Não vá para São Luiz do Paraitinga.
E não é que fui? A propaganda era grande, amigos queridos iam, aquela loira ia, a viagem era perto e o preço em conta; enfim: fui. Fui como se já tivesse ido. Sabia as músicas, os blocos, as brincadeiras… São Luiz do Paraitinga é uma cidade charmosa, das bem antigas, incrustada no meio da serra entre Ubatuba e Taubaté. Foi faz tempo entreposto comercial dos mais ativos, e tem até hoje um belíssimo casario e um mercado municipal fantástico. Tudo isso no meio da serra do mar, em plena mata atlântica. Imaginei um Ouro Preto tropical, borboletas…
Fui pra lá para fugir do carnaval. Queria fugir daquele carnaval de cerveja, daquele clima de gente-bonita-em-clima-de-paquera, o que é apenas um eufemismo para xavecos brutos e meninas fingindo-que-não-querem. Acho isso chato, fazer o que? Tem gente que curte, respeito, mas ficar perdido numa floresta de epiléticos por mais de dois dias é de enlouquecer qualquer um. No final fica o óbvio: todo mundo enlouquecido.
Uma querida amiga psicóloga disse que o carnaval curou a histeria. Discordo. Acredito que este carnaval de cerveja colocou foi do avesso a histeria, mas curar que é bão duvideodó. Nessas horas é que existem os amigos. Hay que criar um clima sem perder a ternura jamais! Fomos felizes. Compramos pistola d´água, confete e serpentina, mini-chapéus, tinta para pintar o rosto, e – coroando tudo – eu de suspensório para dar uma de palhaço ou de Pierrô retrô; meio que menino entregador de jornal.
Juntamos o que tínhamos e brincamos na praça até se enrolar na serpentina. Sábado foi ótimo. Domingo maravilhoso. Só que tinha muita gente: a propaganda era grande… Muita gente. E cerveja, muita cerveja.
Aos poucos a cidade foi sendo invadida por um insuportável cheiro. Sabe aquele cheiro? Do ralo? Então. Todo lugar um cheiro batido. Era visível. No suor, nas roupas que apelam sem seduzir, nas cantadas que não encantam, nos olhares que não se cruzam, nos encontros que não se dão. Aquele insuportável cheiro de ralo.
A histeria volta avessa aí: num seduzir mecânico, sem sentido e – apesar de tanto beijo – sem prazer algum. Reprodução. Me senti numa fábrica de consumo de cerveja.
Só que os deuses do carnaval foram piedosos com este mortal. Achei a borboleta. Achei ela lá no meio da praça: antena vermelha na tiara prendendo o lindo cabelo liso comprido e preto, blusa azul apertada com um decote encantador, saia vermelha comprida, um sorriso largo e profundos olhos castanhos. Sem contar o lindo nariz. Nos olhamos. Ela sorriu para mim. Sorri de volta… E para mim isso bastou.
André Perfeito
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Zona do agrião
Pará pá pá pá pá pá pá……………
Moro em Taubaté…conheço bem o carnaval de São Luiz do Paraitinga. Descreveu mto bem. No final smp vale a pena!!