
Alexandre Raposo: "O mercado é livre"
Atual presidente da Rede Record, Alexandre Raposo tem nas mãos a responsabilidade não só de manter a vice-liderança, como também de fazer com que sua emissora dispute a primeira colocação com a Globo. Depois de um 2012 difícil, que experimentou queda de audiência, a ordem agora é olhar para o futuro. Sem fugir das perguntas, o executivo conversou com a coluna.
IG: Quero começar essa conversa checando uma informação. Há quem diga que o senhor deve deixar a presidência da Record em breve para se dedicar à política. É verdade?
ALEXANDRE RAPOSO: Não é verdade. Nos últimos cinco anos têm havido rumores sobre troca de diretoria da Record e eles nunca se confirmaram.
IG: Não pretende sair candidato?
ALEXANDRE RAPOSO: Não. Pelo menos não nesse momento.
IG: 2012 foi um ano difícil para a Record, não?
ALEXANDRE RAPOSO: Foi um ano difícil para o mercado publicitário. No que diz respeito a audiência, todas as emissoras perderam pontos. As pessoas migraram para outros veículos. A Globo, por exemplo, teve em 2012 a pior média de sua história.
IG: As metas da Record parecem mais modestas. Antes, diziam que até 2010 seriam líderes. No evento de lançamento da programação, nesta quarta-feira (26), se afirmou que de 3 a 5 anos se dividiria a liderança e o faturamento. Estão menos otimistas?
ALEXANDRE RAPOSO: Nosso projeto continua o mesmo, rumo à liderança. Mas é difícil mensurar em tempo, especialmente porque os hábitos do espectador mudam. Hoje, há uma série de fatores que contribuem para a queda ou aumento de audiência. Há desde os fatores climáticos à divisão do espectador com novos veículos, como a internet ou TV a cabo. Todo mundo assiste televisão com uma segunda tela agora.
IG: Qual a estratégia para recuperar a audiência perdida?
ALEXANDRE RAPOSO: Vamos focar mais na criação de produtos e conteúdo. E apostar no ao vivo. Hoje, ficamos ao vivo por 15 horas, diariamente. E estamos sempre pesquisando, ouvindo o espectador, para saber o que ele quer. Fazemos pesquisas regulares, semanalmente.
IG: No ano passado a Record experimentou um baque em seu departamento de dramaturgia. Novelas que antes atingiam 15 pontos, agora giram em torno dos 9. Como se explica isso?
ALEXANDRE RAPOSO: Não se pode acertar em tudo na vida. Não se pode negar os números, mas eu enxergo isso de outra maneira. Desde 2005 mudamos nosso departamento de dramaturgia, fizemos investimentos pesados, nos especializamos nisso. Nesse tempo tivemos nove acertos e um erro. E, para mim, essa é uma ótima margem de acertos. É que quando a Record erra as pessoas prestam mais atenção.
IG: Nos últimos tempos alguns atores têm deixado a Record rumo à Globo. Há rumores de que a emissora tem tentado reduzir salários.
ALEXANDRE RAPOSO: Não existe isso de reduzir os salários. O que há é o livre mercado. E essa é uma concorrência saudável. Se o contrato está perto do fim e o ator recebeu uma proposta da concorrência, ele pode aceitar. Mas pode voltar depois também. Da mesma forma que alguns que foram para lá, vieram para cá, como é o caso da Larissa Maciel. É o mercado livre.
IG: A Record pretende investir na TV a cabo como tem feito a Band e no esquema de parceria com produtoras independentes?
ALEXANDRE RAPOSO: Não, o nosso interesse é investir na produção da Record, da Record News e na internet. Quanto ao esquema de parceria com produtoras, somos pioneiros nisso. Há a Lei de Incentivo para isso, que é importante, e já apostamos em vários produtos do gênero.
IG: O senhor costuma assistir à concorrência?
ALEXANDRE RAPOSO: Eu assisto algumas coisas gravadas. Quando há uma estreia de novela ou algum programa que acho importante ver para o que se trata. Mas sou espectador da Record e vejo um pouco de TV a cabo também. Gosto muito de séries e documentários, especialmente os que têm a ver com história. Assisto muito o History Channel.
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