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Arquivo de abril, 2008

24/04/2008 - 15:29

Coluna Jornal Destak – Consumir e gozar!

Consumir e gozar!

Nunca fui fã de colunismo social. Mal leio as páginas dedicadas ao Jet – set tupiniquim e suas extravagâncias pra lá de démodé. Confesso que passo o olho, vez aqui vez acolá, quando na estampa da coluna se apresenta alguma beldade. No mais a coluna social só é a segunda página do caderno de “cultura” dos jornalões Brasil a fora.

Semana passada foi exceção. Vou além: sensacional! Abro a Folha e vejo lá, na coluna da Mônica Bergamo, o título soberano: “Consumir e gozar! E não estocar.”. Ok, você venceu. Vou ler a coluna social.

Um grupo de socialites e empresárias se reuniram sob os luxuosos cuidados de Carin Mofarrej numa palestra regada à Chandon rosé, cumbuquinhas de bobó de vieira e copinhos com salmão e relish de beterraba e ovas, para discutirem com o “filósofo do luxo” Silvio Passarelli o ato de consumir luxo. Muito luxo. O nome da palestra? “O Seu Tempo é Seu Luxo”. Chiquê no úrtimo!

Silvio começa a palestra decretando a morte do maxismo e do materialismo histórico. Ele acredita que estas ideologias do passado faziam a gente se sentir culpada em consumir. Hoje não. O liberalismo liberou. Geral! Simples assim. Só que para consumir é preciso de tempo. Logo seu tempo é seu luxo, ora pois! “De nada adianta acumular os bens se não temos tempo para usufruí-los” pondera o professor do luxo. Ao fundo a socialite e filósofa Yara Baumgart gritava batendo palmas “É isso mesmo! É isso mesmo!”. O professor Passarelli anuncia às mulheres presentes: “Será a grande batalha do século 21: consumir e gozar, consumir e gozar! E não estocar.”.

Dá até dó de desmoralizar as distintas senhoras da gozada reunião. Soam patéticas e não cabe aqui desfilar minha ironia. A Mônica Bergamo já acabou com elas com uma elegância e fina ironia rara nos jornais hoje em dia. O mais engraçado é imaginar que muitas delas não entenderam a piada no dia seguinte.

Quero é ser deselegante neste resto da minha coluna (que a meu ver sempre foi de um tipo social). Este consumir e gozar em que estamos nos aprisionando são uma marca indelével do nosso tempo. Se antes nas cortes européias, no berço do chique e do luxo, o prazer era a regra de ouro entre excessos de bebida e rapé, o homem moderno se contrapõe ao delírio dos reis e rainhas. Só que nós, homens e mulheres modernos , enriquecemos até nossas necessidades estarem saciadas e agora nos vemos no dilema de possuir e não gozar, sob a culpa. Perigamos voltar à corte e repetir a festa alucinada dos palácios. Não é difícil imaginar isso na óbvia alusão do estilo neo-clássico daquela loja de luxo bem em frente à favela sem reboco. Mais claro impossível. Direto do país da metáfora pronta.

Talvez a história esteja, realmente, voltando para trás. Voltemos ao regime monárquico! O rei está morto. Vida longa ao rei!

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/04/2008 - 14:27

Se você não comprar a Rolling Stone deste mês….

…. eu mato esse cachorro.

Hahahahahaha

Genial esta capa da National Lampoon, uma revista humorística dos EUA bem do tipo Planeta Diário (pra quem se lembra). A capa é de 1973.

Está escrito:

“Se você não comprar essa revista, a gente vai matar esse cachorro”

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/04/2008 - 15:56

Rolling Stone – Sapos, trapaças e canos fumegantes

Entre sapos e orelhas decepadas o Brasil vai que vai. Um americano – filho de pai argentino em brasileira – fez um premiado documentário sobre o emaranhado entre corrupção e violência urbana numa trama surrealista e regada à MPB da melhor qualidade (Jorge Ben, Tim Maia na fase racional, Mutantes, Tom Zé…). Um filme forte, para muitos até apelativo. Eu vi e adorei.

Quis saber mais da história e fui atrás do jovem diretor de 29 anos. Afinal de contas estou eu cá também tentando finalizar o meu (que por sinal já virou novela, mas enfim… ainda acho quem financie o projeto) e tudo que envolve política me atrai, ainda mais se for com um foco não usual.

Entrevistei ele, Jason, e sugeri a pauta para a Rolling Stone que mais uma vez dá espaço para este maluco gastar papel. Tks Doktor Ricardo Cruz.

Está na edição desta semana. Vou publicar aqui parte do artigo, mês que vem coloco na íntegra.

O filme, e quer saber, está proibido no Brasil. Coisas de direitos de imagem que eu sei bem como é. Porém o Jason me mandou um DVD do filme, que pretendo exibir semana que vem na PUC, ou no auditório ou num bar mesmo. A sessão vai ser gratuita e sugiro, como não podia ser diferente, que assistam. É simplesmente um soco no estômago e no conformismo.

Aproveito para reiterar o projeto da MTV Pública, de hora em hora por volta do minuto 29 (liga a tv lá pelo minuto 27).

Quem não leu a coluna de hoje no jornal Destak é só ver um pouco mais abaixo. Sem jeito: jeitinho.

Até lá.

Mando notícias.

Beijos, abraços e cafunés.
André Perfeito

PS: Se bem que desconfio que logo mais alguém deve colocar o filme na internet…

Treiler de Manda Bala

Trecho

“Este filme não pode ser exibido no Brasil”, alerta de cara o letreiro na tela do cinema. Dito e feito: não há previsão de ser lançado por aqui o proibidão do cinema nacional! Neste documentário do cineasta estreante Jason Kohn, que trabalhou com o premiado documentarista Errol Morris, o Brasil é visto sob uma perspectiva aterrorizante. Estamos em plena guerra de classe onde 40.000 pessoas morrem por ano por conta de problemas ligados à má nutrição e violência, uma pessoa é seqüestrada por dia em São Paulo e a indústria da segurança fatura rios de dinheiro blindando carros e oferecendo cursos de direção defensiva para executivos com medo de ser a próxima vítima. Numa cidade que nem São Paulo, onde tudo é superlativo, a frota de helicópteros é gigantesca, o que confere ao nosso dia-dia um aspecto de ficção científica, com helipontos espalhados no topo de todos os modernos arranha céus da cidade.

Mais só mês que vem, ou nas bancas… A capa é a Fernanda Lima, Deusa…

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/04/2008 - 10:29

Coluna Destak – Sem jeito: jeitino

Se não tem jeito: jeitinho.

Cada país tem os patrimônios que merecem. Tem uns que fazem torres, outros
obelisco, tem até quem faça arco. A gente fez um Cristo. Mas tem outros
patrimônios que não são assim de se ver feito, ali posto em aço ou pedra.
Existe um tipo de patrimônio que só é sendo, que só existe no dia-a-dia
daquele povo. Os alemães são sisudos, os franceses “desinteressados”, os
americanos muito práticos. Nós de cá somos cordiais e temos no jeitinho
nosso traço mais charmoso.

Só que como nesse país a gente também costuma não cuidar do patrimônio,
sempre largado às moscas, fizemos isso também com nosso jeitinho. Calma,
explico.

Na década de 60/70 o Brasil crescia que era uma beleza. A sociedade estava
voltada para o trabalho e São Paulo era o epicentro deste mantra: “Vambora,
vambora! Tá na hora, vambora, vambora!”. Se um policial te parasse na rua
ele perguntava enfático: cadê a carteira de trabalho? Se você tinha bem, se
não tinha amém. O trabalho era um valor comum e universal e apontava para a
população nosso caminho. Ser torneiro mecânico era fazer parte de uma elite.
E como se chegava lá? Através do curso técnico-profissionalizante.

Só que, e sempre tem um só que, o Brasil abortou este projeto. Paramos de
crescer, e pior: agora queremos crescer sem carteira. Os milhares de
brasileiros que migraram para as grandes cidades do sudeste se viram no meio
do caminho, com saudades de casa e sem trabalho numa cidade que crescia
entre favelas e mucambos. E agora José? E agora Maria? E agora?

Se não tem jeito, vai jeitinho mesmo. Essa massa se jogou nas ruas como se
aquilo fosse delas (e não é?). Usam as calçadas como espaço para vender
algo, a esquina para pegar algo, e as vagas de estacionamentos como se
fossem delas. Multiplicaram-se aos milhares este tipo de ofício: ambulante,
flanelinha, bandido e o que mais você queira colocar aí. Deixamos eles na
rua, e eles viraram rua. Público e privado se confundem numa necessidade
cotidiana por sobrevivência de toda uma população. Se a carteira de trabalho
fosse de novo um valor “eles” estariam enquadrados, tendo um espaço enfim na
sociedade, nem que seja como trabalhador ? e há muito orgulho nisso!

Este é o sentido profundo do jeitinho: sobrevivência. Mas como disse
cuidamos mal do nosso patrimônio. Este modo de ser está sendo destruído por
uma elite política/econômica que vê no jeitinho e na confusão
público/privado o salvo conduto que precisam para fazer e acontecer.

É triste, muito triste, destruírem mais este patrimônio, fazendo deles algo
que nunca foi tão do nosso povo; marca clara da resistência, orgulho e
dignidade deste povo que canta e é feliz.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/04/2008 - 18:23

Anos incríveis

E não é que eu sou da geração P&B? Uma delícia a foto.

Eu, Lord e a senhora minha mãe (que por sinal era uma gata)

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/04/2008 - 12:24

O presidente Luis e o agregado

—————————————–
original

O Presidente Luis e o agregado.

Reza a lenda que quando Deus fez Adão e Eva ele pediu, além de “povoarem” o mundo o dia inteiro, que lês dessem nome às coisas. Era para ser um passa tempo entre uma povoada e outra, uma espécie de distração. Porém não é que os dois sem animaram com a brincadeira? Pois bem, até hoje andam povoando e dando nomes para tudo que vêem.

Mas tem vezes que as palavras não dão conta. Um bom exemplo disso é nosso atual momento econômico. Estamos numa posição muito especial nestes tempos de subprime, crise nos EUA e Corinthians no topo da tabela. Se de um lado a economia vai até que bem, com crescimento no consumo, na produção de maquinaria em alta e com gente comprando laptop com gravador de DVD em 12 prestações sem juros; por outro lado voltamos a nos deparar com o perigo da inflação.

Muitos economistas vão discordar de mim, mas no pouco espaço que tenho vou ser categórico: inflação é salário. A massa de rendimentos, mais o crédito disponível, criaram uma onda de consumo pra lá de gigantesca. Qualquer Real na mão do brasileiro vira, realmente, consumo. Não vou me alongar nisso. Meu ponto não é esse.

O que me atenta é o que se segue, melhor, o que vai seguir desse consumo tudo. O Lula através dos programas sociais (transferência de renda no melhor espírito Robin Wood) despertou um monstro que as elites sempre tiveram receio de animar. Ao contrário, as elites sempre souberam deste perigo e trataram de deixar bem preso o leviatã. Este monstro que me refiro são as classes populares. No governo de Lula elas “chegaram ao paraíso”.

Porém as palavras não dão conta. Este povo todo não é revolucionário nem nada neste sentido. Nem são massa. Eles são o agregado, este é o nome da fera. São uma enorme demanda agregada sequiosa de beber Coca Zero e celular com MP3. Este monstro de milhões de olhos e milhões de bocas não vai aceitar voltar para a caverna assim tão fácil. Imagina se aquela dona de casa lá da periferia não conseguir pagar a cozinha planejada lá no fim de 2008? Não vai ser fácil segurar. Na minha opinião nem se deve, porém os perigos da era Pós-Lula são cada vez mais radicais. Não dá para tapear o povo mais. Não achem que vai dar pra resolver nossos problemas via recessão, que nem sempre foi feito. Estamos fadados a crescer e crescer. O consumo do monstro da demanda agregada não vai parar.

Por sinal o presidente Lula, pai do agregado, acaba de se tornar o único governante do Brasil que foi credor do mundo ao invés de devedor. Acho que Lula não cabe mais. A partir de agora, para mim, será Presidente Luis.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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