
Imagem exibida na reportagem sobre o chá de bebê exibido na Record
Um programa de variedades pode levar ao ar todo tipo de pauta. Pode apelar ao sentimentalismo, mostrando pessoas que precisam de ajuda; ou exibir reportagens sobre o mundo dos famosos, curiosidades sobre turismo, animais, etc. Uma das poucas coisas que uma atração desse gênero não pode fazer é usar de jornalismo como plataforma de autopromoção. Além de pegar mal, acaba por levantar questionamentos nem sempre cômodos para quem o faz. Nesta quarta-feira (10), o “Programa da Tarde”, da Record, usou desse expediente.
Sob o pretexto de mostrar um chá de bebê bem produzido, o vespertino levou ao ar uma reportagem exibindo a festa promovida por, ninguém mais, ninguém menos, que seu diretor, Vildomar Batista. Figura de bastidor, como qualquer responsável pelos rumos de uma atração, Vildomar colocou no ar sua esposa, mostrou que presentes ganhou, exibiu mensagens de carinho de famosos dirigidas à sua filha e, claro, deu espaço para quem promoveu o evento – o que, por si só, levantaria suspeitas de algum tipo de permuta, prática comum no universo dos famosos – não há confirmação de que tenha havido, claro. Apesar de a celebração ter contado com várias celebridades da Record, um questionamento é pertinente: será que a festa da filha do diretor do programa era notícia? Em caso de resposta positiva, porque, então, ela conseguiu espaço justamente na produção do próprio?
Levado ao ar em qualquer outro programa, o chá de bebê poderia passar batido, ou ser visto como política da boa vizinhança. Obviamente, não se questiona aqui o talento de Vildomar ou dos apresentadores da atração, que garantiram seu espaço na emissora com bom trabalho. Mas, exibir uma festa promovida por ele mesmo dentro de uma atração na qual o diretor é responsável por toda e qualquer decisão, suscita questionamentos éticos e faz com que pareça favorecimento. O “Programa da Tarde” poderia ter passado sem essa.
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