Coluna Destak – Sobre mácaras e sob serpentinas
Original
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Minha primeira coluna neste Destak foi sobre o carnaval. Disse lá atrás que o carnaval é um processo de enlouquecimento coletivo que aos poucos nos torna menos sensíveis com a rua, com o público e com o coletivo. Tudo isso porque para nós brasileiros o outro é um absurdo insondável. É tão sério e profundo este aspecto que só resolvemos o dilema em plena catarse festiva. Para nós o outro rouba, o outro pára em lugar proibido, o outro joga lixo no chão, o outro é corrupto, o outro é canalha, o outro não presta. E para nós – “pessoas de bem” – sobra algo entre ser um puro-otário, ou ser um outro-canalha; afinal todo mundo é, não são? E quando a gente é um outro agente não é o que é.
Pois bem: a catarse é assim. Já que não sou o que sou, mas apenas algo que é em função do outro que odeio, finjo que sou algo que não sou eu no carnaval: sou uma Colombina, um Arlequim, um Pierrô. Dessa forma nos sentimos únicos, e finalmente individualizados, neste país onde o que mais conta é o superficial. Neste processo fantasiamos muito, muito mesmo.
E não é que a escrava da senzala, disponível e disposta para as mais puras estripulias sexuais do senhor e dos seus filhos, fantasiou-se de mulata em pleno palco do Sargentelli? Justo aquela negra que foi ama-de-leite e mãe de tantos brasileiros brancos era também vista como sexo disponível para seus próprios filhos.
Todas as gerações de brasileiros sacaram nosso dilema. O nosso horror com o outro. Nosso dilema é de um sexo mal amado, senhorial e ressentido. De um sexo proibido. Transar com a escrava foi nosso primeiro Funk Proibidão! Ao som de atabaques e guisas. E tudo sob o olhar vigilante da igreja católica, que nos policiava e fez que fez para ficar bem escondido lá no fundo do inconsciente nacional esta confissão. Ponto para eles. Nossa perversão sempre foi tão grande que nunca teve controle. Era só dar um espaço que pulava feito onça contra o outro. Não à toa que tanto o Funk Carioca mais chulo até a marchinha de carnaval mais inocente, carrega indelével mente a marca do erotismo, da libertação sexual, da expiação da culpa desta perversão. Tentamos nos libertar em pura brincadeira, infantilmente.
Mas não há repressão que dê conta, isso destrói qualquer sujeito. Foi então que demos funcionalidade à nossa neurose. Deixe estar o ano todo com esse monstro enjaulado, mas no carnaval, ah! rapaz…, no carnaval vou que vou. De máscara e serpentina na mão vou beijar as mil Colombinas do salão.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
O Carnaval não é o que foi nos tempos de marchinha.
Ele gira uma economia relacionada ao turismo enorme.
Apesar de não ter encontrado os dados em nenhuma página do governo só a lotação dos hotéis nos dá uma boa indicação de quanto a economia gira.
O povo não precisa de catarse, talvez a elite, mas os imperadores romanos sabiam que ” pão e circo” mantém a maquina bem lubrificada.
Claro que não evita se uma peça estiver quebrada.
A liberdade sexual vem de uma outra questão. Vem de um profundo sentimento de curto prazo, de descartável.
Nossa sociedade nos leva para o curto prazo, o lucro e o país nos levam para o curto prazo.
Que há uma relação há entre as letras e os movimentos econômicos é certeza. Só não dá pra confundir causa e efeito.
Reitero que acho o carnaval uma babaquice. Mas o artigo ficou phoda!!! Abs
E como foi seu carnaval??