Editorial de O Globo após o golpe militar.
Olha como são as coisas… Editorial de 2 de abril de 1964.
André Perfeito
“RESSURGE A DEMOCRACIA
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os
patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou
opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a
democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das
Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de
visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o
Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em
arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como
dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a
garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da
desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o
assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação
horrorizada.
Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação
existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu
grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem
que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado
volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo
aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo. Poderemos,
desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que
todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos
não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros
devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus
inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao
dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a
garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não
confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe
de apenas um daqueles poderes, o Executivo. As Forças Armadas, diz o
Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas
com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do
Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.
No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e
desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha
de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o
direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como
as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das
corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião
realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos
adversários da democracia e da lei.
Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso,
impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada
pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa
de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do
amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam
envolvido o Executivo Federal.
Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os
setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém
escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os
mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores,
com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a
sorte da democracia no Brasil que estava em jogo. A esses líderes
civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas,
por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento
vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime.
Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia
que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o
bem do povo e o progresso do País.
Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com
os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo,
estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras,
que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará,
rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma
época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro
foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a
grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão
grande favor.”

O golpismo está no DNA da alta direção da Globo.
Naqueles tristissimos idos de 1964,eu retornava de longa fase,estudando em universidade e trabalhando na Europa. E ao re-analizar o estado das coisas aqui, tive a persuasão de ser inexorável um golpe ditatorial. E para reavivar memórias ou apontar aos que desconheçam, a brutal arrancada de vetustos tanques e de N salvadores da Pátria, milicos e paisanos se orientou pelo bordão: “revolução contra a corrupção e a subversão” (?!?!)…Mas, logo,logo,perdoem a comparação injusta, a montanha %!@$&@#não o camumdongo e sim os paquidermes e os cetáceos das cassações, prisões, torturas, fechamento do Congresso, para seguir “aberto”, no desempecho de parlamentares fantoches e biônicos.E pelas campanhas de cursos na escola superior de guerra. E na inflamada canção dos analfabetos “dom e ravel”, grasnando o indigesto estribilho, eu te amo, meu Brasil. Eu te amo………….. and so one…………… Há, entre muitos fatos ao que parece sepultados no pântano do esquecimento, um singular. Quem hoje está sabendo que, na rua das Palmeiras, em S.Paulo, funcionava o Canal 5, TV Paulista? Sabem o que realmente aconteceu com ela e com seu Diretor?…
Parabens pela qualidade de seus textos, você se revela a cada texto um excelente comentarista político, mas não concorco com vc que falta um plano claro da elite para esta terra, existe sim, este plano chamasse: exploração. Somos e seremos uma terra de exploração dos ciclos, pau-brasil, ouro, borracha, café e agora alcool.
Me junto a você, conte comigo para tentar mudar esta faceta, esta vocação imposta (não fui eu quem escoli), mas não sou muito otimista, vamos morrer tentando construir um pais digno e correto.
Mas melhor morrer tentando do que simplesmente sermos meros observadores desta festa-terra prostituta brasil.
é andré,
primeira de muitas postagens minhas aqui…
sem comentários a babaquice global, que há mais de 40 anos nos persegue. mas acho que o último parágrafo, deveras ufanista, também encontra eco nas últimas desventuras democráticas. Em 2002 muita gente pensou, agora vai! Fomos…
Abs
O título do editorial diz tudo: Ressurge a Democracia. O que vimos foram 21 anos de criminosa ditadura. Mas, nesse período, as Organizações Globo cresceram como nunca…
Cara, valeu! Isto deveria ser lido e publicado a exaustão para que não pairem dúvidas do que foi o Golpe de 64. Pena que cada vez mais os nossos jovens lêem menos e a disciplina de história nas escolas deixam a desejar.