‘BBB 12′: Ao tentar retornar às origens, programa desconsidera os ganhos das edições anteriores

Fabiana e Fael, os finalistas do "Big Brother Brasil 12"
Já nos primeiros anos, havia quem afirmasse que a fórmula do “BBB” está gasta. Durante boa parte das edições, no entanto, provou-se o contrário. E dá para perceber claramente o que havia de diferente em cada uma delas. Estava claro que fator prendia a atenção do espectador. O “BBB 5″ foi pautado pelo primeiro gay a se assumir em rede nacional no programa e discutiu a homofobia. O “BBB 7″ conseguiu polarizar o jogo e cativar o público com um triângulo amoroso e ousado entre Alemão, Fani e Íris. O “BBB 8″ se apoiou na relação conflituosa do psiquiatra Marcelo Arantes com os companheiros. O “BBB 9″foi o primeiro a dividir a casa em dois grupos distintos. O “BBB 10″ trouxe de volta ex-brothers e foi o primeiro a ter um time de gays. O “BBB 11″ tentou seguir pelo mesmo caminho ao incluir uma transexual no jogo, mas caiu no marasmo e só foi salvo pela rejeição de Maurício à fogosa Maria e pelo irreverente Daniel. Esta última edição, que prometia ser uma volta às origens, parece ter desaprendido esta lição.
Não se pode afirmar que o décimo segundo “Big Brother Brasil” foi tão chato quanto o sexto, grande exceção a todos, mas muita coisa deu errado. Seu momento de maior repercussão foi um suposto abuso sexual – já desmentido por ambas as partes -, que mais influenciou negativamente que qualquer outra coisa. A dinâmica da disputa também sofreu um retrocesso. Ao apostar em paredões duplos do começo ao fim, roubou a tensão que algumas provas ou o toque do big fone impunham. Da mesma maneira, não dá para ignorar as semelhanças entre os participantes. Só de mulheres que fazem o perfil de “gostosa” eram cinco: Kelly, Fabiana, Monique, Renata e Laisa. De homens “bombados” ou “ogros”, seis: Ronaldo, Yuri, Jonas, Rafael, Daniel, João Maurício. Era tanta semelhança entre todos que não por acaso os que fugiam à regra – Analice, Jakeline, Mayara – fugiram à regra. Os únicos a permanecerem mais tempo foram Fael – caipira, o eterno clichê do programa – e João Carvalho. Ambos homens num programa com audiência predominantemente feminina. Nesse sentido foi, de fato, um retorno aos primeiro anos. Afinal, ganhou mais um caubói.
O clima morno se refletiu na quantidade de votos. Para se ter uma ideia, esta final teve cerca de 43 milhões de votos, menos que a eliminação de Laisa, que somou 50 milhões. Um número bem pequeno, se comparado à final do “BBB 10″, que bateu o recorde mundial da atração, com 151 milhões de sufrágios.
Ainda que o jogo tenha se apoiado no conflito entre Selva e Praia, mais uma vez o forçado bom-mocismo prevaleceu. O time encabeçado por Laisa e Yuri tinha fome de vencer. Errou ao acreditar no jogo absolutamente equivocado de Rafa e perdeu simpatia do público. Na Praia havia uma preocupação maior com a imagem – ou alguém viu Kelly opinar sobre algum assunto em três meses? – que com a entrega àquela realidade. O tempo em que o “BBB” precisava de Narcisos passou. Ele precisa, mais do que nunca, de pessoas que esqueçam das câmeras e não joquem para agradar ao público. Do contrário, aí, sim, a fórmula pode estar condenada. Afinal, além de ser técnico de futebol, todo brasileiro é pitaqueiro de reality show. E quer que o programa tenha vida longa.
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