‘Sangue Bom’ estreia com menor audiência da história do horário das sete, mas promete diversão com história sólida

Marco Pigossi e Sophie Charlotte, protagonistas de "Sangue Bom"
Tão logo foram exibidas as primeiras chamadas de “Sangue Bom”, houve quem comparasse a trama das sete com “Malhação”. Afinal, com protagonistas jovens, ainda nas casas dos vinte anos, poderia haver a possibilidade de novela enveredar pela mesma seara. Além disso, a embalagem da história criada por Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari remete à novelinha na abertura – basta comparar com a vinheta de 2008 do folhetim adolescente – e à edição acelerada de vinhetas cheias de grafismos. Dito isso, “Malhação” teria muita sorte se contasse com um elenco competente como estes. Desde já, reside nesses atores a esperança de recuperar os números do horário, que sofreram dura queda com a antecessora “Guerra dos Sexos”.
Se é para comparar, no entanto, é mais justo que “Sangue Bom” seja espelhada em “Cheias de Charme”, grande sucesso do ano passado. Assim como a trama de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira, esta é uma novela solar. Do figurino à direção de arte, tudo é caprichado. Da mesma maneira, o texto dos autores é firme e sofisticado, coloquial na medida certa. Salve-se a exceção das falas da personagem de Fernanda Vasconcellos, no entanto, que disparou frases como “É Tanta cor que alegra o dia”, numa ingenuidade que parece inverossímil.
A julgar pelo primeira episódio, “Sangue Bom” deve propor uma boa reflexão sobre a indústria das celebridades – do luxo ao lixo – e à maneira com que a mídia a aborda. Não faltaram frases como “Não acredite em tudo o que a mídia publica” ou “Se faz de vítima que a mídia adora”, ambas aplicadas a figuras ligadas ao mundo artístico. Amora (Sophie Charlotte), a “mocinha”, cobre férias de uma apresentadora de TV e trabalha como modelo. Já Bárbara Ellen (Giulia Gam) se apega à pouca fama que lhe resta e fica indignada ao saber que foi trocada pela Mulher Mangaba (Ellen Roche), uma dessas mulheres sem profissão definida e que ganham a notoriedade pela exposição gratuita do corpo e da intimidade. Não falta ainda ironia à preocupação de faturar em cima da classe média, inchada nos últimos anos. ”Parece que todo mundo está mirando na nova classe C”, brinca Amora, em seu programa.
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“Sangue Bom” tem tudo para emplacar. Ao contrário de “Guerra dos Sexos”, tem jovialidade e trilha sonora arrasadora. O elenco jovem é charmoso e deve render bons jogos de cena. Se levadas em consideração as primeira cenas, são grandes as chances de Isabelle Drummond roubar o posto de protagonista candidata a acabar com Bento (Marco Pigossi), já que sua personagem é infinitamente mais carismática. Dito isso, há que se ressaltar que nomes como Marisa Orth, Malu Mader, Tuna Dwek e Giulia Gam deverão roubar a cena de todos. Seus papéis são inusitados e criados com as cores fortes que folhetim de comédia precisa. Se mantiver o ritmo inicial, a novela será diversão garantida.
No quesito audiência, no entanto, a trama deixou a desejar e marcou menos que a antecessora. De acordo com dados prévios do Ibope, a produção registrou 25,6 pontos, dois a menos do que “Guerra”. O pico foi de 28 pontos. O número é o menor da história do horário. Compare a audiência de estreia das novelas das sete nos últimos anos:
Sangue Bom – 25,6 pontos
Guerra dos Sexos – 28 pontos
Cheias de Charme – 35 pontos
Aquele Beijo – 34 pontos
Morde & Assopra – 32 pontos
Ti Ti Ti – 29 pontos
Tempos Modernos – 29 pontos
Caras & Bocas – 33 pontos
Três Irmãs – 33 pontos
Beleza Pura – 30 pontos
Sete Pecados – 36 pontos
Pé na Jaca – 40 pontos
Cobras & Lagartos – 35 pontos
Bang Bang – 35 pontos
A Lua Me Disse – 32 pontos
Começar de Novo – 40 pontos
Da Cor do Pecado – 41 pontos
Kubanacan – 41 pontos
O Beijo do Vampiro – 36 pontos
Desejos de Mulher – 29 pontos
As Filhas da Mãe – 36 pontos
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