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Arquivo de setembro, 2007

30/09/2007 - 16:28

Carta de desfiliação da Soninha

Esta carta circulou entre petistas no fim desta semana. É a carta de desfiliação da vereadora Soninha Francine. A carta é datada do dia 27 último.

Eis a íntegra.

André Perfeito

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São Paulo, 27 de setembro de 2007.

Mensagem ao Partido

O título me ocorreu espontaneamente; não resisti à tentação de usá-lo… (É o nome da tese que assinei, ou seja, que eu apoiei no Congresso do PT).

Pensei em escrever apenas “venho por meio desta solicitar minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores”. Mas seria formal demais, frio demais para uma relação de 26 anos.

Não, eu não tenho a pretensão de me gabar de ter sido uma das fundadoras do PT (eu tinha 14 anos!). Apenas me identifiquei com o partido desde que ele foi fundado, e sempre me considerei petista e militante. Sem aquela participação “orgânica” que para muitos é a única que vale, mas indo muito além do mero voto na eleição. Pegava material para distribuir, participava das campanhas, entrava em discussões e debates, públicos ou familiares. Essa militância não-orgânica que, acredito, ajudou o partido a crescer em reconhecimento e prestígio na sociedade.

Mas agora estou saindo, e se não quero fazer nada muito frio, também não acho que deva ser “quente”, cheio de carga emocional, ódio e ressentimento.

Nos últimos meses foi assim: alguns me aconselhavam, exortavam, imploravam para que saísse do PT, cheios de fúria – uma parte deles dizendo “eu também era petista, e o partido me traiu”; outra parte, “sempre odiei esse partido”. Havia também os que suplicavam para que eu não saísse: “não acredite no que dizem da gente, é tudo mentira!” — ou, coincidindo com que eu decidi fazer, “fica, vamos brigar aqui dentro”.

Que nenhum outro partido desperte tantas emoções pró e contra é um fenômeno que não vale a pena discutir agora.

Pois bem: sem drama, sem ódio, resolvi sair do PT. Já andava desanimada demais, sem disposição para continuar brigando dentro dele, por ele.

Em qualquer relacionamento temos problemas, crises, conflitos, divergências. Eles não precisam determinar a separação. Mas, se ao fim de algum tempo, houver mais divergências que afinidades, mais distância que proximidade, chega-se a um ponto em que não faz sentido “segurar” a relação.

Não saio do PT por causa dos erros graves cometidos por integrantes do partido; o desafio de toda instituição é identificar, punir e criar mecanismos para evitar desvios, deturpações, ilicitudes. Nenhuma está imune a isso. Saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes. Onde o partido já foi até intransigente, ficou muito concessivo. Onde eu acho que é o caso de negociar, o PT se recusa. Quem conviveu comigo nesse tempo de mandato sabe das nossas divergências — naturais, inevitáveis, mas talvez predominantes hoje em dia.

Não vou, de um dia para o outro, renegar o que defendi, só porque saí do partido – se eu nunca deixei de criticá-lo quando estava dentro… Não era defensora fanática, não serei detratora do mesmo tipo. Não sou fanática!

Era muito provável que eu saísse do PT para não entrar em partido nenhum. Já tinha decidido que não seria candidata a um novo mandato na Câmara Municipal. Por desistir da política? Não, para me dedicar ao serviço público em outro lugar, sem planos de disputar novo mandato eletivo e sem procurar outra legenda. Sempre disse que partido perfeito não existe; seria bobagem deixar o PT com a esperança de encontrar um lugar sem problemas, desconfortos, atritos.

O PPS mostrou interesse em ter em seus quadros alguém “independente” – o tipo de “problema” que eles querem ter, pelo que entendi. Não se apresentou como o céu, o olimpo, a terra pura, mas uma instituição que quer se qualificar, aperfeiçoar, se tornar sempre mais consistente. E que ofereceu a oportunidade empolgante de disputar no ano que vem a prefeitura de São Paulo; a chance de entabular um debate rico, baseado em visões da cidade, diretrizes, propostas, reconhecendo honestamente boas experiências aqui ou em outros lugares do Brasil e do mundo, estabelecendo um compromisso com algumas metas e não promessas fabulosas.

Continuarei com respeito, admiração e afinidades com muitos petistas… Não torço para que o PT “se dê mal”; enquanto a democracia se basear nesse modelo com partidos (pressinto que em algumas décadas teremos outros modos de organização, mas isso é lucubração para outra hora), ela continuará precisando de bons partidos, para que tenhamos o debate, façamos o bom combate. Espero, agora, que se cumpra a profecia de um colega (do PC do B!): “Vai ser bom pra cidade”.

Atenciosamente,

Soninha Francine

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2007 - 14:47

Soninha no PPS?

Segundo fonte na Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Soninha desvinculou-se do PT e acaba de filiar-se ao PPS de olho na eleição municipal de 2008. Ela quer ser candidata a prefeita.

Não foi possível entrar em contato com o gabinete da vereadora nesse sábado. Vou tentar mais vezes ao longo do dia para confirmar a informação.

Acho ótimo se confirmar essa notícia. Ela pode ser uma espécie de opção se os principais candidatos – Marta, Alkmim ou Kassab – ficarem com aquele papo pra boi dormir para tentar arrebanhar o eleitor mediano.

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2007 - 14:45

Weberson Santiago ponto com

O cartunista Weberson Santiago – que ilustrou meu artigo na Rolling Stone – lançou site próprio com seu trabalho. Vale muito acessar.

Good luck man!

André Perfeito

Para o site do rapaz clique aqui
http://www.webersonsantiago.blogspot.com/

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/09/2007 - 14:39

Eu sei, mas não devia

Uma grande amiga mando esse texto. A Autora se chama Marina Colasanti. Lindo demais! Essa morte aos poucos é que mata sempre.

André Perfeito

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Eu sei que a gente se acostuma.

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

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Para mais da autora acesse
http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/09/2007 - 08:29

Coluna Jornal Destak – Ecologia uma ova!

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2007 - 20:20

teste


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Autor: André Perfeito - Categoria(s): Intervenção Urbana Tags:
24/09/2007 - 15:40

Não aguentei…

Gostei da iniciativa do Kassab de tirar os outdoors da cidade. Realmente era a casa da mãe joana as vias da cidade. Mas recebi esta foto e não resisti de publicar no blog. Fato que o Kassab está fazendo política eleitoreira (populismo para a classe-média, em outras palavras). Prefiro o Bolsa-Família para os pobres deste país.

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2007 - 13:57

8 1/2 – Fellini

Genial abertura de 8 1/2 de Fellini. Vi esses dias o filme (na verdade acho que revi, minha memória é meio de esquecer).

Mestre absoluto Fellini, roteiro e edição primorosa.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2007 - 11:24

Livro reúne balanço de bens de políticos

Do site Folha online

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Em 2002, quando o PT elegeu a maior bancada na Câmara, os reeleitos pela sigla registraram uma evolução patrimonial média de 83,7% na comparação com 1998, a maior entre os reeleitos pelos principais partidos no mesmo período.

Essa é uma das principais informações do livro “Políticos do Brasil”, da Publifolha, resultado de pesquisa feita durante cinco anos pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha. No mesmo período, segundo dados da Justiça Eleitoral, o ganho patrimonial médio dos reeleitos foi de 41,8% –acima da inflação de 27,2%.

O patrimônio médio dos petistas reeleitos, de R$ 188 mil, é o menor, porém, entre os principais partidos em 2002. O maior valor médio foi declarado pelo PFL, com R$ 3,196 milhões, seguido do PTB, com R$ 2,152 milhões. PSDB, com valor médio de R$ 1,463 milhão, e PMDB, com R$ 1,415 milhão, vêm em seguida.

Rodrigues obteve informações sobre o patrimônio de 3.570 políticos vencedores nas eleições de 1998 e 2002, segundo declarações entregues pelos próprios à Justiça Eleitoral. O conjunto de dados sobre o patrimônio dos políticos eleitos nesse período é inédito –apesar de alguns dados já terem sido divulgados separadamente.

O PSDB tem o eleito em 2002 com o maior patrimônio: o deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, que declarou bens no valor de R$ 297 milhões. O segundo lugar ficou com o senador Paulo Octávio (PFL-DF), com R$ 216 milhões. Na lista dos declaradamente mais ricos, não há o nome de políticos tradicionalmente mais conhecidos. Rodrigues diz que uma hipótese para explicar isso é “a pulverização do patrimônio entre os diversos integrantes de uma mesma família com vários eleitos”. Além disso, há um problema comum a políticos: muitos não atribuíram valores aos bens.

É o caso do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Dono de ações de várias empresas, ele lista esses bens, mas não informa seus valores. Não há irregularidade nesse procedimento. A legislação exige dos candidatos informação sobre os seus bens, mas não seu valor.

Em 2002, 18 eleitos (1% do total) tinham juntos R$ 1,131 bilhão, o que representava 50% do patrimônio dos 1.790 eleitos. Outros 281 informaram bens superiores a R$ 1 milhão.

O livro também traz uma lista com o CPF dos 3.570 políticos que tiveram os dados analisados. De posse desse número, qualquer pessoa poderá verificar se o titular tem pendências com a Receita Federal.

Um capítulo do livro apresenta um perfil dos políticos brasileiros. O autor mostra que, em 2002, 70,94% das 144 mulheres eleitas tinham nível superior completo contra 67% dos 1.069 homens eleitos.

“Políticos do Brasil”
Autor: Fernando Rodrigues
Editora: Publifolha
Páginas: 424
Quanto: R$39,90
Onde comprar: Nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/09/2007 - 15:35

Um ano esta noite.

Faz exatamente um ano que comecei a blogar. Antes tinha criado uma página no blogspot, meio sem querer, meio de lado. A brincadeira cresceu e com o apoio do iG (agradeço ao Fred e da Mariana apoiarem essa maluquice) o negócio cresceu. Desde então escrevi na Carta Capital, Rolling Stone, fui correspondente do iG na Flip e atualmente escrevo no Jornal Destak.

Para comemorar a data faço uma homenagem e um convite.

A homenagem é ao Chico, o tal do Buarque, que me deu a maçã e me expulsou de vez de um paraíso burguês que seja. A gota d´água foi sem dúvida essa música: Tanto Mar. Essa música fazia parte de uma peça de teatro que fiz na época de colégio. O nome da peça? A Biópsia de Zé Catumba Vira Mundo, onde um vampiro – interpretado por este que vos fala – procurava uma espécie de sentido para sua eternidade e no final sucumbe à Eros, num ritual de carne e sexo. Mudou minha vida de vez esse caso. Lembro aqui meus queridos e queridas de tablado: Carol, Danile, Carol, Bruno, Rato, Queiroz, Bozo, Gabriel, Gladstone, Pubério (será que lembrei de todos? Se não desculpe…)

A música é uma homenagem à Revolução dos Cravos, em Portugal. Belíssima, misteriosa…

O convite é esse: sábado terá na Tom Maior a eliminatória do samba-enredo da escola para o carnaval de 2008. Sejam bem vindos. A Tom fica atrás do motel Astúrias, na Marginal Pinheiros. Passem lá e beberemos umas e falaremos muito mais.

Beijos, abraços
André Perfeito

Para ouvir Tanto Mar é só acessar o link a baixo

http://ohomemvertical.blig.ig.com.br/imagens/tanto_mar.mp3

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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