‘Dona Xepa’: Estreia deixa Record na vice-liderança e tem boas interpretações com história familiar

Ângela Leal, a protagonista de "Dona Xepa"
Olhando em retrospecto, os maiores sucessos de audiência da dramaturgia Record na faixa das 22h baseavam-se em tramas policiais ou de ação. Foi assim com “Vidas Opostas” e “Vidas em Jogo”. Todas, no entanto, combinavam tais sequências com núcleos cheios de romance e humor. “Máscaras”, que tentou enveredar pelo mesmo caminho, acabou por derrubar pesadamente o horário com uma trama rocambolesca, com fundo político e seriedade excessiva. A emissora achou por bem, então, seguir o caminho oposto e, com “Balacobaco”, fez predominar o tom de comédia. Os índices reagiram, mas seguiram longe dos cerca de 20 pontos dos áureos tempos. É de se questionar, portanto, porquê a emissora insiste na ideia com “Dona Xepa”, uma novela extremamente solar, colorida e com história leve, num horário que consagrou enredos, digamos, mais adultos.
Não dá para saber se, ao ser exibida mais cedo, o folhetim repetiria o sucesso das antecessores, mas a julgar pelo primeiro capítulo, a produção tem boas chances de cativar o público que gosta das novelas da emissora. Já adaptada para a TV outras vezes, “Xepa” desta vez ganha as telas sob a pena de Gustavo Reiz e com Ângela Leal no papel de protagonista. A atriz dá conta do recado e deve render bons momentos na parceria com Bia Montez, Manoelita Lustoza e Bemvindo Sequeira Além disso, capta exatamente a alma da personagem, que, apesar de despachada, tem amor cego pelos filhos e sofre por causa disso, especialmente pela ambiciosa Rosália, com interpretação certeira de Thaís Fersoza, mais linda do que nunca.
Outros acertos no elenco podem ser apontados: caso de Luisa Tomé, como Meg Pantaleão; Anna Zettel, como Lady; Castrinho, como Ângelo; e Emílio Dantas, como Benito. Outros atores como Márcio Kieling, Gabriela Durlo e Robertha Portella parecem não ter encontrado o tom exato para seu personagem. Nos quesitos técnicos, estão corretas iluminação, fotografia e cenografia, mas os figurinos deixam a desejar. E muito. Parece que alguém resolveu sabotar o visual de alguns artistas, especialmente os de Arthur Aguiar – outro acerto de casting – e Luisa Tomé, que mereciam penteados melhores e mais bem cuidados.
Em suma: “Dona Xêpa” pode não repetir os grandes números da época de “Vidas Opostas”, mas certamente encontrará lugar na agenda de espectadores que gostem de uma boa história familiar. De acordo com a prévia do Ibope, a estreia da novela deixou a Record na vice-liderança. Marcou 9 pontos de média, contra 20 da Globo e 8,5 do SBT. Suas antecessoras, “Balacobaco” e “Máscaras” registraram 8 e 6 pontos, respectivamente, no primeiro capítulo.
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