onde vai esse barco não se sabe. Só é claro que há novos ares por aí.


Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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07/08/2008 - 23:55
Uma querida amiga me falou desse artigo. Duvidei da empolgação da garota, mas me curvei ao texto. Crítica fina marxiana num mundo tão dado á bobagem.
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E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado do país?
As notícias publicadas em toda a mídia nos impõem uma imagem determinada que é mais ou menos como segue. A República Popular da China, que, nos idos de 1949, ocupou ilegalmente o Tibete, durante décadas promoveu a destruição brutal e sistemática não apenas da religião tibetana, mas também da própria identidade dos tibetanos como povo livre. Os protestos recentes do povo tibetano contra a ocupação chinesa foram novamente sufocados com força policial e militar bruta.Como a China está organizando os Jogos Olímpicos de 2008, é dever de todos nós que amamos a democracia e a liberdade pressionarmos a China para devolver aos tibetanos aquilo que ela lhes roubou; não se pode permitir que um país que possui um histórico tão deficiente em matéria de direitos humanos passe uma mão de cal sobre sua imagem com a ajuda do nobre espetáculo olímpico.O que farão nossos governos? Vão ceder ao pragmatismo econômico, como de costume, ou encontrarão a força necessária para colocar nossos mais elevados valores éticos e políticos acima dos interesses econômicos de curto prazo?Embora a atividade chinesa no Tibete sem dúvida tenha incluído muitos atos de destruição e terror assassino, existem muitos aspectos dela que destoam dessa imagem simplista de “mocinhos versus vilões”.Enumero, a seguir, nove pontos a serem mantidos em mente por qualquer pessoa que faça um julgamento sobre os fatos recentes no Tibete.
Poder protetor
1) Não é fato que até 1949 o Tibete era um país independente, que então foi repentinamente ocupado pela China. A história das relações entre eles é longa e complexa, e em muitos momentos a China exerceu o papel de poder protetor. O próprio termo “dalai-lama” é testemunho dessa interação: reúne o “dalai” (oceano) mongol e o “bla-ma” tibetano.
2) Antes de 1949, o Tibete não era nenhum Xangri-Lá, mas um país dotado de feudalismo extremamente rígido, miséria (a expectativa média de vida pouco passava dos 30 anos), corrupção endêmica e guerras civis (sendo que a última, entre duas facções monásticas, ocorreu em 1948, quando o Exército Vermelho já batia às portas do país).
Por temer a insatisfação social e a desintegração, a elite governante proibia o desenvolvimento de qualquer tipo de indústria, de modo que cada pedaço de metal usado tinha que ser importado da Índia.Mas isso não impedia a elite de enviar seus filhos para estudar em escolas britânicas na Índia e transferir seus ativos financeiros a bancos britânicos, também na Índia.
3) A Revolução Cultural que devastou os mosteiros tibetanos na década de 1960 não foi simplesmente “importada” dos chineses: na época da Revolução Cultural, menos de cem guardas vermelhos foram ao Tibete, de modo que as turbas de jovens que queimaram mosteiros foram compostas quase exclusivamente de tibetanos.
4) No início dos anos 1950, começou um longo, sistemático e substancial envolvimento da CIA na incitação de distúrbios anti-China no Tibete, de modo que o receio chinês de tentativas externas de desestabilizar o Tibete não era, de modo algum, “irracional”.
5) Como demonstram as imagens veiculadas pela TV, o que está acontecendo agora nas regiões tibetanas já não é mais um protesto “espiritual” pacífico de monges (como o que aconteceu em Mianmar um ano atrás), mas (também) bandos de pessoas matando imigrantes chineses comuns e incendiando suas lojas. Logo, devemos avaliar os protestos tibetanos segundo os mesmos critérios com os quais julgamos outras manifestações violentas: se tibetanos podem atacar imigrantes chineses em seu próprio país, por que os palestinos não podem fazer o mesmo com colonos israelenses na Cisjordânia?
6) É fato que a China fez grandes investimentos no desenvolvimento econômico do Tibete e em sua infra-estrutura, educação, saúde etc. Para explicar em termos simples: apesar de toda a opressão inegável, nunca, em toda sua história, os tibetanos medianos desfrutaram de um padrão de vida comparável ao que têm hoje.
7) Nos últimos anos, a China vem mudando sua estratégia no Tibete: a religião despida de política hoje é tolerada e mesmo apoiada. Mais do que na pura e simples coação militar.Em suma, o que escondem as imagens veiculadas pela mídia de soldados e policiais chineses brutais espalhando o terror entre monges budistas é a muito mais eficaz transformação socioeconômica em estilo americano: dentro de uma ou duas décadas, os tibetanos estarão reduzidos à situação dos indígenas americanos nos EUA.
Parece que os comunistas chineses finalmente entenderam a lição: de que vale o poder opressor de polícias secretas, campos e guardas vermelhos destruindo monumentos antigos, comparado ao poder do capitalismo sem freios, quando se trata de enfraquecer todas as relações sociais tradicionais?
Ideologia “new age”
Uma das principais razões por que tantas pessoas no Ocidente tomam parte nos protestos contra a China é de natureza ideológica: o budismo tibetano, habilmente propagado pelo dalai-lama, é um dos pontos de referência da espiritualidade hedonista “new age”, que está rapidamente se convertendo na forma predominante de ideologia nos dias atuais.Nosso fascínio pelo Tibete o converte numa entidade mítica sobre a qual projetamos nossos sonhos. Assim, quando as pessoas lamentam a perda do autêntico modo de vida tibetano, não estão, na verdade, preocupadas com os tibetanos reais.
O que querem dos tibetanos é que sejam autenticamente espirituais por nós, em lugar de nós mesmos o sermos, para continuarmos a jogar nosso desvairado jogo consumista.
O filósofo francês Gilles Deleuze [1925-75] escreveu: “Se você está preso no sonho de outro, está perdido”. Os manifestantes que protestam contra a China estão certos quando contestam o lema olímpico de Pequim, “Um mundo, um sonho”, propondo em lugar disso “um mundo, muitos sonhos”.Mas eles devem tomar consciência de que estão prendendo os tibetanos em seu próprio sonho, que é apenas um entre muitos outros.
9) Para concluir, a dimensão realmente nefasta do que vem acontecendo hoje na China está em outra parte. Diante da atual explosão do capitalismo na China, os analistas freqüentemente indagam quando vai se impor a democracia política, o acompanhamento político “natural” do capitalismo.Essa questão com freqüência assume a forma de outra pergunta: até que ponto o desenvolvimento chinês teria sido mais rápido se fosse acompanhado de democracia política?
Mas será que isso é verdade?Numa entrevista há cerca de dois anos, [o sociólogo] Ralf Dahrendorf vinculou a crescente desconfiança com que a democracia vem sendo vista nos países pós-comunistas do Leste Europeu ao fato de que, após cada mudança revolucionária, a estrada que conduz à nova prosperidade passa por um “vale de lágrimas”.Ou seja, após o colapso do socialismo não se pode passar diretamente para a abundância de uma economia de mercado bem-sucedida: o sistema socialista limitado, porém real, de bem-estar e segurança precisou ser desmontado, e esses primeiros passos são necessariamente dolorosos.
Vale de lágrimas
O mesmo se aplica à Europa Ocidental, onde a passagem do Estado de Bem-Estar Social para a nova economia global envolve renúncias dolorosas, menos segurança e menos atendimento social garantido.
Para Dahrendorf, o problema é resumido pelo fato de que essa dolorosa passagem pelo “vale de lágrimas” dura mais tempo que o período médio entre eleições (democráticas), de modo que é grande a tentação de adiar as transformações difíceis, optando por ganhos eleitorais de curto prazo. Não surpreende que os países mais bem-sucedidos do Terceiro Mundo, em termos econômicos (Taiwan, Coréia do Sul, Chile), tenham adotado a democracia plena só após um período de governo autoritário.
Esse raciocínio não seria o melhor argumento em defesa do caminho chinês em direção ao capitalismo, em oposição à via seguida pela Rússia? Seguindo o caminho percorrido pelo Chile e a Coréia do Sul, os chineses usaram o poder irrestrito do Estado autoritário para controlar os custos sociais da passagem para o capitalismo, desse modo evitando o caos.Em suma, uma combinação esdrúxula de capitalismo e governo comunista, longe de ser uma anomalia ridícula, mostrou ser uma bênção (nem sequer) disfarçada: a China se desenvolveu na velocidade em que o fez não apesar do governo comunista autoritário, mas devido a ele.E se aqueles que se preocupam com a falta de democracia na China estiverem na realidade preocupados com o desenvolvimento acelerado da China, que faz dela a próxima superpotência global, ameaçando a primazia do Ocidente?
Há mesmo um outro paradoxo em ação aqui: e se a prometida segunda etapa democrática que vem após o vale de lágrimas autoritário nunca chegar?É isso, possivelmente, que é tão perturbador na China de hoje: a idéia de que seu capitalismo autoritário talvez não seja apenas um resquício de nosso passado, a repetição do processo de acúmulo capitalista que se desenrolou na Europa entre os séculos 16 e 18, mas sim um sinal do futuro.E se “a combinação agressiva entre o chicote asiático e o mercado acionário europeu” se mostrar economicamente mais eficiente que nosso capitalismo liberal? E se ela assinalar que a democracia, tal como a conhecemos, não é mais condição e motor do desenvolvimento econômico, e sim um obstáculo a ele?
Fonte: Folha
SLAVOJ ZIZEK é filósofo esloveno e autor de “Um Mapa da Ideologia” (Contraponto). Ele escreve na seção “Autores”, do Mais! . Tradução de Clara Allain .
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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