iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
09/03/2008 - 18:56

Entre Fidel e os outros.

È difícil falar de Fidel sem cair no óbvio. Não discordo da maioria das análises e palavras de ordem: ditador, genocida, assassino, revolucionário, comandante, libertador e por aí vai ao gosto do freguês ou da freguesia. Seria besteira tentar enquadrar sua vida em uns tantos toques, mais os espaços entre as palavras, que esta coluna me reserva.

No dia da sua aposentadoria nem pensei direito. Tinha tanto na cabeça entre trabalho e monografia que passou desapercebido o fato relevante. Esse fim de semana ele voltou. E fumando um charuto dos bem fedidos.

Estava numa festa neste sábado, vendo e sendo visto, ao som bem dançante de uma banda estilo anos 70. Diversão garantida. Saí e fui pra casa entre risadas, bebidas e algumas lembranças. Deixei o carro do lado de uma igreja, o único lugar disponível nas ruas de São Paulo àquela hora da noite. Por sinal São Paulo já está em pleno nó no trânsito, só não ver quem não precisa. Pois bem, parei por lá. Fui abrir o carro e um mendigo, deitado a porta, me pede um trocado. Fiz que não com o corpo. E dizer não é fácil: basta desviar o olhar e estufar o peito.

Entrei e fui pensativo. Pensei naquele mendigo por lá, se ajeitando entre farrapos. Pensei na festa anos 70 e nas lindas moças e seus cabelos escovados em puro estilo flower power. Na banda. Na crise imobiliária nos EUA. Na festa de formatura. Em Deus. Em nada.

Esta hora mágica de madrugada, quando as neuroses se desarmam, é perigosa. Sem pensar muito me apareceu Fidel. Ele ligava de alguma forma tudo isso. Sua revolução em pleno caribe inspirou muita gente. Seu visual barbudo sem dúvida inspirou aqueles hippies lá dos 60 e 70. Sua luta era contra a pobreza e isso tinha valor ético. Como disse muito bem o Jabor dia desses: eram intelectuais com armas. Levaram as últimas conseqüências suas capacidades intelectuais: matando e morrendo.

Não quero defender o Fidel. Não quero! Mas não deixa de ser destruidor pensar que o mundo deixou de ser conseqüente, que estamos inebriados com uma liberdade conformista e que todo nosso esforço de entendimento não é nada mais que apenas mais uma opinião no grande mercado de opiniões. O que eles fizeram lá em Sirrea Maestra ecoou por sua força, vontade e sonho. Hoje temos apenas uma espécie de bom senso (essa é a grande herança que o Lula vai deixar, uma continuidade sensata) que nos impede de nos mover. Já nem nos movemos na nossa cidade, e vemos conformados a evolução caótica do trânsito paulistano, só para citar o óbvio.

Há quem chame esse bom senso de maturidade. Eu vejo a falta que Fidel vai fazer.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

2 comentários para “Entre Fidel e os outros.”

  1. CAntonio disse:

    É…, realmente Fidel fará muita falta. Os métodos pouco ortodoxos utilizados por ele em relação aos jornalistas, como você, acabaram.

    Raul, muito provavelmente passe a utilizar métodos mais eficientes e menos dolorosos para calar a imprensa; como aqui faz o maravilhoso governo Lulla: Publicidade governamental às pencas.

    É uma saída, talvez não tão charmosa e romantica; mas eficientissima.

    Fim do Paredón, a meta agora é acerto de contas “bancárias”.

  2. Maria Anna A.Castro disse:

    Fidel foi só um heroi romântico que a História permitiu>Anos 60, hippies,etc.E, como todos, deixou-se embriagar pelo podes. Aliás, como faz o nosso(seu) cínico presidente.Tomara que Cuba consiga se recuperar das sandices comunistas.

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo