
Robertha Porthella, como Dafne: Mulher Tutti-Frutti
Poucos são os participantes de reality show que conseguem ingressar na dramaturgia com bons personagens após uma temporada de confinamento. A carioca Robertha Portella, participante da última edição de “A Fazenda”, conseguiu ingressar neste seleto grupo, que conta com nomes como Grazi Massafera e Juliana Alves. Meses depois de ter deixado Itu, ganhou a oportunidade de fazer a oficina de atores da Record, sob o comando de Roberto Bomtempo.
Foi chamada para um teste em “Dona Xepa” e passou. Acabou com uma das personagens mais carismáticas da trama de Gustavo Reiz, Dafne, uma garota que sonha em ser famosa e vira a Mulher Tutti Fruti. Questionada por alguns jornalistas, tratou, humildemente, de evitar comparações com a Mulher Mangaba, papel de Ellen Roche em “Sangue Bom”. “Não há como me comparar com a Ellen que é linda e tem um corpo maravilhoso. Seria muita pretensão da minha parte. Nossas personagens possuem em comum o fato de serem chamadas de mulheres frutas, mas a composição é bem diferente.”
Tão logo foi anunciada no elenco, houve quem dissesse que foi golpe de sorte ou, pior, que a moça tinha um relacionamento amoroso com um executivo poderoso da emissora. “Não sei de onde saiu essa história. Meu namorado vende malas e estamos juntos há dois meses”, diz. A atriz conversou com a coluna sem fugir a nenhuma pergunta.
IG: Assim como participantes de reality show, sua personagem também persegue a fama. Vê algum paralelo entre ela e sua participação em “A Fazenda”?
ROBERTHA PORTELLA: De fato a maioria entra num reality show em busca da fama, mas “A Fazenda” é diferente do “BBB”. Lá, as pessoas já trabalham de alguma forma no meio artístico, já são conhecidas. Claro, eu estava no time das menos conhecidas da minha edição, mas já trabalhava como bailarina do “Domingão do Faustão”. Minha preocupação lá era ter uma boa conduta para plantar coisas boas aqui fora.
IG: Como veio o convite para a novela?
ROBERTHA PORTELLA: Logo depois de “A Fazenda” comecei a ver um monte de gente da minha edição sendo chamada para fazer um monte de coisa e nada de me ligarem. Fui ficando nervosa, mas aí me perguntaram se eu tinha interesse em ser atriz e entrar na oficina de atores da Record. Topei e fiz quatro meses intensos de estudo com o Roberto Bomtempo. Depois, fui chamada para fazer um teste e, para a minha surpresa, passei.
IG: Houve quem afirmasse que você ganhou o papel por ter um relacionamento com um alto executivo da Record. O que tem a dizer sobre isso?
ROBERTHA PORTELLA: É mentira! Consegui meu papel por meio de teste e na época estava solteira. Não precisei me relacionar com nenhum empresário ou executivo da Record para isso. Aliás, é bom poder desmentir isso. Atualmente não estou mais sozinha, mas meu namorado não é nenhum poderoso da emissora. Ele trabalha vendendo malas! (risos)
IG: Acha que aprendeu o suficiente com a oficina de atores para encarar uma novela?
ROBERTHA PORTELLA: Eu fiz questão de, mesmo escalada para novela, continuar a ter aulas. Então estou conciliando as gravações da novela com a oficina. Sei que tenho que continuar estudando e quero aprender muito. Quando não estou gravando, estou estudando.

A atriz numa cena com Bia Montez e Manoeli Lustosa: sem vergonha do biquíni
IG: Como bailarina do “Domingão do Faustão”, você mostrava o corpo. Agora, sua primeira personagem de novela também te exige exibir as curvas. Te incomoda ter de recorrer à sensualidade?
ROBERTHA PORTELLA: Seria muito hipócrita eu dizer isso, né? Por que eu sei que uma das coisas que me tornou conhecida foi o meu corpo. Desde os 16 anos trabalho como modelo fotográfica para uma marca de surf. No “Faustão” havia um cuidado para não mostrar demais por ser um programa para a família, mas também trabalhava com o corpo. Mas eu sei que foi o que me fez me tornar mais conhecida. Se eu disser que tenho vergonha de fazer as cenas da Dafne de biquíni vou estar mentindo. Não tenho vergonha, não. Me orgulho.
IG: Não há nenhum tipo de preocupação?
ROBERTHA PORTELLA: Estou tomando cuidado, sim, por um motivo: não quero que fique apelativo. Além disso, eu tive um público infantil muito grande na época da “Fazenda” e quero que ele continue comigo. Estou tentando trazer a personagem para um lado mais engraçado e atrapalhado do que sensual. Ela usa uma unha de cada cor, adora roupa colorida… Está implícito que ela tem um lado infantil e sensual ao mesmo tempo, mas sempre engraçado.
IG: Sentiu preconceito por ter participado de “A Fazenda”?
ROBERTHA PORTELLA: Preconceito comigo existe desde antes do programa e até mesmo durante. Na época perguntavam “mas ela é conhecida de onde?” ou “ela não é famosa”. Mas eu adoro o preconceito, sabe por quê? Me instiga a romper com ele! Estou feliz. Eu senti, sim, preconceito, mas aqui na Record, nenhum. Meu núcleo é maravilhoso, tem Bia Montez, Ângela Vieira, Castrinho, Bemvindo Sequeira… Tá todo mundo me ensinando. Eu não sou aquela pessoa que finge que já estava lá, entendeu? Eu pergunto mesmo, questiono se está bom. Tenho mais é que aproveitar que estou do lado dessas pessoas para melhorar!
IG: Sua personagem é mãe. Como tem sido lidar com a maternidade na ficção?
ROBERTHA PORTELLA: Na história, minha filha (vivida por Ana Clara Pintor) tem 10 anos. A Dafne teve a filha muito cedo e até por isso é muito infantil. Minha personagem pede conselho para a filha. E ela quer ser famosa a todo custo para garantir o futuro da filha. A Dafne não quer que a filha precise ganhar a vida colocando uma melancia na cabeça. Ela a ama muito. Para construir essa relação pensei muito no amor que tenho pelos meus três irmãos. Tenho dois de sete e um doze.

Robertha: "Já tive oportunidade de ficar bem mais famosa e não me aproveitei disso"
IG: Sempre quis ser famosa?
ROBERTHA PORTELLA: Não, não. Desde pequena eu fiz curso de teatro no colégio e era a maluquinha que falava para alto nas festas de família e gostava de se vestir diferente. Depois entrei no “Faustão” por causa das fotos como modelo. Mas fama nunca foi algo que quis muito. Até porque já tive oportunidade de ficar bem mais famosa há uns três, quatro anos atrás e não me aproveitei disso.
IG: Que tipo de oportunidade?
ROBERTHA PORTELLA: Já tive relacionamento com gente famosa que não deixei tornar público, por exemplo. Poderia ter ficado do lado da pessoa e me tornado muito mais conhecida. Mas preferi esperar um reality show vir, sofrer o preconceito por ter participado do reality e ter a certeza de que se tivesse uma conduta certa, que sou direita e temente a Deus, eu iria parar num lugar onde me respeitam como mereço, que é o caso da novela em que estou hoje.
IG: Passa a assinar sua profissão como atriz a partir de agora?
ROBERTHA PORTELLA: Sim, atriz. Aliás, assino assim já há uns três meses! (risos) A carreira de bailarina ficou do lado. Usei a dança para ir chegando perto do que queria.
IG: Participar de um reality show nunca mais?
ROBERTHA PORTELLA: Nunca mais a gente não diz para nada! Vai que alguém um dia faz um reality show de sucesso em Nova York e eu estou lá por acaso? Nunca se sabe! (risos)
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