Já faz uns belos dois meses que estou devendo um post introdutório para o blog, e a vergonha na cara finalmente inspirou-se em me esmurrar.
Meu nome é Bruno Vasone e videogames fazem parte da minha vida desde que me conheço por gente. Claro, não apenas games mas várias formas de entretenimento – argh, essa palavra é horrorosa, que tal arte? – nerd e non-sense, tudo que simula e causa aquela sensação de absurdo e desprendimento da realidade que faz com que a gente tolere as verdadeiras insanidades do cotidiano. Mas sendo games o tema principal desta saudosa que daqui pra frente chamo de casa, foquemos neles.
Meu primo, de quem recentemente recebi um convite para ser padrinho de seu casamento – tá ouvindo o tema do Poderoso Chefão ao fundo? – foi quem primeiro me revelou o fantástico mundo desta arte narrativa virtual e interativa. Eu já tinha tido um Atari, mas convenhamos aquilo não passava de um brinquedo. Não, estou falando de jogos como Maniac Mansion, Leisure Suite Larry, Myst: games que utilizando recursos simples como um monitor de fósforo verde e sons rudimentares de bleeps e blops apresentavam um certo “je ne sais quoi”… uma graciosidade e inventividade que apontavam para o futuro de uma mídia de incalculável potencial artístico, que até hoje ainda luta para sequer imaginar qual poderia ser esse potencial.
Não desmerecendo os videogames é claro. Já ouviu aquele papo de que à mídia ainda falta uma espécie de “Cidadão Kane” para concretizá-la como forma de arte? Bosta de boi! – perdoem meu inglês. Já perdi a conta de quantas vezes já me emocionei ao jogar um game, seja com lágrimas de choro ou riso. E é verdade que para cada “Shadow of the Colossus” ou “Portal” ou “Day of the Tentacle” existam dezenas, senão centenas, de Peggles e Bejeweleds, mas isso também não é verdade quando olhamos para o cinema ou para a música?
A arte está no olho de quem vê, analisa, interpreta e por ela é tocado, e não necessariamente precisa atingir uma certa massa crítica para atingir status como tal. Se dependemos de milhões de Wii’s empoeirados e exploração corporativa de ambientes virtuais como Second Life para que games sejam reconhecidos como expressão artística pelo “establishment”, eu pessoalmente prefiro continuar jogando Braid no meu porão.
Mas voltando ao assunto – meu umbigo – depois muitas madrugadas perdidas com Command and Conquers e Full Throttles, em meados da faculdade de jornalismo, me deparei com o fenômeno das lan houses, e antes do que pudesse perceber, estava organizando torneios internacionais de esportes eletrônicos pelo Brasil. Ao mesmo tempo, comecei a escrever sobre games para alguns veículos de comunicação. Alguns anos depois, abandonei os e-sports por motivos éticos e… bom, vamos resumir que já deu né: cá estou.
Acho que o que estou tentando dizer é o seguinte: depois de mais de 20 anos respirando videogames e outras formas de cultura “imaturas” e de certa forma rebeldes e transgressoras, de repente me caiu a ficha do quão poderosa essas novas formas de arte se tornaram. Suas influências estão em toda a parte, fruto de uma geração que cresceu mimada por tecnologias de experiências e narrativas interativas que ainda não são reconhecidas e compreendidas pela maior parte da sociedade.
Mas quem liga? Nós, assim como os games, já somos bem “grandinhos” e maduros o suficiente para reconhecer nossa própria existência e nos expressarmos, sem depender de grandes meios de comunicação ou do establishment para tal. Nós reconhecemos o valor expressivo e comunicacional dessas obras de arte chamadas games, e por vezes produzimos arte baseada neles. Porra, alguns de nós já praticamente vivem em dimensões virtuais de fantasia. Quer mais sinal de rebeldia do que mandar a realidade às favas e criar novas sociedades virtuais absolutamente independentes de governos e instituições moralistas e opressoras? E tem gente que ainda duvida que os games são o novo punk.
Daí o nome do blog, alusão a uma geração que cresceu cercada por videogames, reconhece e respira sua inventividade, transgressão e qualidade avant-garde e recusa a premissa de que o meio de expressão artística e cultural mais promissor deste século não passe de um brinquedo para crianças. “Joguinho” é o #######.
Verdade que os games ainda dão seus primeiros passos rumo à maturidade artística e midiática, mas quem não quer acompanhar esse Big Bang de camarote?
Uma celebração à cultura dos videogames é o que você pode esperar deste blog, e espero poder cumprir com a premissa. Sejam bem-vindos e sintam-se em casa.
/cheers