30/04/2007 - 14:44
Faleceu neste fim de semana Octávio Frias de oliveira, Publisher da Folha de São Paulo.
Vem a dúvida. Você acredita na imparciabilidade de um meio de comunicação? E entre os que existem? Qual você prefere.
Gosto do Estado de São Paulo, e leio diariamente, pois a opinião deles é muito clara. A partir desta compreensão posso ler o jornal com muita clareza. O editorial do estado vem até com o brasão, levo a sério isto.
Já na folha o editorial é disperso, impreciso. Não sei o que esperar. Gosto da folha, mas neste contexto, leio o estado.
André Perfeito
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Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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27/04/2007 - 10:39
Resolvi publicar esse texto porque este texto vem me perseguindo a semana inteira. Dava um livro o que passei, mas enfim…
Gostaria de ouvir alguns comentários. Uma amiga, feminista, achou machista o sujeito. Não sei mais o que pensar disso.
Os direitos autorais são do Jabor. Se ele me processar aviso ocês.
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Ao homem-objeto
Arnaldo Jabor
“Antes, os homens, desejávamos a mulher. Hoje, queremos ser desejados. No tempo de meus pais, elas em geral não davam: só casando. Nelson Rodrigues conta que os noivos galopavam como centauros para o quarto nupcial avançando sobre as noivas pálidas de terror. Filho dessa geração, eu achava que o desejo da mulher era “conseqüência” do nosso, que elas ansiavam por nosso assédio, em delÃquios desmaiados. Eu achava que levar uma mulher para a cama era algo só de minha responsabilidade, que elas cumpriam cabisbaixas, trêmulas e, depois, gratas. Elas “davam” como uma tarefa quase polÃtica. Hoje, os homens é que dão. Elas comem. Os homens se raspam, para ficarem com o corpo feminino. Os homens malham, para ficarem magnÃficos objetos de prazer. Antes, não. Eram barrigudos informes, sórdidos, com lindas damas ao lado, brutais machões dominando ninfas. Hoje, elas escolhem: “Aquele ali. Vou comer…” Somos analisados minuciosamente nas conversas dos vestiários. Dizem-me informantes traidoras que o papo é mais brutal que conversa de marinheiro. Os pintinhos são analisados com régua e compasso. A barriga derruba um apaixonado, a bunda (isso é novo) passou a ser um objeto sexual fundamental para as moças: “Que bundinha ele tem!” Nosso pobre feminismo deu nisso: as mulheres analisam os homens como imaginam que eram analisadas por nós: “Que avião, eu ia te comer todinha…” Hoje, nós somos as caricaturas das caricaturas que fazÃamos delas.
Fui educado pelos jesuÃtas, o melhor caminho para a perversão. Sempre imaginei as mulheres como usáveis, romanticamente ingênuas, ou santas ou decaÃdas… Mas nunca imaginei ver esse exército de rostos lindos, mas duros, implacáveis na avaliação do sujeito, nos olhando como sargentos examinando recrutas. Não imaginava o medo diante da glamourização excessiva das celebridades. O que nos excitava, ou melhor, nos fazia apaixonados era ver em seus olhos a busca de proteção, quase um apelo de socorro. Nossa virilidade era quixotesca, salvadora. Sua fragilidade, mesmo fingida, era tão erotizante… Outro dia vi um documentário antigo com a Jackie Kennedy falando; parecia uma menininha, uma “barbie” ingênua. Claro que não me refiro à s pobres desamparadas socialmente; falo das peruas de esquerda e de direita (elas existem…), falo da vanguarda das gostosas. Transar com uma mulher hoje é passar por um teste. E surge a dúvida máxima: o que dar à s mulheres? Carinho? Proteção? Porrada? Desprezo? Companheirismo? Dar o quê? Dinheiro? Já servimos para sustentá-las, mandar nelas: “Oh, bobinhas… não é assim, é assado…” Mas, não sabemos mais o que oferecer. Diante disso, o amor vira uma batalha de prazeres e dores, uma guerra constante e excitante, ciúmes afrodisÃacos, ódios excitantes para o “make-up fuck” (a melhor que há). Os amores de Caras duram semanas; casou, perdeu a graça. Os jovens ricos vivem em haréns de luxo (ah, verde inveja…) Claro que o amor dos desvalidos continua igual: porrada, alcoolismo, e abandono. Repito que falo das “vanguardas” neo-sacanas.
BORDÉIS DO AMOR
Assim, creio que a revolução se deu mais por via das mulheres, do que dos homens. Já repararam como tem garoto-objeto casando com coroas-célebres? E dizem que dinheiro compra até amor verdadeiro… Elas mudaram, desde a pÃlula até hoje, impulsionadas pela tecnologia veloz, pela indústria das revistas pornô; houve uma fetichização das partes pelo todo. São pedaços que vemos. O conjunto nos angustia. Disse-me uma antropóloga linda outro dia que o que mudou foi a transformação do sexo em ginástica, num atletismo em que as perversões proibidas se transformaram em brincadeiras polimorfas. Ninguém peca mais. E a culpa? O que foi feito dela? O limite é o quê? A morte? A aids segurou um pouco a barra da loucura que se anunciava nos anos 80, mas agora, com coquetéis, há um recrudescimento da sacanagem como parque de diversões. As famosas surubas de antigamente (oh… crime nefando…), hoje são cirandas-cirandinhas felizes e gargalhantes. O bom e velho orgasminho não basta mais. É preciso ir mais longe. Até aonde?
Talvez, busquemos um êxtase permanente num mundo que se aquece, num presente enorme que não acaba. Precisamos de uma libertinagem constante, já que a tal da liberdade era mesmo “uma calça velha e desbotada”… E que orgasmo é esse que atroará os ares? E, falando mais seriamente, que transgressão suprema acabará com todos os limites? Muhammad Atta, o chefe do ataque no 11 de Setembro, segundo artigo antológico de Martin Amis, não era religioso, não acreditava em Alá, não era militante polÃtico, era quÃmico na Alemanha e, no entanto, queria algo supremo. O quê? A realização do inominável, do impensável, o crime absoluto e, por segundos antes de explodir, ele sentiu o êxtase do tenebroso.
O marquês de Sade desafiou os limites da natureza. Nesta neo-libertinagem, queremos ir além das coisas que viramos. Há um desejo de aperfeiçoar os desempenhos, como se moderniza um avião ou um chip. Nas casas de swing, por exemplo, há uma utopia de se atingir uma paz além do ciúme, além da posse, a paz da solidão compartilhada, um companheirismo pacÃfico entre putas e cornos.
No entanto, faço uma previsão. As coisas vão e voltam. Dentro em pouco, vai ressurgir uma onda romântica, diante do terror que a liberdade total está gerando. Dentro em pouco, teremos amores infinitos, beijos eternos, fidelidades sem-fim. No entanto, onde se aninharão os casais? No campo? Nas neves derretidas? No pó das cidades? Onde? Não temos onde amar. Não há casulos disponÃveis. FamÃlias, lares? Não. Haverá talvez bordéis românticos, motéis da paixão, onde a paz infinita irá além dos gritos de tesão.
Ninguém agüenta mais tanta liberdade…”
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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26/04/2007 - 12:09
Estou num dilema difÃcil. Simplesmente as empresas que enviei o projeto do documentário não se interessam pelo filme. Pessoalmente seus executivos adoraram a idéia, da iniciativa, mas preferem não patrocinar. Faz sentido. Dificilmente a identidade de uma marca tem a ver com polÃtica. Se fosse um projeto com os Ãndios do alto Xingu até vai lá, várias empresas teriam interesse. Mas polÃtica não.
Tudo bem. Entendo.
Mas ando em dúvida o que fazer com este material que gravei. Não sei se jogo tudo na rede, e seja o que Deus quiser, ou se faço uma versão bem amadora do filme ao longo deste ano.
Estou em dúvida.
Enquanto isso vai aà o teaser do O Homem Vertical
Abs
André Perfeito
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
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