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quarta-feira, 19 de junho de 2013 Crítica, Jornalismo | 04:21

Mesmo com âncoras atrapalhados, telejornais populares saem na frente na cobertura de onda de protestos

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Marcelo Rezende: erros geográficos e brigas com a equipe

“Virou um sururu na casa de Noca”. Dita assim, esta frase não parece ter sido dita de um jornalista durante momentos de tensão na cobertura da onda de protestos pelo país. Mas, acredite, ela saiu da boca de Marcelo Rezende, apresentador do “Cidade Alerta”, da Record. Desde o início das manifestações criadas pelo Movimento Passe Livre, o âncora viu a audiência de seu programa subir. O índice, que orbita em torno dos 9 pontos, na última terça-feira (18), chegou a picos de 15. E muito disso se deve à maneira peculiar com que o apresentador narra os fatos.

O espectador menos acostumado por ficar tonto tamanha é a, digamos, empolgação do jornalista, que alterna entre câmeras com rapidez e mais parece narrador de futebol ao falar sobre os conflitos. Falta só gritar gol. Por exigir tanto de sua equipe técnica, Rezende acaba brigando no ar com operadores de vídeo e áudio e repórteres. “Vamo, meu filho, eu já falei. O que é que tá demorando? Quem não fica agoniado desse jeito?”, reclama com alguém que opera a mesa de edição. Não por acaso, ele batizou a câmera do helicóptero da atração de “lente nervosa”. O jornalista demanda tanto que ordena, inclusive, em quais áreas ela deve focar. Por ser tão ansioso, acaba cometendo deslizes. Na segunda-feira (17), ao ver a massa de manifestantes na boca de um túnel, anunciou que estavam na Avenida Paulista. Na verdade, estavam nas imediações da Avenida Brigadeiro Faria Lima.

Leia também: Temendo por repórteres e repercussão de cobertura, Globo explica postura no “Jornal Nacional” e retira marca de microfones

O jeito reclamão acaba por vitimizar também repórteres. Ao chamar Fabiana Panachão num link ao vivo direto do Centro de São Paulo, Rezende resolveu dar uma aula à profissional, que estava visivelmente nervosa com o tumulto ao seu redor. “Alguém avisa que quanto mais calma ela falar, melhor! Fabiana, não dispute com o povo que está falando alto. Fale devagar e com calma”. E completou: “Como ninguém orienta, eu oriento”. Pouco depois, percebendo o medo da repórter com a multidão que começava a depredar a Prefeitura, o âncora voltou ao catequismo: “Fica calma, não tenha medo. Se grito superasse tudo o leão não era o rei da selva, era o elefante”. Fato é que Fabiana estava mesmo numa selva e teve de sair fugida do local quando atearam fogo num carro da emissora. Pelo visto, ela tinha mesmo razões para estar nervosa.

O método empregado por Rezende parece agradar ao público. Seus relatos são repletos de frases feitas ou engraçadinhas. “Se o Haddad fosse jogador de basquete, ele jogava a bola na sexta e a bola ia cair só no domingo, de tão lento que ele é”, disse em dado momento.

Datena: saia justa em enquete com e almoço com o prefeito negado

Principal concorrente de Rezende no horário, Jose Luiz Datena parece viver tempos de maior calmaria com o “Brasil Urgente”. Há dias faz questão de ressaltar que a grande massa dos protestos é de gente de bem. Diz admirar Dilma e elogiou sua postura no discurso feito na última terça. A simpatia, no entanto, não parece se estender a Fernando Haddad. Ao ser informado por sua produção que o prefeito de São Paulo não entraria no ar para uma entrevista por telefone, o âncora resolveu abrir segredos. “Fui convidado para almoçar com ele e não fui. Agora não precisa me convidar mais!”. Antes de receber a negativa, porém, apelou ao político dizendo que ele poderia falar o que quisesse se entrasse ao vivo no programa: “Estou aberto até a ser xingado”.

Com índices em torno dos 7 pontos, pelo segundo dia seguido Datena estendeu seu horário na emissora e entrou em edição extraordinária após o “Jornal da Band”, no lugar do espaço vendido à igreja. Nesse momento, pareceu mais empolgado e usou do mesmo truque do seu rival: exibiu à exaustão imagens de vândalos tocando fogo no carro da Record ou saqueando lojas. Um dia antes, o âncora se viu numa saia justa ao abrir enquete com espectadores. Mudou no ar a pergunta “Você é a favor de protesto com baderna?” ao ver que o resultado lhe desagradava.

Datena e Rezende podem ser alvo de crítica de quem não está acostumado com suas abordagens de casos como estes, mas o fato é que é preciso certo traquejo para comandar coberturas ao vivo por horas a fio. E eles têm, cada um ao seu modo. No “SPTV”, por exemplo, Carlos Tramontina pareceu um pouco desconcertado com as notícias de última hora, que certamente alteraram o roteiro de seu telejornal. Por vezes gaguejou ou mostrou hesitação.

Em tempos como estes, é compreensível que as emissoras dediquem espaço maior à exploração do assunto. Torna-se impossível não perceber as discrepâncias entre as coberturas jornalísticas quanto à forma e ao conteúdo retratados em seu noticiário. No ar por mais tempo que os telejornais “tradicionais”, os ditos populares parecem lucrar e explorar mais intensamente os conflitos. Isso nem sempre significa, no entanto, que eles saiam sempre na frente de outro tipo de concorrência. Por volta das 22h30, enquanto Datena repetia imagens dos saques no Centro, bombas explodiam na Bela Vista, um bairro próximo, com direito à Tropa de Choque reprimindo manifestantes. Curiosamente, nenhum canal mostrou o que ocorria ao vivo. Coube a um jornalista à paisana abrir seu celular e transmitir tudo em tempo real para as redes sociais. Mais de 20 mil pessoas assistiram a tudo simultaneamente, inclusive o momento em que ele questionou um policial que havia retirado sua identificação. São novos tempos. Não é à toa que até o “Jornal Nacional” teve de se explicar para os espectadores esta semana.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , , , ,

sexta-feira, 14 de junho de 2013 Bastidores, Crítica | 15:08

Crônica de uma morte anunciada: com cortes esperados para segunda (17), programação da MTV tem clima de despedida

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Pathy, Titi e Juliano, no cenário do "Acesso MTV": fim de uma era

Como a coluna havia adiantado na última quinta-feira (13) a MTV deu início à extinção de alguns programas de sua grade e dispensou VJs. Os primeiros a deixar a emissora foram Titi Muller, Juliano Enrico e Chay Suede. A coluna apurou que na próxima segunda-feira (16), novos cortes devem ocorrer, dessa vez em setores de produção e dirigidos a cortar custos para a editora Abril, atual detentora da marca MTV no país.

A ideia é enxugar os quadros dos funcionários que têm contrato com a Abril por meio de carteira assinada. Os vínculos deverão ser encerrados paulatinamente até setembro, quando a marca deve ser devolvida à Viacom. Há casos de setores em que funcionários que trabalham no esquema de “freela fixo” assumirão os cargos dos contratados CLT.

Na última quinta foi também ao ar o último “Acesso MTV”, que, assim como o “MTV Sem Vergonha” e “A Hora do Chay perdem exibições inéditas. A produção do “Top 20″ já começou a ser dissolvida também.

Na tela, ao vivo, era possível ver a melancolia no rosto dos VJs que apresentavam o “Acesso”. A todo momento, uma piada – impulsionada pelo nervosismo,talvez – pipoca. “Meu próximo emprego vai ser diretor pornô”, brincou Juliano Enrico. Banda convidada da noite, o NX Zero fez questão de ressaltar o legado que a MTV deixa na vida quem cresceu assistindo-a. A Titi Muller, que tentava a todo momento segurar a ansiedade, só restou desabar no choro no desfecho da atração.

Embora ainda exista quem negue o fim da emissora, o que se vê na tela é a crônica de uma morte anunciada. O clima entre espectadores e apresentadores é de despedida. Apesar de haver estreias programadas para junho e julho – uma mesa redonda de futebol e uma série já gravada -, o “VMB”, por exemplo, principal evento da casa, foi cancelado este ano. Na próxima semana, após os cortes, um comunicado deve ser enviado anunciando a reformulação do canal. É o fim de uma era.

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  1. Jared Leto se recusa a dar entrevista para Marimoon na MTV
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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , ,

quarta-feira, 5 de junho de 2013 Bastidores, Crítica, Humor | 03:06

Primeira noite de gravação dos episódios inéditos de ‘Sai de Baixo’ confirma: programa segue atual e engraçadíssimo

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Miguel Falabella, Aracy Balabanian, Luiz Gustavo e Marisa Orth

“Só queria lembrar a todos que isto é uma gravação, então pode haver cenas a repetir ou ator esquecendo o texto. Podem aplaudir à vontade. O cérebro do Falabella, por exemplo, já está fundido. Já o Caçulinha eu trouxe do asilo”. Foi assim, em clima descontraído, que Dennis Carvalho recepcionou a plateia de um dos momentos mais esperados da TV brasileira este ano: a volta de “Sai de Baixo” em episódios inéditos. Programados para ir ao ar no Canal Viva a partir do dia 11 deste mês, os programas trarão de volta Miguel Falabella, Marisa Orth, Márcia Cabrita, Aracy Balabanian e Luis Gustavo do elenco original. Claudia Jimenez, Tom Cavalcante e Claudia Rodrigues ficaram de fora.

Assistir como plateia e não espectador ao humorístico é uma experiência igualmente divertida. Assim como o diretor avisou, muitas cenas precisaram ser interrompidas para que o elenco lembrasse do texto, mas até isso faz parte do charme da atração, que s notabilizou também pelo riso frouxo de seus atores. Iniciado com uma hora de atraso, o espetáculo tinha um clima de expectativa por rever aqueles personagens tão grande que não houve queixas.

O episódio a que a coluna assistiu mostra Neide Aparecida (Cabrita) rica – graças à PEC das emregadas, diga-se – e reunindo toda a trupe, que separou-se há 11 anos. Cassandra (Balabanian) morava com uma tia sovina. Vavá (Gustavo) foi para a Amazônia. Magda (Orth) foi extraditada da Europa e passou a morar no aeroporto. Caco (Falabella) foi preso na Dinamarca. Caquinho, o caçula da família, é apenas citado: virou ex-BBB e hoje vive de fazer “presença”. Se os rumos que os personagens tomaram já parecem surpreendentes, prepare-se porque o texto de Artur Xexéo e Falabella é delirante. No melhor dos sentidos. Tony Ramos faz uma participação especial como um mordomo. Os atores, aliás, parece que nunca deixaram os personagens de lado e pegaram exatamente do ponto onde pararam.

É nos momentos inesperados que surgem também as maiores surpresas. Numa sequência em que leva Magda e Jean (Ramos) para o quarto, Caco diz: “Na cadeia me abri a novas experiências”. E completa com um merecido “Vou pegar esse urso! Chupa, Feliciano!”. A plateia, claro, apoiou em peso. Uma das grandes razões para o sucesso de “Sai de Baixo” residia no fato de o programa brincar com assuntos da atualidade. E este retorno não foge à regra. Há brincadeiras com o preço do tomate e a situação dos aeroportos, por exemplo.

Infelizmente, as sessões dos episódios inéditos são fechadas para convidados. Isso não significa, claro, que a diversão não está garantida. Ver na TV essa turma toda reunida novamente é um programão. Vale a pena sintonizar no Canal Viva a partir do dia 11 para assistir.

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  2. Episódios inéditos de ‘Sai de Baixo’ ganham data de gravação e exibição no Canal Viva. Saiba como será a história!
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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , , , , , , ,

terça-feira, 4 de junho de 2013 Crítica, Humor | 05:41

‘CQC’ desperdiça o talento de Dani Calabresa

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Dani Calabresa: alvo de roteiros problemáticos

Não há dúvidas sobre o talento de Dani Calabresa. A humorista, experiente e cheia de recursos, não chamou atenção da Band à toa. A leveza e despretensão com que comandava o “Furo MTV” ao lado de Bento Ribeiro, bem como suas imitações no “Comédia MTV” renderam ótimos momentos e até hoje seguem sendo lembrados em conversas entre amigos, nas redes sociais ou via YouTube. Chama atenção, no entanto, o completo descaso que o “CQC” parece ter dedicado à artista após sua estreia – uma das mais aguardadas do ano, diga-se.

Inicialmente, Calabresa dividiria a bancada por alguns minutos e chamaria seu quadro. Poucas semanas após entrar no ar, sumiu dos momentos ao vivo. Já seu segmento, que pretendia emular os tempos do “Furo”, peca pelo que havia de melhor na antiga emissora: roteiro e edição. Não dá para acreditar que achem engraçado tudo o que escrevem para a humorista, que, aliás, consegue salvar com seu jeito despachado um desastre ou outro. Curiosamente, são exatamente essas áreas apontadas com deficiência no quadro na época de estreia. Parece não ter havido grande melhora.

Para completar, a edição dos cinco minutos semanais também comete erros básicos. Na última segunda-feira (3), por exemplo, quando contracena consigo mesma vestida de Dilma, Calabresa diz: “Eu não sou burra”. Ocorre que o xingamento vindo da sátira à presidenta só viria segundos depois. Qualquer bom editor, roteirista ou diretor atento perceberia que a “piada” veio fora de hora. E seria abolutamente fácil corrigi-la. Isso para não citar o interminável esquete com Mônica Iozzi – que estabelece boas tabelinhas, ressalte-se -, repleto de tiradas relacionadas ao futebol que qualquer criança na quinta série já teria superado.

Quando participou de uma edição especial do programa no ano passado, a humorista foi às ruas e conseguiu momentos hilários. Deu show de improvisação. Tanto no “Furo” quanto no “Comédia”, da MTV, parecia conseguir achar pequenos espaços nas marcações para uma brincadeira ou outra. Agora, no esquema atual, está mais amarrada do que deveria.

Quando assinou com a Band, Calabresa teve também a promessa de um programa solo. Para os que são fãs de seu trabalho – como a coluna – resta rezar para que isto ocorra logo. Porque, a julgar pela disposição que o “CQC” tem mostrado pela sua integrante, ainda veremos muita piada sem graça pela frente. A humorista merece mais.

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  1. Dani Calabresa assina com a Band e já pode ser considerada a mais nova integrante do ‘CQC’
  2. Estreia do novo ‘Furo MTV’ mostra que programa terá de recuperar química perdida com saída de Dani Calabresa
  3. Com reforço de Dani Calabresa, ‘CQC’ volta bem de audiência e em busca de novos rumos
Autor: Fernando Oliveira Tags: , , ,

segunda-feira, 3 de junho de 2013 Bastidores, Crítica | 04:55

Nova onda de demissões mostra que a Record passa por reestruturação profunda e deixou sonho da liderança de lado

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Record: cerca de 500 demissões à vista

Na última sexta-feira (31), mesmo sendo “feriado imprensado” para alguns, houve quem trabalhasse na Record. E, entre os que circularam pelos corredores da emissora, o assunto era um só: mais cortes deverão ocorrer em breve. A desconfiança não se dá à toa. A coluna apurou que nos próximos meses a ideia é cortar cerca de 400 funcionários no RecNov, no Rio de Janeiro, e 100, em São Paulo. A situação no departamento de dramaturgia da emissora é ainda mais alarmante porque, recentemente, já foram demitidas mais de 100 pessoas. A alegação, na época, é que havia muita gente parada. De fato, com a produção de novelas reduzida a apenas uma por vez, uma equipe de 80 maquiadores e figurinistas parecia inflada. Mas não é apenas isso que está por trás dessa “reestruturação” da emissora.

Há alguns meses, um homem de confiança de Edir Macedo, chamado Marcos Vinícius, assumiu a tarefa de colocar na ponta do papel tudo o que dá lucro ou prejuízo à empresa. Com essa devassa nas contas, o “Programa da Tarde” quase foi a primeira vítima, sendo salvo graças a uma renovação de patrocínio de última hora. Contratos passaram a ser renegociados. Apresentadores foram chamados para rediscutir o salário. Atores como Vitor Fasano e Letícia Colin foram dispensados. Parte da produção do “Programa do Gugu”, com contratos a vencer, corre o risco de ser dispensada, enquanto outra de ter os honorarios reduzidos.

O fato é que a Record tem entendido que pode sair mais caro do que se pretende produzir os programas do próprio bolso. A emissora cogita pôr em prática em breve um plano de terceirização de seus produtos. Ou seja: atrações de auditório, novelas e séries passariam a ser criados e gravados fora da Barra Funda, por uma produtora independente. Já haveria, inclusive, um acordo com a Casablanca nesse sentido. Apenas o jornalismo seria mantido do jeito que está.

É curioso que uma emissora que há anos dizia-se “no caminho da liderança” agora conforme-se à batalha pelo segundo lugar, às vezes perdido para o SBT num mês ou outro. Conversando com uma fonte de alto escalão, a coluna ouviu um desabafo: “Antes, todos queriam, unidos, levar a empresa ao topo, tinha um espírito vontade e trabalho para fazer dar certo muito claro. Com os últimos acontecimentos e tantos cortes o desânimo é geral”. Faz sentido. Mas o fato de a “torneira ter secado” não dá à Record o direito de se acomodar. Vive-se um outro momento, mas ele pode propiciar um bom recomeço, despertar a criatividade de todos.

A batalha da empresa por audiência e qualidade é bem vinda – e esperada – pelo mercado e pelos espectadores. É saudável que haja concorrência e que o mundo artístico não se resuma a apenas uma grande emissora. Ampliam-se as possibilidades para atores, produtores, diretores e apresentadores, por exemplo. A coluna torce para que a fase ruim passe logo. E que os que sofrerem cortes se recoloquem logo no mercado.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: ,

terça-feira, 28 de maio de 2013 Crítica, Seriado | 03:13

‘A Menina Sem Qualidades’, da MTV, é intensa e perturbadora, mas distrai ao fazer música ofuscar a história

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Bianca Comparato, a protagonista de "A Menina Sem Qualidades", da MTV

Incursão da MTV no terreno da dramaturgia, “A Menina Sem Qualidades” é desses projetos que parecem unanimidade antes mesmo de serem vistos por serem beneficiados por uma “grife”. Me refiro, claro, à chancela de Felipe Hirsch, renomado diretor de teatro, com experiência também no cinema. Baseada no livro homônimo escrito pela alemã Juli Zeh, a série acompanha os passos de Ana, uma garota introspectiva, ávida leitora de romances, que guarda em sua solidão certo mistério. Camadas tão complexadas são conferidas à personagem por Bianca Comparato, num belo exercício de interpretação. Ao atuar de maneira por vezes tão econômica, a atriz acaba por potencializar os sentimentos da adolescente.

Ao contrário de dramas populares, o ritmo que a direção e a montagem imprimem ao seriado é lento, contemplativo, como que para ambientar o espectador num universo que explodirá em confusão e obsessão conforme a história se desenrola. A fotografia é acertada e capricha em planos longos, ora no meio do mato, ora numa piscina coberta. A partir de imagens como essas se abre um pequeno acesso ao que se passa de verdade com aquela garota, que, a princípio complicada como qualquer jovem, acaba por surpreender no fim do primeiro episódio numa virada violenta. É graças a esse gancho bem criado, aliás, que qualquer problema técnico – ou piedade pela personagem – desaparece. É tão forte que deixa ao espectador a tarefa de lidar com o choque.

Há, no entanto, ruídos que impedem que a produção seja 100% bem sucedida. O som, por vezes diminuído em detrimento de barulhos ou músicas mais atrapalha que cativa. Da mesma maneira, a trilha sonora, embora cheia de músicas incríveis, acaba sendo usada em demasia em determinadas cenas, o que acaba por despertar a seguinte questão: estaria a trilha a serviço da série ou a série a serviço da trilha? A pergunta é pertinente especialmente quando percebe-se que ações de divulgação estão focadas especialmente na playlist da trama. Está certo que a MTV é uma emissora musical, mas, neste caso específico, as canções estão longe de ser objeto primordial de atenção.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , ,

segunda-feira, 27 de maio de 2013 Briga pela audiência, Crítica | 16:29

‘Morning Show’ peca pela falta de foco, mas é de longe a melhor estreia dos últimos tempos da Rede TV!

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Os apresentadores do "Morning Show", nova atração da Rede TV!

É difícil explicar do que se trata o “Morning Show”, nova atração da Rede TV! lançada na manhã desta segunda-feira (27). Seria uma espécie de “CQC” matinal em que as notícias são retratadas com um viés de humor? Seria algo parecido com o “Saia Justa”, em que atualidades são debatidas? Ou um pretenso novo “Muito +”, que explora o mundo das celebridades? A julgar pelo programa de estreia, um pouco de tudo isso se aplica. O projeto é quase um “frango com tudo dentro”, mas, feitos pequenos ajustes, tem grandes chances de funcionar.

Ao longo de uma hora, foram abordados assuntos como a briga do prefeito do Rio Eduardo Paes – seguida por um vídeo montagem engraçadinho -, a despedida de Neymar, uma suposta briga entre Susana Vieira e Antonio Fagundes e celebridades que engordam. Entre um VT e outro, houve brincadeira como “quem é o famoso que aparece quando criança na foto” e um sopro via telefone que finge apagar uma vela. Tudo sob pretexto de interatividade, recurso válido e tão usado na TV hoje. Tudo se passa sob o comando de Zé Luis e outro quatro apresentadores, que volta e meia fazem alguma gracinha.

De início, pode-se apontar que o programa sofre do mesmo problema ocorrido em debates na TV. Por vezes fala-se muito para dizer nada.  Sem função muito clara, a maior parte dos apresentadores acrescenta uma fala aqui ou ali e acabam por atropelar um ao outro. Há que se tomar mais cuidado nesse quesito. Estranhamente, mesmo tentando abraçar o mundo com as mãos e sem um foco pré-estabelecido, o “Morning Show” funciona. Pode ser considerado, aliás, a melhor estreia da Rede TV! em muito tempo. O cenário é bonito, a proposta de linguagem de câmera é esperta e o acabamento é superior a outras atrações da casa.

No quesito audiência, o programa de estreia foi mal. Registrou apenas 0,5 ponto e amargou a quinta colocação. Isso não impede, no entanto, que haja crescimento. Resta divulgar melhor e seguir apostando em assuntos quentes.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , ,

quarta-feira, 22 de maio de 2013 Crítica, Jornalismo | 14:01

‘Profissão Repórter’ cumpre função que o ‘Globo Repórter’ insiste em ignorar

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Caco Barcellos (no centro) com a equipe de jovens jornalistas do "Profissão Repórter"

Ano após ano, o “Globo Repórter” vira alvo de um tipo de comentário que já virou anedota. A impressão que parte do público tem é que toda semana o jornalístico só fala de animais selvagens ou viagens exóticas. A reflexão sobre o cotidiano do país, suas questões mais urgentes e debates políticos parecem ficar em segundo plano na agenda do programa. Sorte do espectador que pode contar com o “Profissão Repórter” para essa finalidade.

Nas duas últimas semanas, a atração comandada por Caco Barcellos tocou em dois temas que, apesar de debatidos, são pouco aprofundados pela grande mídia: o estupro e a pesada seca no Nordeste. Em ambos, apresentou histórias dramáticas sem pisar fundo no sensacionalismo, mas primando pelo capricho na investigação das reportagens. No primeiro caso, por exemplo, uma repórter conseguiu conversar com os integrantes de uma banda de axé da Bahia acusada de abusar sexualmente de duas jovens. “Estuprador é uma palavra muito forte”, declarou um dos músicos, como se procurasse atenuar a acusação, para o choque de quem assistia. Na última terça-feira (21), nem mesmo os corações mais fortes puderam resistir ao drama das famílias que têm de usar água suja e veem os rebanhos morrendo sem poder evitar por causa da escassez de chuvas.

É difícil entender como um problema tão urgente ganha pouco tempo nos noticiários. Talvez pelo momento considerado economicamente próspero que o país vem vivendo nos últimos anos, esse tipo de reportagem fuja ao otimismo que tantos esperam e relembre que, de tempos em tempos, a seca se repete. Ainda bem que há jornalistas como Caco, que não fecham os olhos para tais assuntos.

Anos após ter entrado no ar, o “Profissão Repórter” segue como opção de qualidade, primando pela boa apuração das histórias e ao mesmo tempo mostrando o despertar de novos jornalistas a partir da construção de assuntos específicos. Poderia muito bem ocupar o espaço do “Globo Repórter”, que tem sofrido com a falta de grandes reportagens. Justiça seja feita, quando o jornalístico das sextas-feiras quer, ele consegue produzir bom material, caso de um especial sobre as drogas recentemente exibido, mas não sem alternar com enlatados, muitas viagens e vida animal. A questão é simples: se o “Profissão Repórter” consegue semanalmente produzir conteúdo próprio e de qualidade, porque não conseguiria um dos programas mais antigos da TV brasileira? Com a resposta, a Globo.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , ,

terça-feira, 21 de maio de 2013 Briga pela audiência, Crítica, Novela | 23:50

‘Dona Xepa’: Estreia deixa Record na vice-liderança e tem boas interpretações com história familiar

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Ângela Leal, a protagonista de "Dona Xepa"

Olhando em retrospecto, os maiores sucessos de audiência da dramaturgia Record na faixa das 22h baseavam-se em tramas policiais ou de ação. Foi assim com “Vidas Opostas” e “Vidas em Jogo”. Todas, no entanto, combinavam tais sequências com núcleos cheios de romance e humor. “Máscaras”, que tentou enveredar pelo mesmo caminho, acabou por derrubar pesadamente o horário com uma trama rocambolesca, com fundo político e seriedade excessiva. A emissora achou por bem, então, seguir o caminho oposto e, com “Balacobaco”, fez predominar o tom de comédia. Os índices reagiram, mas seguiram longe dos cerca de 20 pontos dos áureos tempos. É de se questionar, portanto, porquê a emissora insiste na ideia com “Dona Xepa”, uma novela extremamente solar, colorida e com história leve, num horário que consagrou enredos, digamos, mais adultos.

Não dá para saber se, ao ser exibida mais cedo, o folhetim repetiria o sucesso das antecessores, mas a julgar pelo primeiro capítulo, a produção tem boas chances de cativar o público que gosta das novelas da emissora. Já adaptada para a TV outras vezes, “Xepa” desta vez ganha as telas sob a pena de Gustavo Reiz e com Ângela Leal no papel de protagonista. A atriz dá conta do recado e deve render bons momentos na parceria com Bia Montez, Manoelita Lustoza e Bemvindo Sequeira Além disso, capta exatamente a alma da personagem, que, apesar de despachada, tem amor cego pelos filhos e sofre por causa disso, especialmente pela ambiciosa Rosália, com interpretação certeira de Thaís Fersoza, mais linda do que nunca.

Leia também: “Não precisei namorar com executivos da Record para ganhar papel na novela”, diz Robertha Portella

Outros acertos no elenco podem ser apontados: caso de Luisa Tomé, como Meg Pantaleão; Anna Zettel, como Lady; Castrinho, como Ângelo; e Emílio Dantas, como Benito. Outros atores como Márcio Kieling, Gabriela Durlo e Robertha Portella parecem não ter encontrado o tom exato para seu personagem. Nos quesitos técnicos, estão corretas iluminação, fotografia e cenografia, mas os figurinos deixam a desejar. E muito. Parece que alguém resolveu sabotar o visual de alguns artistas, especialmente os de Arthur Aguiar – outro acerto de casting – e Luisa Tomé, que mereciam penteados melhores e mais bem cuidados.

Em suma: “Dona Xêpa” pode não repetir os grandes números da época de “Vidas Opostas”, mas certamente encontrará lugar na agenda de espectadores que gostem de uma boa história familiar. De acordo com a prévia do Ibope, a estreia da novela deixou a Record na vice-liderança. Marcou 9 pontos de média, contra 20 da Globo e 8,5 do SBT. Suas antecessoras, “Balacobaco” e “Máscaras” registraram 8 e 6 pontos, respectivamente, no primeiro capítulo.

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , ,

segunda-feira, 20 de maio de 2013 Briga pela audiência, Crítica, Novela | 23:06

‘Amor À Vida’ estreia com mesma audiência que ‘Salve Jorge’, vilão carismático e edição vertiginosa

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Paola Oliveira na cena do parto de Paloma, em "Amor À Vida"

Passada toda a repercussão negativa causada por “Salve Jorge”, a Globo parece ter encontrado uma novela das oito capaz de fazer o público esquecer um pouco Carminha e companhia, de “Avenida Brasil”, que viraram base de comparação durante toda a trama de Gloria Perez. A julgar pelo capítulo de estreia, “Amor À Vida”, de Walcyr Carrasco, tem grandes chances de prender o público ao pisar fundo no drama, mas sem esquecer que, em dias atuais, em que tudo ocorre em questão de segundos, ninguém tem paciência para ser enrolado por dias até que histórias se resolvam.

Com edição ultra rápida, o novo folhetim mostrou narrativa quase vertiginosa. Num único capítulo, a mocinha Paloma (Paolla Oliveira) se apaixonou, foi para a cama com um rapaz, fugiu, engravidou, viu o namorado ser preso, libertado, rompeu a relação, pariu e teve a filha roubada pelo irmão malvado. Félix, inclusive, já pode ser apontado como grande destaque da trama. Interpretado com afetações sutis por Mateus Solano, o vilão já deu que será dessas figuras que os espectadores adoram odiar, assim como foi com Carminha. Aliás, ainda que com histórias distintas, é impossível não traçar um paralelo entre “Amor À Vida” e “Avenida Brasil” no que diz respeito à sua grande reviravolta. Numa, Max (Marcello Novaes) abandona a pequena Nina (Mel Maia) num lixão. Na outra, Félix deixa a bebê da irmã numa caçamba de detritos. O paralelo, no entanto, deve parar por aí, já que, ao invés de catar despojos, Paula (Klara Castanho) será adotada por um bom rapaz, Bruno (Malvino Salvador).

Normalmente criticado pelo excesso de didatismo nos textos de seus folhetins anteriores, Walcyr Carrasco parece ter se contido nesse sentido e criou personagens carismáticos. Susana Vieira é uma delas e deve matar as saudades de quem amou vê-la na pele de vilãs como Branca Letícia de Barros Motta, de “Por Amor”. Nos quesitos técnicos, a novela também foi muito bem. Wolf Maya e Mauro Mendonça Filho, além de captarem belas imagens do Peru, exibiram fotografia interessante – apesar do exagero no chroma key em alguns momentos – e muito capricho na composição das externas em São Paulo. Há que se apontar um fator negativo: a música de abertura não é das mais bonitas.

É cedo para afirmar que “Amor À Vida” vai levantar os índices que “Salve Jorge” derrubou e não repetirá erros já vistos. Mas há muito potencial para que se saia bem. Resta saber como a novela ficará ao chegar nos dias atuais, quando personagens esperados como Valdirene (Tatá Werneck) e Nicole (Marina Ruy Barbosa) entrarão no folhetim. No quesito audiência, a trama marcou 35 pontos, de acordo com dados prévios do Ibope, mesma marca de sua antecessora. O pico foi de 37 pontos.

Confira as audiências dos primeiros capítulos das últimas novelas das nove:

“Amor À Vida” – 35 pontos

“Salve Jorge” – 35 pontos

“Avenida Brasil” – 37 pontos

“Fina Estampa” – 41 pontos

“Insensato Coração” – 37 pontos

“Passione” – 37 pontos

“Viver a Vida” – 42 pontos

“Caminho das Índias” – 39 pontos

“A Favorita” – 35 pontos

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Autor: Fernando Oliveira Tags: , , , , , , , ,

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