‘O Dentista Mascarado’ estreia morno, mas promete diversão com elenco afinado liderado por Marcelo Adnet e Taís Araújo

Marcelo Adnet e Taís Araújo numa cena de "O Dentista Mascarado"
Depois de focar em relacionamentos de casal, funcionários públicos e até mesmo apocalipse, Fernanda Young e Alexandre Machado apostam no mundo dos super-heróis com “O Dentista Mascarado”. Cercado de expectativa por ser o primeiro projeto de Marcelo Adnet desde que deixou a MTV, o seriado retrata um homem ordinário que durante o dia combate as cáries e à noite luta contra o crime. Os roteiristas resolveram pisar fundo numa tendência que vem ganhando força em Hollywood: a dos cidadãos que viram vigilantes. Longas como “Kick Ass” e “Defendor” são inevitáveis referências a um seriado com esta premissa. Ambos misturam ação com grandes doses de humor esperto, especialidade dos autores brasileiros. Há uma diferença significativa entre as figuras que lideram estas tramas: enquanto no cinema os tipos são absolutamente comuns, aqui, o personagem principal tem extravagância desde sua primeira cena. Ou seja: pode causar certo estranhamento no começo até que o espectador se habitue com seu jeito “sui generis” de ser.
Nesse sentido, não faltaram piadas de duplo sentido – o protagonista se acha um grande contador de anedotas que na verdade não têm graça nenhuma – e brincadeira até mesmo com o stand up comedy – “sabia que isso não tinha graça”, diz um dos personagens ao ouvir que uma plateia só ria graças ao gás do riso. A julgar pelo primeiro episódio, no entanto, nem todas as piadas funcionaram como deveriam e deixaram morna uma estreia que poderia ter sido mais explosiva. O texto de Young e Machado é gostoso e popular sem apelar para a vulgaridade, mas faltou ritmo a algumas sequências. Dito isso, isoladamente, houve momentos inspirados reforçados pelo ótimo elenco.
O destaque absoluto do primeiro episódio foi de Taís Araújo e Otávio Augusto, que construíram tipos carismáticos e hilários. Isso não significa, claro, que Adnet tenha ficado em segundo plano. O humorista apelou para um personagem de composição cuidadosa, construído nos mínimos detalhes, como a risada que ecoa barulhos esquisitos ou a entonação que remete sutilmente à dublagem de filmes antigos de ação. É um ótimo trabalho, mas que o distancia da maneira como era visto na MTV, emissora na qual era livre para improvisar. Aqui, não há Adnet. Há apenas Paladino, um homem ordinário que vai virar herói. Ou melhor: anti-herói. Que venham os próximos capítulos desta história.
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