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Arquivo de maio, 2008

22/05/2008 - 15:15

Cluna Destak: Uma curiosa Inversão de papéis

Brasileiras e brasileiros do Brasil.

Vez por outra vou de Lula. Outras tantas sei lá se vou. Hoje fiquei no muro (pra variar…).

Trabalhar com dinheiro dá nessas coisas, você acaba conservador, numa espécie de precificação constante de valores presentes contra expectativas, muitas expectativas, futuras.

Acho que o Lula lá fez uma engenharia cabulosa para colocar no mesmo balaio FIESP e CUT, sem contar partidecos de maiores e menores filiações. O mecanismo da engenharia é simples, mas desconfio que possa fazer água em breve. Tudo por conta da palavra que não ouso falar. Só na boca do dragão.

Vejo o terminal Bloomberg na minha frente e ta lá estatelado na tela, feito cadáver: petróleo à US$ 129,02 o barril. Há um ano era US$ 71,53.

Evoé e cafunés.

Perfeito

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Original

Uma curiosa inversão de papéis.

O governo Lula tem sido palco de uma curiosa inversão de papéis na condução da política econômica. Dentro da peculiar colcha de retalhos que levou o PT ao poder muitos grupos antagônicos acabaram se acomodando dentro da explanada dos ministérios numa espécie de paz armada que, apesar dos pesares e aos trancos e barrancos lá vou eu, tem sido funcional nos últimos anos.

Não estou falando necessariamente do toma lá dá cá tão tradicional da política nacional. Não. Este jogo rasteiro, de caixa dois e verbas viciadas, é só parte do campeonato. Tem muito mais em jogo. No fundo existe uma disputa ideológica difusa que é administrada no fio da navalha, ou do bigode, pela extraordinária habilidade política do nosso presidente Luís.

Lula conseguiu acomodar tanta gente no poder não foi simplesmente dando dinheiro por carinho (o que, diga-se de passagem, não é só um expediente do PT. Vai ver lá as contas do Eduardo Jorge. Mas deixa estar… hoje isso não). A técnica é apurada e é difícil de ver e de entender. Eu acho que percebi só por cima, em relance, a artimanha. Lula não dá poder para as pessoas: ele coloca as pessoas no poder. Não é sutil a diferença, e ele não coloca em qualquer lugar não senhor. Ele coloca as pessoas em lugares que façam estas terem que ficar em disputa permanente uma com as outras. Para isso ele inverte papéis de tal sorte que o resultado médio é uma espécie de harmonia.

Fica evidente isso na condução da política econômica. Tradicionalmente o grupo desenvolvimentista, a favor de crescimento sobre a inflação (só para simplificar) ficava a cargo das políticas macroeconômicas. Já os liberais de direita (só para complicar) ficavam no comando das políticas microeconômicas. Agora não. Meireles, de “direita”, é quem manda no duro na política macroeconômica com a taxa selic numa mão e as expectativas na outra. Mantega, de “esquerda” (ah! pecado mortal! Marx revira-se) e sua turma ficaram com as políticas micro. Desoneram pontualmente setores e empresas para terem ao final algum efeito macro.

Lula sabe das coisas. Pessoa sabida. Se ele faz isso para se perpetuar no poder confesso que não sei. Desconfio que não. Mas esta “gestão” de egos e ideologias é uma arte de difícil conserto. Lula sabe que o poder emana do povo, e ele – Lula -, é o povo no poder. De lá ninguém o tira. Só que vez por outra o tecido da governabilidade treme. Os conflitos ficam aparentes. Um dia Lula pode falhar neste arranjo e Deus nos livre se ele errar a mão!

Fico curioso com a inflação nas camadas mais pobres. Isso afeta Lula de forma pessoal. O emociona. Espero que ele tenha a serenidade de conduzir as contradições deste país nas águas turbulentas da economia internacional, que mudam de vento constantemente. E que Meirelles e Mantega tenham juízo nessa hora.

André Perfeitú

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/05/2008 - 15:07

The Simpsons, ora pois….

Simpsons numa praia de Portugal.

Cultura Pop é isso aí.

Salve Homer!

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/05/2008 - 18:49

Coluna Destak – Jabor, Delfin e um bode

Jabor, Delfin e o Bode.

Não tem jeito. Vou confessar. Não me seguro. Eu leio Jabor. Pronto. Tá aí! Disse. Ufa! Que coisa essa de parte da intelectualidade paulista em demonizar o rapaz. E daí se ele é confuso, com lampejos direitosos, delírios de esquerda, sexualmente exagerado e católico atravancado? E daí? Ele diz muito mais para mim do que pessoas bem acabadas e tão coesas. Adoro a bagunça que ele faz. Até para, vez ou outra, xingar o ressentido rapaz, que até hoje ostenta a calça rasgada quando fugia da polícia no dia do golpe; ele nunca trocou de roupa.

Fico aflito também. Hoje vi sua quase alegria com a recessão mundial, seu gozo com o fim de uma felicidade medíocre movida a consumo banal. Ele quer a recessão, ele deseja o fim desta felicidade yuppie do mundo, de um pouco mais de poesia e menos pó. Enfim, fiquei preocupado, mas concordo. Esta felicidade made in china me enlouquece. O pior é imaginar que o Brasil segue na mesma trilha.

Mas ele insiste em ver algumas coisas do ângulo certo. E para isso coloco Delfin Netto na mesa do bar. Certa vez o professor disse coloquial: “Crescimento econômico é que nem estar apaixonado, ninguém sabe por que está, mas está.”. O que Delfin queria dizer, creio eu, é que crescimento econômico é um fenômeno tão complexo, envolvendo um sem número de variáveis que quando ocorre ninguém sabe ao certo porque ocorre. Apaixona-se, simples assim.

Da mesa do bar levanto um copo e digo categórico. O atual momento econômico pode ser definido como uma espécie de depressão. Ponto para o Jabor. Se é verdade que a atual crise começou nos empréstimos imobiliários nos EUA, isso não deixa de ser só em parte. O imbróglio se espalhou generalizado nos balanços de bancos e atinge de forma estranha quase todos os mercados. Dólar e petróleo principalmente, só para ficar no arroz com feijão. No Brasil um mix de sentimentos confunde qualquer cenário. Nos EUA uma crise que não é nem deixa de ser. Na China e Índia, enfim, um mundaréu de gente comendo e ouvindo Tai-chi com batida eletrônica na onda do crescimento estúpido. Curiosos esses tempos. Curiosos.

Estamos num tempo outro onde os fluxos financeiros e econômicos regulares tomaram um novo rumo. Isso não chega a ser uma novidade, é capitalismo como sempre. Business as usual. Porém agora é uma pressão de inflação de preços porque as pessoas estão comendo. O governador de Mato-Grosso colocou, de novo, a selva na mira do agro.

Fico com a sensação que o gato subiu no telhado, e que o bode já pode estar entrando na sala. Melhor, na mesa daquele bar.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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