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28/06/2007 - 01:19

Inventário Bill Gates

Anexo 1 do livro Princípios de Economia Metafísica, por André Perfeito.

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Inventário Bill Gates

Para ilustrar com mais clareza a subsunção real do Tempo de Vida pelo Capital, proponho o seguinte exemplo, e exercício de imaginação.

Peguemos o Bill Gates. Ele, até onde consta minha lista da Forbes, figura no topo da lista dos endinheirados do planeta. Sendo o homem mais rico do planeta faço a seguir um inventário fictício de seus bens e serviços, e registro que o faço com um viés conservador na estimativa.

Pois bem, o Bill Gates é o homem mais rico do mundo.

É razoável supor que o homem mais rico do mundo possua pelo menos três mansões; uma na cidade, outra de campo e outra de praia, e todas elas – sendo modesto – de pelo menos 700 m² de área construída. Também é razoável supor que cada uma dessas casas, desculpe…, mansões, tenham pelo menos cinco suítes, e que cada suíte uma TV de Plasma. Cada suíte uma cama king-size, além de criado-mudo, tapetes, lâmpadas, armários, roupa de cama (cobertores, travesseiros, lençóis e fronhas), fora a tinta da parede e as obras de arte penduradas (quadros com paisagens inglesas de caça a raposa e fotos de família).

Agora, toda mansão que se preze, tem uma belíssima cozinha. Existe a geladeira, o freezer, o fogão industrial cromado, os utensílios diversos (liquidificadores, panelas, formas, batedeiras, micro-ondas, abridores automáticos de lata de sardinha além de um Jumbo-Grill George Forman). Existe a bancada de madeira para preparar os alimentos, as pias, as torneiras, as lâmpadas, o triturador de lixo, os cestos de lixo, as facas para carne, o jogo de talheres, os copos (de refrigerante, vinho, água, e os de festa etc…). Sem contar a louça com pratos para os mais variados fins e propósitos: de sopa, para jantar, para o lanche da tarde, etcetera e tal.

Na sala de estar uma lareira e os apetrechos para ela: tela protetora de fagulhas, ferros para mexer no fogo, além de lenha, é claro. Fora isso mais tapetes, quadros, lâmpadas, lustres, luminárias, a mesa de jantar em madeira de lei, a cristaleira, mais uma TV de Plasma (essa bem maior que as outras) e a aparelhagem para o home-theatre. Além dessas coisas de sala típica como patos de madeira e bustos de alce empalhado.

Saindo da sala e olhando com cuidado o entretenimento da família. Não deve faltar uma mesa de bilhar (a da cidade com feltro verde, a de praia branco e a de campo vermelha), os tacos, a mesa para carteado, as cartas, as fichas em resina plástica, aquele quadro com cachorros jogando carta e vestido de gente, vídeo games (X-Box, for sure) e computadores de última geração com monitores de 27 polegadas.

Para não exagerar na conta vamos imaginar que ele possua apenas três carros: um para cidade, outro para praia e outro para o campo. O da cidade é uma SUV BMW X5, o carro de campo é uma SUV Land Rover estendida, e o da praia é outra SUV Land Rover, mas do modelo menor, mais compacta. Também não acho exagero imaginar que o homem mais rico do mundo tenha pelo menos um jatinho particular, desses que a Embraer faz bem melhor que a Bombardier.

Não nos esquecemos dos serviços que ele consome diariamente. O almoço, o jantar, o lanche da tarde e a limpeza e manutenção das três mansões citadas.

Agora imaginemos o seguinte. Imaginemos que nosso querido Bill Gates consiga produzir, com a própria mão e com as ferramentas necessárias, tudo o que ele possui: os carros, as camas, os lençóis, as geladeiras, os freezer, os fogões, os tapetes, os quadros, as mesas, a louça, os talheres, o Jumbo Grill George Forman, a pia, o colchão king-size, os computadores, as TVs de Plasma sem contar as casas em si: obras de concreto, aço, madeira, fios de energia, encanamento, telhas, portas, azulejos e tinta. Todas de 700 m². E são três. Não se esqueça.

Vamos desconsiderar as obras de arte, aja vista que reproduzir o livro de anotações do Leonardo Da Vinci (qual o Bill Gates possui) não é tarefa fácil. Mas vamos supor que de resto ele consiga produzir todo o resto na melhor produtividade vigente.

Seria razoável imaginar que ele demoraria pelo menos 2000 anos para produzir sozinho tudo o que possui.

Mas nós sabemos que ele não viverá tudo isso. Vamos supor que nosso querido Bill Gates chega na incrível idade de 150 anos, e que de quebra fossem anos acordados, sem contar as horas que esteve dormindo.

A aritmética é simples, você já deve ter percebido.

Se subtrairmos os 2000 anos necessários para ele produzir tudo o que possui, e deduzir os 150 anos que ele viverá, veremos que ele acabou utilizando 1850 anos de vida de outras pessoas.

Caro leitor, esse é o eixo da Economia Metafísica. Não devemos considerar somente o tempo de trabalho incorporado as mercadorias como Adam Smith, David Ricardo e Karl Marx fizeram. O Capital é a vida morta voltando a vida toda vez que tocada pela mão de um vivente, e, além, é a vida de toda a humanidade até aqui transformada em objeto morto: mercadoria.

O capitalismo, numa perspectiva individual, é isso: ao final do dia você deve contabilizar se ganhou vida alheia para somar na sua conta, ou se perdeu para o alheio seu tempo de vida.

Esse é o sentido mais radical de guerra, e o comércio é a arena mundial deste conflito não por vida, mas pelo tempo de vida dos outros, como um constante afluxo de almas para a propriedade do Capital.

André Perfeito

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

6 comentários para “Inventário Bill Gates”

  1. Guilherme Mello disse:

    Não me convence André…. vc esta apenas trocando de nome o conceito… e retomando a idéia de mais valia…. claro que oq Bill Gates tem em sua mansão é tempo de vida…. tempo de vida de outros, que TRABALHARAM para produzir oq ele tem… e ele se apossou privadamente deste tempo de vida que a pessoa passou trabalhando, PORTANTO tempo de trabalho!! Nada de novo, a não ser um jogo de palavras…

  2. André Perfeito disse:

    Como é difícil pensar o novo. Claro, isto que você leu é um exemplo: pura imagem e imaginação.

    Porém acredito que fui claro na explicação. O exemplo é contundente, tão quanto, ou mais, que o proposto no Livro 1

    Abs

  3. Guilherme Mello disse:

    Este é o problema…. o problema é pensar o novo! Não maquiar o velho e falar que é novo! Onde esta escrito andré, vejo por baixo, apagado à borracha, um nome…. Karl…. só mudou a embalagem, tirando o sentido de conjunto mais do que acrescentando algo novo!

  4. erico disse:

    SACANAGEM,FORAM NO BANHEIRO E NÃO DERAM DESCARGA E %!@$&@#PRÁ TODO LADO.

  5. serguei disse:

    meu que horrivel pesar assim! mas dá pra fazer esse exercício sim. na economia é incontestável a soberba análise do capitalismo feito por marx, portanto mais valia sim… como não. se não não daria para explicar um mundo que cresce e aumenta a pobreza. sobre a analise fenomenológica tá lá a bola da nike é produzida por uma ou mais mão pobres na china é extensão de suas existências e afirmação do seu potencial criativo. é onde ser é mais que ter…
    ótimo texto!
    imo !!!

  6. André disse:

    É, Prefeito! Desde suas apresentações a respeito do tema, tenho dificuldade em compreender a novidade. Não que ela não exista. Acho que precisa ser mais bem maturada. O Gui tem razão quando diz que seu texto escreve em bordões modernosos (ou pós-modernos!) aquilo que o velho barbudão já havia percebido há mais de 150 anos. Todavia, acho que sua tentativa é válida. Mas há algumas inconsistências graves, uma mistura do que é capital produtivo, capital fictício e aquilo que é fundamentalmente cultura. Marx nunca tentou reduzir a totalidade à compreensão economicista, limitação da qual sua visão padece. Todas essas horas de trabalho, esse consumo de cultura alheia não atende a uma dinâmica temporal discreta, como o seu texto parece indicar. Sugeriria que você deixasse mais claro o que há de metafísico na sua economia que já não se perceba nas teorias de outros pensadores. Não há nada mais metafísico do que o crédito, como recurso financeiro que antecipa capital disperso na economia e o condensa em um determinado setor. Afinal, o que é metafísico na sua economia? A economia do megabytes. Forte abraço e obrigado pela provocação.

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