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09/02/2008 - 18:18

O Brasil no Paralelo

Tem coisa que não tem preço. Outras não têm valor. Tem até o que não tem sentido. Este país tem de tudo, até essas que não são de nada e vão se avolumando nas esquinas dessas cidades meio sujas onde vivemos. Era pra ser assim afinal, penso cá. Tão pouco de pensado tem este Brasil que se vive de remendos aos cúmulos e acúmulos de pouca gente frente a massa esfomeada.

Fazer o que? É assim, não é minha querida dona de casa? No mais seria diferente do que é as coisas todas que fazemos? Coitado de nós, mas que chato é esse que fica aqui dizendo o que fazer ou não. Matem-no! Ele se acha mais especial que nós, mais perfeito, mais do que é tudo o que está sendo. Ele é vaidoso, metido a besta e cínico! Ele acha que a gente não sabe da fria que nos metemos. Que nossa alma gela se pararmos para pensar. Não preciso de você! A morte já me ensinou da brevidade de tudo, o resto é purpurina.

Tem razão. Tem valor. E tem sentido. Oh! povo deste Brasilzão-de-meu-Deus. Vocês têm tudo e eu tão pouco. Queria não ter mais para ter um pouco mais do que vocês têm. Essa confusão minha é pura vaidade. Que inútil é esse ofício de falar para as pessoas. Quem sou eu para achar que minhas idéias são assim tão relevantes, necessárias?

Só que sou. Não sou aquilo que não sou. Não sei porque teimo tanto em achar que eu e você somos iguais. Somos diferentes em tudo, quase. Será que quero ordenar o mundo a minha ordem? Que assim seria mais justo para mim este mundo que crio? Mas o mundo está criado, ora pois seu Zé Ninguém! Aceite: sussura o pragmático. E eu tão platônico, socrático fico com o copo de cicuta numa mão e a lata de cerveja na outra. E a cede não pára. Será que ela olhou para mim?

Mas não vou chatear mais você, querido leitor. Todo esse remendo de texto angustiado surgiu esses dias. Foi simples o estopim. Abri o jornal e fui à folha de economia. Passei os olhos e vi na sessão de cotações, um pouco abaixo da cotação do Boi Gordo em Araraquara: dólar paralelo R$ 2,13. Hein? O que? Dólar paralelo? Dólar Paralelo? Paralelo? Como assim dólar paralelo? Quer dizer que podemos abrir o jornal e ver a cotação de um produto que simplesmente é fora da lei? Tão ilegal quanto uma violência sexual? Como eles pegam esse valor no jornal? Um jornalista liga para algum doleiro conhecido na fronteira do Paraguai e pergunta quanto está o dólar que ele pegou de um traficante americano e vai repassar à um bicheiro carioca e que será usado na compra de cocaína de um italiano que vive em Copacabana e adora menininhas?

O Brasil não é real, nem ideal; é no paralelo mesmo. Sem espaço, avesso e direto. Solar! Enfim…

Andrew Willian Pewtree Perfect

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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