
Deborah Evelyn: "Eunice é a Lady Macbeth de Florianópolis"
A parceria entre Deborah Evelyn, Dennis Carvalho e Gilberto Braga é antiga. A atriz, que já foi casada com o diretor, esteve em boa parte das novelas que dirigiu. E, graças ao autor, conseguiu papéis marcantes em produções inesquecíveis, como “Celebridade” e “Anos Rebeldes”. Em “Insensato Coração” não é diferente. Sua personagem, Eunice, tem se destacado por ser boa de briga. Na maioria dos capítulos em que apareceu até agora, ela protagonizou grandes cenas de discussão e já pode até levar o título de barraqueira da trama. Deborah sabe que Eunice não dá ponto sem nó. Para ela, sua personagem quer mesmo é subir na vida. A atriz conversou com a coluna.
IG: Sua personagem é responsável por muitos dos conflitos de “Insensato Coração”. Como foi, ao receber a sinopse, descobrir que interpretaria uma mulher que não deixa nada passar em branco?
DEBORAH EVELYN: Eu sempre espero uma personagem do Gilberto com muita ansiedade pois ele sempre escreveu ótimos personagens para mim! Com a Eunice não foi diferente, adorei quando li a sinopse, pois adoro fazer personagens fortes, com grande carga emocional.
IG: É muito desgastante gravar as cenas de discussão? Fica muito cansada depois?
DEBORAH EVELYN: É desgastante mas ao mesmo tempo é muito prazeroso pois uma cena de emoção, seja ela qual for: raiva, desespero, amor, tristeza. Tem que ser vivida e não só interpretada. Eu preciso sempre estar muito concentrada para fazer esse tipo de cena e fico físico e emocionalmente cansada depois.
IG: Em muitos momentos, Eunice mais parece mãe de Luciana. Enquanto Zuleica sofre calada, sua personagem reage, explode e toma as dores da família, quase como um leoa.
DEBORAH EVELYN: A Eunice, como irmã mais velha, tomou para si os cuidados da irmã e ela é uma personagem muito mais passional do que a Zuleica. Ela realmente toma as dores da família e agiria dessa forma em relação a qualquer pessoa que ela ama.
IG: Acha que Eunice pode ser considerada uma vilã por perseguir Pedro apontando seus erros?
DEBORAH EVELYN: Ela é, durante um tempo, antagonista do Pedro, a quem considera responsável pela morte da irmã, e da Marina, por achar que ela traiu a confiança da amiga ao se apaixonar por seu noivo. A diferença é que, com a Marina, ela não é sincera pois espera conseguir dela o que quer: ir para o Rio e Janeiro. A Eunice é, como bem definiu o Ricardo Linhares, a Lady Macbeth de Florianópolis: ela é extremamente manipuladora, acha que está sempre certa, que é o centro do universo; e usa quem tiver que usar para conseguir o que quer.
IG: Você, Gilberto Braga e Dennis Carvalho têm uma parceria de longa data. Essa relação mudou com o tempo?
DEBORAH EVELYN: O Dennis e o Gilberto têm uma parceria muito boa, eles se admiram e respeitam mutuamente. Então, trabalhar com eles é muito prazeroso porque envolve muito talento e profissionalismo. Eu sempre acho válido repetir parcerias que deram certo pois, com o tempo, só vamos aprimorando as relações e isso se reflete no trabalho.
IG: Quais personagens considera inesquecíveis em sua carreira? Tem favoritos?
DEBORAH EVELYN: Eu adoro praticamente todos os personagens que eu interpretei, realmente acho que tenho muita sorte na minha carreira e raramente me senti insatisfeita. Mas poderia destacar a Beatriz, de “Celebridade”; a Alcmena, de “A Muralha”; a Judith, de “Caras & Bocas”; a Salomé, de “JK”; e a Ruth, de “Vida Nova”.
IG: Você sempre foi mais conhecida por personagens mais sofisticadas. Eunice, por sua vez, é de classe média, mas mantém a pose e almeja ascensão social. Não tem vontade de dar vida a mulheres de classes mais populares?
DEBORAH EVELYN: Uma das delícias de ser ator é poder viver personagens diferentes a cada trabalho. Eu adoro quando faço tipos bem distintos e, realmente, fiz mais mulheres sofisticadas. Mas também fiz a Madalena em “Desejo Proibido”, a Alcmena em “A Muralha”, a Zigfrida em “Fera Ferida” e a Ruth em “Vida Nova”, que não eram sofisticadas.
IG: Acha que Eunice reflete o Brasil de hoje, em que todos querem fama e dinheiro? Ela merece castigo por ser ambiciosa?
DEBORAH EVELYN: Acho que de uma certa maneira sim, ela reflete essa necessidade cada vez maior de se ter dinheiro e prestígio sem se importar com os meios para se chegar a isso. Quando a ambição leva uma pessoa a fazer qualquer coisa para conseguir o que quer, quando a ambição dita os valores e os relativiza, acho que merece castigo.
IG: Pretende trazer a peça “Deus da Carnificina” a São Paulo? Aliás, é possível fazer uma novela e uma peça ao mesmo tempo?
DEBORAH EVELYN: Vamos estrear no dia 14 de abril em São Paulo. É bem difícil fazer teatro e televisão ao mesmo tempo pois a carga de trabalho fica enorme e eu já tinha me prometido não juntar mais dois trabalhos. Mas quando aparecem duas oportunidades tão boas como uma novela do Gilberto e uma peça como “Deus da Carnificina”, não dá para recusar nenhum dos dois.
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