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Arquivo de janeiro, 2008

30/01/2008 - 07:06

Coluna Destak – Sobre mácaras e sob serpentinas

Original

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Minha primeira coluna neste Destak foi sobre o carnaval. Disse lá atrás que o carnaval é um processo de enlouquecimento coletivo que aos poucos nos torna menos sensíveis com a rua, com o público e com o coletivo. Tudo isso porque para nós brasileiros o outro é um absurdo insondável. É tão sério e profundo este aspecto que só resolvemos o dilema em plena catarse festiva. Para nós o outro rouba, o outro pára em lugar proibido, o outro joga lixo no chão, o outro é corrupto, o outro é canalha, o outro não presta. E para nós – “pessoas de bem” – sobra algo entre ser um puro-otário, ou ser um outro-canalha; afinal todo mundo é, não são? E quando a gente é um outro agente não é o que é.

Pois bem: a catarse é assim. Já que não sou o que sou, mas apenas algo que é em função do outro que odeio, finjo que sou algo que não sou eu no carnaval: sou uma Colombina, um Arlequim, um Pierrô. Dessa forma nos sentimos únicos, e finalmente individualizados, neste país onde o que mais conta é o superficial. Neste processo fantasiamos muito, muito mesmo.

E não é que a escrava da senzala, disponível e disposta para as mais puras estripulias sexuais do senhor e dos seus filhos, fantasiou-se de mulata em pleno palco do Sargentelli? Justo aquela negra que foi ama-de-leite e mãe de tantos brasileiros brancos era também vista como sexo disponível para seus próprios filhos.

Todas as gerações de brasileiros sacaram nosso dilema. O nosso horror com o outro. Nosso dilema é de um sexo mal amado, senhorial e ressentido. De um sexo proibido. Transar com a escrava foi nosso primeiro Funk Proibidão! Ao som de atabaques e guisas. E tudo sob o olhar vigilante da igreja católica, que nos policiava e fez que fez para ficar bem escondido lá no fundo do inconsciente nacional esta confissão. Ponto para eles. Nossa perversão sempre foi tão grande que nunca teve controle. Era só dar um espaço que pulava feito onça contra o outro. Não à toa que tanto o Funk Carioca mais chulo até a marchinha de carnaval mais inocente, carrega indelével mente a marca do erotismo, da libertação sexual, da expiação da culpa desta perversão. Tentamos nos libertar em pura brincadeira, infantilmente.

Mas não há repressão que dê conta, isso destrói qualquer sujeito. Foi então que demos funcionalidade à nossa neurose. Deixe estar o ano todo com esse monstro enjaulado, mas no carnaval, ah! rapaz…, no carnaval vou que vou. De máscara e serpentina na mão vou beijar as mil Colombinas do salão.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2008 - 07:52

Zeitgeist

Zeitgeist

Um amigo meu me liga: André! Você tem que ver isso!

Na hora achei que era uma empolgação sem sentido, mas ele insistiu. Me mandou os links deste documentário e assisti.

Realmente tinha que ver. Não tem nada que eu já não soubesse, mas é o melhor apanhado de elementos absolutamente necessários para entender um pouco este mundinho dos humanos e seus delírios fundamentais.

A história do Banco Central Americano é muito boa, não sei se é verdade. Mas o que se refere a moeda e suas funções é absolutamente verdade.

Assistam, tenho certeza que vão gostar.

Abraços carinhosos
André Perfeito

Introdução

The Greatest Story Ever Told

The Greatest Story Ever Told

The Greatest Story Ever Told

All the World´s a Stage

All the World´s a Stage

All the World´s a Stage

Don´t Mind the Men behind the courtain

Don´t Mind the Men behind the courtain

Don´t Mind the Men behind the courtain

Don´t Mind the Men behind the courtain

Don´t Mind the Men behind the courtain

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/01/2008 - 17:41

Coluna Destak – Ah Lula… Sei lá! Mil coisas…

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Texto original

Ah, Lula… Sei lá! Mil coisas…

Um amigo meu estava na USP quando o Sarney chegou lá no Planalto. Apesar de não ir muito com o bigode do presidente partiram em caravana para Brasília, este meu amigo e mais alguns amigos dele, para saudar a re-democratização em pleno planalto central. Tinha tanta coisa acontecendo naquele momento no país e no mundo que a trupe resolveu sintetizar todo aquele imbróglio numa faixa: Ah, Sarney… Sei lá! Mil coisas…

Peguei emprestado o bordão. Queria falar algumas coisas para o Lula e veio muito mais que podia escrever. Tem tanta coisa, não é? Por onde poderia começar? E pior: onde colocaria um ponto final? Cartas sentimentais são assim mesmo. Se não põe fim não tem.

Bateu essa vontade danada de falar algumas coisas para o presidente Luiz Inácio quando voltei do trabalho dia desses. Estava de ônibus descendo a Faria Lima embaixo de uma chuva daquelas. Eu estava meio melancólico e muito cansado. Olhei para o lado e vi na cara de todos um cansaço semelhante; algo como resignação. Pouco brilho.

Pensei: que diacho! A vida é isso? Estar vivo é isso? Era para ser assim? Ruas esburacadas, salário pouco, violência demais, criança na rua e idosos também? Pouco afeto? Me solidarizo com você leitor. Nossa cidade é brutal demais, destroça e quebra qualquer sonho entre dois semáforos quaisquer. Tem pouca beleza. Conseguimos até a blasfêmia de deixar vertical o horizonte. O sol escapa entre os prédios em intervalos curtos que nem aquecem direito o rosto. O tempo entre o vermelho e o verde demora demais por aqui. Mas que diacho!

Parei e pensei de novo: mas que diacho, para isso que deus inventou a política. É através da política que podemos mudar a cidade, o país, o mundo; e, principalmente, nós mesmos. Ninguém muda sozinho, isso é uma mentira. O individualismo atual só faz crer num absurdo. Só se muda no mundo, e o espaço vazio é uma ilusão. Pois bem, me animei!, então vamos à política!

Foi aí que veio o Lula na cabeça. Tinha tanto sonho nele, tanta esperança de um país melhor. Pensei em fazer a revolução naquele momento, largar tudo e começar a gritar no ônibus palavras de ordem. Só que veio um solavanco, algum buraco. Caí na real. Olhei para o lado e pensei: esse gordinho de bigode, camisa aberta até o penúltimo botão, faria a revolução? Pensei que não.

Tem certos dias em que penso em minha gente, e confesso: não sei mais o que pensar. Parei e pensei em mim. Pensei no que tenho e no que sou. Sorri de lado. Ainda cansado. Sei que é pouco, talvez você nem perceba, mas poder escrever e publicar é um privilégio sem tamanho. Dialogo com você; imaginário. Me sinto menos só, e sozinho – como disse – não se muda nada.

Pensei em dizer algo para o Lula, mas voltou algo solto no ar. Ah, Lula… Sei lá! Mil coisas…

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2008 - 14:04

Tucanos em polvorosa…

Você já ouviu um tucano piar? È um piado estranho, meio grunhido. Enfim, não tem nada a ver isso com que quero dizer. Disse isso porque vi um tucano no sítio que fui esse fim de semana. Fiquei vendo lá o bichinho de dentro da piscina.

Abri a Internet hoje e fiquei vendo os tucanos também. Cada barulho…

O Arthur Virgílio, aquele senador do Amazonas que disse iria as vias de fato com o Lula, agora quer ser candidato pelo PSDB ao Palácio do Planalto em 2010. Puro factóide político. Mas infelizmente o PSDB está se especializando em factóides. Como o partido não tem base, porque quer ser de elite, fica inventando este tipo de besteira para ter espaço na mídia. O próprio Vergílio, capitão do time anti-CPMF, é o exemplo disso. Cortou a CPMF só de birra (porque não é possível que ele acreditasse que daria para equilibrar as contas públicas no curto-prazo sem CPMF) e agora ameaça processar o governo por governar… Sem contar que agora nosso Investment Grade vai demorar pra sair, haja vista as incertezas ficais geradas pela birra tucana com um governo que meno-male vai andando. Vai entender esse Artur…

Não bastasse isso Aécio declarou apoio à Alkimin na candidatura à prefeitura de São Paulo. Não sei se os dois são amigos, sei que o nome deles começa com A, mas que isso serve para irritar e fragilizar o Serra, ah!, isso serve.

Tucano quando bate boca voa pena.

Enfim…

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/01/2008 - 02:45

Coluna Destak – Indigesto…

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Original

Indigesto

Alfredo é um homem honesto, contador há 30 anos numa firma de parafusos na Mooca. Taís uma mulher idônea e, como se diz por aí, “do lar”. Bem, há pelo menos desde que se mudou com Alfredo para Lapa num sobrado avarandado. Fizeram trinta anos de casados ontem e, do jeito que podiam, juntaram algum dinheiro para jantar num restaurante caro chamado Velhicarius, lá pelas bandas metida a besta dos Jardins. Tudo muito novo para o casal aquele luxo todo. Vestiram o que tinham de melhor, e o que não tinha Taís pegou emprestado da Tia Jura, uma parenta que já foi remediada, viúva de um general de alto coturno do período militar. Ela não cansa de lembrar isso à todo mundo. Ah! Tia Jura…

Chegam ao tal restaurante e são recepcionados por um meitre de bigodinho. Riram discretamente da cara de bobo do baixinho. Um risinho cúmplice, estavam felizes, Taís agarrava o braço do marido orgulhosa. Foram escoltados até a reserva. O meitre pegou o paletó de Alfredo enquanto outro garçom puxava a cadeira para Taís sentar. Já na mesa Alfredo olha o cardápio.

Eis que…

- Não acredito!, exclama Alfredo. – O que foi?, indaga Taís já constrangida com os gestos simplórios do marido. – Está muito caro?, pergunta a insegura Taís que a essa altura já não achou uma boa idéia ter vindo ao restaurante. – Aquele não é o filho daquele político?, Alfredo olha para uma mesa no canto. Taís olha de canto e reconhece o tal do filho. Era ele mesmo. – Alfredo, hoje não! É para a gente comemorar. – Mas que cara de pau! Comendo ali tranqüilo, como se fosse normal. Ninguém vai fazer nada?, exalta-se Alfredo. – Pára já com isso, grita baixinho Taís. – Parar como mulher? Esse desgraçado roubou junto com o pai mas de cem milhões. Ele está jantando com o meu dinheiro!, Alfredo aperta o olhar e tenta reconhecer mais alguém. Taís está nervosa. Sabe que o marido não vai desistir. Ele fala desse caso há mais de mês e ninguém em casa agüenta mais ouvir aquilo. Muda de tática. – Alfredo, diz com uma voz calma e dissimulada, hoje não amor, hoje a gente faz trinta anos de casados e vamos fazer horrores lá em casa; relaxa Tigrão. Vamos comemorar. Taís roça a ponta do nariz no ouvido do marido. – Mas é um absurdo!, se afasta Alfredo rapidamente, Como a gente pode ficar aqui como se nada estivesse acontecendo? E o resto do restaurante? Não tem um cristão aqui para expulsar este canalha? Esses corruptos jantam em restaurantes chiques e todo mundo sabe. Ninguém nem reclama. E olha lá, aquele não aquele vinho que saiu na revista? – Que vergonha Alfredo, tem gente olhando pra gente. Vão achar que a gente é pobre., desespera-se Taís – Quer saber? Vamos! Perdi a fome, a paciência e não quero perder mais dinheiro.

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PS: O espaço no Jornal Destak. Agora ao invés de 1000 toques tenho 2400 desses. Gostei da mudança.

Já disse, mas repito. É pra mandar sugestão de pauta/subject/tema. Sinta-se em casa.

Até e axé!

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/01/2008 - 13:55

Indigesto

Alfredo é um homem honesto. Taís uma mulher idônea. Fizeram trinta anos de casados ontem e, do jeito que podiam, juntaram algum dinheiro para jantar num restaurante caro chamado Velhicarius. Tudo muito novo para o casal aquele luxo todo. Já na mesa Alfredo olha o cardápio.

- Não acredito!, exclama Alfredo. – O que foi?, indaga Taís já constrangida com os gestos simplórios do marido. – Está muito caro? – Aquele não é o filho daquele político?, Alfredo olha para uma mesa no canto. Taís olha de canto e reconhece o tal do filho. Era ele mesmo. – Alfredo, hoje não! É para a gente comemorar. – Mas que cara de pau! Comendo ali tranqüilo, como se fosse normal. Ninguém vai fazer nada?, se exalta Alfredo. – Pára já com isso, grita baixinho Taís. – Parar como mulher? Esse desgraçado roubou junto com o pai mas de cem milhões. Ele está jantando com o meu dinheiro!, Alfredo aperta o olhar e tenta reconhecer mais alguém. Taís está nervosa. Sabe que o marido não vai desistir. Ele fala desse caso há mais de mês e ninguém em casa agüenta mais ouvir aquilo. Muda de tática. – Alfredo, diz com uma voz calma e dissimulada, hoje não amor, hoje a gente faz trinta anos de casados. Vamos comemorar. – Mas é um absurdo! Como a gente pode ficar aqui como se nada estivesse acontecendo? E o resto do restaurante? Não tem um cristão aqui para expulsar este canalha? Esses corruptos jantam em restaurantes chiques e todo mundo sabe. Ninguém nem reclama. – Que vergonha Alfredo, tem gente olhando pra gente. Vão achar que a gente é pobre. – Quer saber? Vamos! Perdi a fome, a paciência e não quero perder mais dinheiro.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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