Coluna Destak – Indigesto…

—————————-
Original
Indigesto
Alfredo é um homem honesto, contador há 30 anos numa firma de parafusos na Mooca. Taís uma mulher idônea e, como se diz por aí, “do lar”. Bem, há pelo menos desde que se mudou com Alfredo para Lapa num sobrado avarandado. Fizeram trinta anos de casados ontem e, do jeito que podiam, juntaram algum dinheiro para jantar num restaurante caro chamado Velhicarius, lá pelas bandas metida a besta dos Jardins. Tudo muito novo para o casal aquele luxo todo. Vestiram o que tinham de melhor, e o que não tinha Taís pegou emprestado da Tia Jura, uma parenta que já foi remediada, viúva de um general de alto coturno do período militar. Ela não cansa de lembrar isso à todo mundo. Ah! Tia Jura…
Chegam ao tal restaurante e são recepcionados por um meitre de bigodinho. Riram discretamente da cara de bobo do baixinho. Um risinho cúmplice, estavam felizes, Taís agarrava o braço do marido orgulhosa. Foram escoltados até a reserva. O meitre pegou o paletó de Alfredo enquanto outro garçom puxava a cadeira para Taís sentar. Já na mesa Alfredo olha o cardápio.
Eis que…
- Não acredito!, exclama Alfredo. – O que foi?, indaga Taís já constrangida com os gestos simplórios do marido. – Está muito caro?, pergunta a insegura Taís que a essa altura já não achou uma boa idéia ter vindo ao restaurante. – Aquele não é o filho daquele político?, Alfredo olha para uma mesa no canto. Taís olha de canto e reconhece o tal do filho. Era ele mesmo. – Alfredo, hoje não! É para a gente comemorar. – Mas que cara de pau! Comendo ali tranqüilo, como se fosse normal. Ninguém vai fazer nada?, exalta-se Alfredo. – Pára já com isso, grita baixinho Taís. – Parar como mulher? Esse desgraçado roubou junto com o pai mas de cem milhões. Ele está jantando com o meu dinheiro!, Alfredo aperta o olhar e tenta reconhecer mais alguém. Taís está nervosa. Sabe que o marido não vai desistir. Ele fala desse caso há mais de mês e ninguém em casa agüenta mais ouvir aquilo. Muda de tática. – Alfredo, diz com uma voz calma e dissimulada, hoje não amor, hoje a gente faz trinta anos de casados e vamos fazer horrores lá em casa; relaxa Tigrão. Vamos comemorar. Taís roça a ponta do nariz no ouvido do marido. – Mas é um absurdo!, se afasta Alfredo rapidamente, Como a gente pode ficar aqui como se nada estivesse acontecendo? E o resto do restaurante? Não tem um cristão aqui para expulsar este canalha? Esses corruptos jantam em restaurantes chiques e todo mundo sabe. Ninguém nem reclama. E olha lá, aquele não aquele vinho que saiu na revista? – Que vergonha Alfredo, tem gente olhando pra gente. Vão achar que a gente é pobre., desespera-se Taís – Quer saber? Vamos! Perdi a fome, a paciência e não quero perder mais dinheiro.
————————————-
PS: O espaço no Jornal Destak. Agora ao invés de 1000 toques tenho 2400 desses. Gostei da mudança.
Já disse, mas repito. É pra mandar sugestão de pauta/subject/tema. Sinta-se em casa.
Até e axé!
André Perfeito
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Um amigo me respondeu o seguinte sobre o artigo. Acho que pode interessar…
Abs
André
—————————-
Perfeito! Lembrando que o direito de petição (obtenção de informações relativas a processos que interessem o cidadão + representação contra atos de autoridades) pode ser exercido no MP, Federal e Estadual, no TCU, TCE, TCM (demonstração de contratos de licitação e destinação dos recursos públicos), em qualquer órgão administrativo – a depender do funcionário público em questão, se comissionado ou concursado, e se mandatário, no Órgão Legislativo (Comissões de Ética e Ombsduman), e no próprio Executivo (Controladoria e Procuradoria). Há também a possibilidade de instauração de ação popular nos casos de ofensa à moralidade administrativa, qualquer cidadão político, com título de eleitor válido, junto ao judiciário, de preferência em associação de cidadãos indignados, de preferência com representação de um advogado. Ongs e imprensa podem colaborar com a difusão do que se nomina “direito à informação”. Lembrando também que o campo da responsabilidade é interessante, pois poderíamos decompô-la, em responsabilidade (i) civil; (ii) penal; (iii) política; (iv) popular; (v) ambiental; e (vi) social, considerando-se o dever de solidariedade. A indignação moral pode ser revertida em ação política, mas aí tem que ler o Horkheimer da Escola de Frankfurt, para se valer dos instrumentos jurídicos. A vinculação com respeito dos direitos fundamentais dos cidadãos (art. 5º da CF) não vale só para o poder público, mas também para os particulares, pois, quando do jantar de seu conto, houve ofensa à sua honra (art. 5º, inc. X, CF) e dignidade (art.1º e fundamento da República, CF). Abraços, Kons.
Cade a BrT-Telemar ???
Eu quero velocità !!!!
O tal político no restaurante, chamado de corrupto, mas sem nada transitado em julgado na justiça, não era o José Dirceu ?