O dramático relato de quem sobreviveu à tragédia
Apaixonado pelo Bahia, Djalma Lima Santos, 30, foi para a Fonte Nova com a mulher, Valdemira Rosário Pereira, 28, e mais cinco colegas do bairro do Retiro (periferia de Salvador). Queria festejar o retorno do time à Série B.
Ao final do empate sem gols contra o Vila Nova-GO, quando pulava e gritava, feliz, com a apresentação, Santos caiu de uma altura de 20 metros.
“Foi horrível. Ele tentou segurar na minha mão, mas não consegui sustentar. Depois, quando olhei para baixo, ele estava já no chão, arreado. Ele e mais três colegas caíram no buraco”, disse Valdemira, enquanto esperava a liberação do corpo pelos legistas do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues.
Santos foi enterrado no cemitério Quinta dos Lázaros. “As pessoas do bairro estão muito sentidas. A gente foi lá para se divertir e aconteceu uma tragédia dessa”, afirmou a mulher, casada havia 13 anos com a vítima.
Agente de limpeza, Djalma Santos deixou um filho de apenas três meses, Djalma Lima Santos Júnior, fruto de um relacionamento extraconjugal. “Como vamos cuidar desta criança agora? Era o salário dele que sustentava o menino”, disse.
A dona de casa contou que eles, freqüentadores assíduos da Fonte Nova, não evitavam torcer para o time perto do local onde aconteceu o acidente. “A gente não costumava ficar naquele lugar porque lá fica a Bamor [a maior torcida organizada do Bahia]. Nos dois últimos jogos, estava tudo muito cheio e resolvemos ir para lá. Deu no que deu.”
Valdemira disse que desceu rapidamente as escadarias do estádio para dar socorro ao marido, mas policiais impediram que ela se aproximasse. Ela não foi a única a presenciar a morte de familiares. João Carlos Rodrigues está em estado de choque desde que viu as duas filhas caírem do anel superior da Fonte Nova.
Milena Vasquez Palmeira, 27, morreu momentos após a queda. A outra filha, Patrícia Vasquez Palmeira, 24, que também caiu de uma altura de 20 metros, está internada com diversas fraturas. Segundo familiares, ela não corre risco de morte.
“As duas estavam ao lado do pai quando a arquibancada cedeu. Elas caíram lá de cima. Foi tudo muito rápido. Não deu para fazer nada para impedir”, disse Maria do Socorro Araújo Cruz, madrasta das irmãs. O pai das vítimas, bastante abalado e chorando sem parar, não conseguiu falar com os jornalistas.
“Elas raramente iam para ao estádio. Na semana passada, Milena pediu e foi com o pai. Nesta semana, bastante animada com a possibilidade de classificação do Bahia, ela chamou Patrícia também para ir com eles. As duas estavam ao lado do pai quando caíram”, disse Cruz.
Será que alguém vai pagar por isso ou teremos mais um rodízio de pizza?




















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