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30/07/2007 - 10:46

O que resta do PAN

Fim de festa, apagam as luzes. Os últimos dias deram o que pensar. Fora PAN, tivemos o acidente da TAM e o falecimento do coronel ACM. Não, eu não gosto do ACM, mas não faço coro num ódio idiota que credita ao falecido a causa eficiente da miséria brasileira. É um fenômeno intricado do tipo ovo e galinha.

Mas essa semana foi assim mesmo: intrincada. O acidente da TAM não é da TAM (se bem que me parece que foi ela a responsável primeira, ou por falha mecânica ou humana), antes de tudo é o ápice de uma tragédia de coisas e pessoas que culminou nesta tragédia paulistana. Basta dizer basta? Me emocionei de verdade quando vi a manifestação de parentes e amigos neste domingo. Que merda de país, pensei. Mais 200 almas para o hall das mortes estúpidas do país.

E as vaias ao Lula? Dizem alguns que foi armada pelo Cezar Maia. Mas mesmo que fosse, faria diferença? O claro é a insatisfação da classe-média com o executivo nacional, de Brasília em particular. Mas o povo carioca e brasileiro mostrou que sabe é vaiar, mesmo quando não tem que vaiar. Que vergonha que senti nas provas de atletismo da torcida. Dizem que quem organizou foi o Cezar Maia… Vida de gado é isso aí.

A morte de ACM passou batida. Pouca atenção ao funeral do último coronel a moda antiga do país. Não quer dizer que o corenelismo morreu come ele, quer dizer, apenas, que um tipo específico morreu. Seu herdeiro direto, Paulo Soto, terá um trabalho enorme para manter seu legado. Fatalmente irá se desmanchar o poder carlista em pouco tempo.

E o PAN? Indiscutivelmente foi um belo evento; bem organizado e bem idealizado. Se vai existir uma CPI do PAN, como profetiza o Juca, sobre o superfaturamento das obras não sei. Só sei que se procurar acha.

De tudo que aconteceu, PAN, TAN e ACM, o principal de todas foi sem dúvida ACM. Não tivemos tempo de enterrar o político baiano, logo não tivemos tempo de enterrar o que representa também. Passou como lembrança, mas seu legado, seja capitalizado por seus aliados ou não, é, ao meu ver, muito mais pernicioso ao país do que os responsáveis pelo acidente da TAM, ou o superfaturamento do PAN.

E não é pernicioso por que ACM era do mal, mas porque ACM é Brasil até a raiz do cabelo. Em tudo o que vimos estas semanas o personagem oculto é este: o brasileiro. Se não encararmos quem somos, nas vaias, no voto ou na comodidade de Congonhas, nunca sairemos desta encralacada chamada Brasil, formada por brasileiros sobre tudo.

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

3 comentários para “O que resta do PAN”

  1. josé martins disse:

    Hoje os grandes meios de comunicação, com raras exceções, voltam-se desonesta e preconceituosamente contra um governo eleito e reeleito democraticamente. E assim manipulam, agridem, ofendem, humilham, alteram, deformam, e atuam soberanos e desonestamente sobre tudo e sobre todos.
    Vem-me um ânsia repugnante saber das matérias do(a) Globo, Veja, Folha, Estadão.
    Ps: NINGUÉM QUER NEUTRALIDADE. O QUE SE PRECISA DA IMPRENSA É DA SUA HONESTIDADE.

  2. Inefável disse:

    Quem dera tivesse sido enterrado com ele… Ainda tem Jáder Barbalho, Sarney, sem contar o legado familiar…
    Não que ache que o PT fará uma revolução ou algo do tipo, mas de qualquer forma “a revolução não será televisionada”

  3. Inefável disse:

    Sabe, talvez essa crença no Estado Democrático de Direito é que embaça mais ainda a visão de nós mesmos…

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