‘A Grande Família’ pode até ter desgastes no elenco, mas continua sendo um belo programa

Caricatura usada na abertura de "A Grande Família"
Tão logo vazou a notícia de que Pedro Cardoso e Guta Stresser brigaram nos bastidores de “A Grande Família”, muitos entenderam que tratava-se do começo do fim. Afinal, o seriado está há 11 anos no ar e um desentendimento entre os atores poderia ser fator importante para ser levado em consideração quanto ao futuro da produção. Oficialmente, a Globo diz que só se pronuncia quanto ao destino de sua programação após o final do ano. Nenhum rumor foi confirmado.
Curiosamente, um fato alheio à dramaturgia da série chamou a atenção de todos. Mais de 350 capítulos depois da estreia, em tese, pode ser considerado normal que parte do elenco discuta eventualmente. Mas, ao que parece, a notícia chamou tanta atenção por um motivo simples: o espectador, apegado àquela família muito unida e também muito ouriçada, não quer vê-la acabar. Basta uma conversa informal de boteco ou na sala de casa para perceber isso. Há anos o encerramento da atração vem sendo especulado, mas nunca confirmado.
Apesar de tanto tempo passado, “A Grande Família” continua sendo um programão. Textos saborosos e populares – não popularescos -, atores afiados donos de tipos irreverentes. Assim como boa parte do país, os Silva ganharam mais poder aquisitivo – a tão falada ascensão da classe C -, experimentaram o deslumbre pelo mundo das celebridades – Tuco (Lúcio Mauro Filho) já foi ex-BBB e agora é humorista – e passou por perdas difíceis, como a partida de Seu Floriano (o inesquecível Rogério Cardoso). Os personagens cresceram com os espectadores. E continuam passando por situações cotidianas com as quais muitos podem se identificar.
A exemplo dos seriados americanos, ainda que os episódios sejam exibidos com histórias “fechadas”, eles acabam por ligar-se de maneira tênue. Nesta quinta-feira (16), irá ao uma trama que vinha sendo construída há um tempo: atolados em dívidas, Nenê (Marieta Severo) e Lineu (Marco Nanini) perderão a casa em que moram. E certamente continuarão despertando a simpatia de muitos. A briga entre Pedro Cardoso e Guta Stresser não pode abalar as estruturas de um fenômeno da TV brasileira – poucos programas de dramaturgia se mantém por tanto tempo. Os atores sabem disso e têm se comportado com profissionalismo durante as gravações. Devem saber a importância que têm para a família brasileira, que briga por qualquer razão, mas acaba pedindo perdão. E que assim seja.
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