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02/05/2008 - 18:49

Coluna Destak – Jabor, Delfin e um bode

Jabor, Delfin e o Bode.

Não tem jeito. Vou confessar. Não me seguro. Eu leio Jabor. Pronto. Tá aí! Disse. Ufa! Que coisa essa de parte da intelectualidade paulista em demonizar o rapaz. E daí se ele é confuso, com lampejos direitosos, delírios de esquerda, sexualmente exagerado e católico atravancado? E daí? Ele diz muito mais para mim do que pessoas bem acabadas e tão coesas. Adoro a bagunça que ele faz. Até para, vez ou outra, xingar o ressentido rapaz, que até hoje ostenta a calça rasgada quando fugia da polícia no dia do golpe; ele nunca trocou de roupa.

Fico aflito também. Hoje vi sua quase alegria com a recessão mundial, seu gozo com o fim de uma felicidade medíocre movida a consumo banal. Ele quer a recessão, ele deseja o fim desta felicidade yuppie do mundo, de um pouco mais de poesia e menos pó. Enfim, fiquei preocupado, mas concordo. Esta felicidade made in china me enlouquece. O pior é imaginar que o Brasil segue na mesma trilha.

Mas ele insiste em ver algumas coisas do ângulo certo. E para isso coloco Delfin Netto na mesa do bar. Certa vez o professor disse coloquial: “Crescimento econômico é que nem estar apaixonado, ninguém sabe por que está, mas está.”. O que Delfin queria dizer, creio eu, é que crescimento econômico é um fenômeno tão complexo, envolvendo um sem número de variáveis que quando ocorre ninguém sabe ao certo porque ocorre. Apaixona-se, simples assim.

Da mesa do bar levanto um copo e digo categórico. O atual momento econômico pode ser definido como uma espécie de depressão. Ponto para o Jabor. Se é verdade que a atual crise começou nos empréstimos imobiliários nos EUA, isso não deixa de ser só em parte. O imbróglio se espalhou generalizado nos balanços de bancos e atinge de forma estranha quase todos os mercados. Dólar e petróleo principalmente, só para ficar no arroz com feijão. No Brasil um mix de sentimentos confunde qualquer cenário. Nos EUA uma crise que não é nem deixa de ser. Na China e Índia, enfim, um mundaréu de gente comendo e ouvindo Tai-chi com batida eletrônica na onda do crescimento estúpido. Curiosos esses tempos. Curiosos.

Estamos num tempo outro onde os fluxos financeiros e econômicos regulares tomaram um novo rumo. Isso não chega a ser uma novidade, é capitalismo como sempre. Business as usual. Porém agora é uma pressão de inflação de preços porque as pessoas estão comendo. O governador de Mato-Grosso colocou, de novo, a selva na mira do agro.

Fico com a sensação que o gato subiu no telhado, e que o bode já pode estar entrando na sala. Melhor, na mesa daquele bar.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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