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09/09/2009 - 06:16

Start new game

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Já faz uns belos dois meses que estou devendo um post introdutório para o blog, e a vergonha na cara finalmente inspirou-se em me esmurrar.

Meu nome é Bruno Vasone e videogames fazem parte da minha vida desde que me conheço por gente. Claro, não apenas games mas várias formas de entretenimento – argh, essa palavra é horrorosa, que tal arte? – nerd e non-sense, tudo que simula e causa aquela sensação de absurdo e desprendimento da realidade que faz com que a gente tolere as verdadeiras insanidades do cotidiano. Mas sendo games o tema principal desta saudosa que daqui pra frente chamo de casa, foquemos neles.

Meu primo, de quem recentemente recebi um convite para ser padrinho de seu casamento – tá ouvindo o tema do Poderoso Chefão ao fundo? – foi quem primeiro me revelou o fantástico mundo desta arte narrativa virtual e interativa. Eu já tinha tido um Atari, mas convenhamos aquilo não passava de um brinquedo. Não, estou falando de jogos como Maniac Mansion, Leisure Suite Larry, Myst: games que utilizando recursos simples como um monitor de fósforo verde e sons rudimentares de bleeps e blops apresentavam um certo “je ne sais quoi”… uma graciosidade e inventividade que apontavam para o futuro de uma mídia de incalculável potencial artístico, que até hoje ainda luta para sequer imaginar qual poderia ser esse potencial.

Não desmerecendo os videogames é claro. Já ouviu aquele papo de que à mídia ainda falta uma espécie de “Cidadão Kane” para concretizá-la como forma de arte? Bosta de boi! – perdoem meu inglês. Já perdi a conta de quantas vezes já me emocionei ao jogar um game, seja com lágrimas de choro ou riso. E é verdade que para cada “Shadow of the Colossus” ou “Portal” ou “Day of the Tentacle” existam dezenas, senão centenas, de Peggles e Bejeweleds, mas isso também não é verdade quando olhamos para o cinema ou para a música?

A arte está no olho de quem vê, analisa, interpreta e por ela é tocado, e não necessariamente precisa atingir uma certa massa crítica para atingir status como tal. Se dependemos de milhões de Wii’s empoeirados e exploração corporativa de ambientes virtuais como Second Life para que games sejam reconhecidos como expressão artística pelo “establishment”, eu pessoalmente prefiro continuar jogando Braid no meu porão.

Mas voltando ao assunto – meu umbigo – depois muitas madrugadas perdidas com Command and Conquers e Full Throttles, em meados da faculdade de jornalismo, me deparei com o fenômeno das lan houses, e antes do que pudesse perceber, estava organizando torneios internacionais de esportes eletrônicos pelo Brasil. Ao mesmo tempo, comecei a escrever sobre games para alguns veículos de comunicação. Alguns anos depois, abandonei os e-sports por motivos éticos e… bom, vamos resumir que já deu né: cá estou.

Acho que o que estou tentando dizer é o seguinte: depois de mais de 20 anos respirando videogames e outras formas de cultura “imaturas” e de certa forma rebeldes e transgressoras, de repente me caiu a ficha do quão poderosa essas novas formas de arte se tornaram. Suas influências estão em toda a parte, fruto de uma geração que cresceu mimada por tecnologias de experiências e narrativas interativas que ainda não são reconhecidas e compreendidas pela maior parte da sociedade.

Mas quem liga? Nós, assim como os games, já somos bem “grandinhos” e maduros o suficiente para reconhecer nossa própria existência e nos expressarmos, sem depender de grandes meios de comunicação ou do establishment para tal. Nós reconhecemos o valor expressivo e comunicacional dessas obras de arte chamadas games, e por vezes produzimos arte baseada neles. Porra, alguns de nós já praticamente vivem em dimensões virtuais de fantasia. Quer mais sinal de rebeldia do que mandar a realidade às favas e criar novas sociedades virtuais absolutamente independentes de governos e instituições moralistas e opressoras? E tem gente que ainda duvida que os games são o novo punk.

Daí o nome do blog, alusão a uma geração que cresceu cercada por videogames, reconhece e respira sua inventividade, transgressão e qualidade avant-garde e recusa a premissa de que o meio de expressão artística e cultural mais promissor deste século não passe de um brinquedo para crianças. “Joguinho” é o #######.

Verdade que os games ainda dão seus primeiros passos rumo à maturidade artística e midiática, mas quem não quer acompanhar esse Big Bang de camarote?

Uma celebração à cultura dos videogames é o que você pode esperar deste blog, e espero poder cumprir com a premissa. Sejam bem-vindos e sintam-se em casa.

/cheers

Autor: Bruno Vasone - Categoria(s): non-sense Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
21/07/2009 - 16:40

Atletas comentam videogames enquanto esporte olímpico

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Há alguns meses nós fizemos no Arena Turbo uma brincadeira de 1º de abril com notícias falsas, e a que mais fez sucesso foi a que “confirmava” o game Counter-Strike como esporte olímpico em Londres 2012. Aparte a tiração de sarro, este é um assunto um tanto polêmico no mundo gamer: afinal de contas, o que desqualifica a prática de games como um esporte legítimo?

 

Matthew Morison

Pois em uma sessão de fotos realizada pela Sega para promover o jogo Winter Games 2010, a revista Wired perguntou aos atletas olímpicos presentes o que eles acham a respeito dos videogames tornarem-se um esporte olímpico. As respostas foram bem divergentes e interessantes.

 

O “snowboarder” canadense Matthew Morrison, auto-declarado um ‘fanboy’ do Xbox 360, acredita que sim, games podem definitivamente ser considerados como esportes, mas não está tão certo quanto à uma provável adição às Olimpíadas. “Definitivamente games são um esporte. Mas um esporte olímpico? Não tenho muita certeza quanto á isso”, diz o atleta de 22 anos.

 

Morrison justifica: “Atletas olímpicos precisam utilizar-se de força bruta para competir, enquanto nos games é mais uma questão de coordenação entre olho e mãos e estratégia, definitivamente menos físico. Entenda: eu não me ofenderia se os games se tornassem um esporte olímpico, mas eu prefiro continuar no snowboarding de verdade.”

 

Kristina Groves

Já a norte-americana Lindsey Vonn mostra-se mais entusiasmada com a idéia: “Claro que games devem ser considerados um esporte competitivo, como tantos outros. Milhões de jogos poderiam ser esportes olímpicos, como o poker por exemplo; talvez eles pudessem ter suas próprias Olimpíadas”.

 

A esquiadora de 24 anos, que ama seu DS, afirma que certamente participaria com prazer de tal competição se ela algum dia viesse a existir. “Eu definitivamente tentaria vencer uma medalha olímpica em esqui virtual”, diverte-se Lindsey. “Talvez eu já não esteja mais esquiando de fato quando isso acontecer, então seria ótimo poder competir por uma medalha nos games, eu adoraria.”

 

Outros atletas possuem um ponto de vista mais tradicional, como a canadense Kristina Groves, de 32 anos, que reconhece não ser muito familiarizada com os videogames. “Não concordo pois esportes são parte de uma realidade muito física. Você não pode simplesmente imitá-lo; a ideia principal do esporte é praticá-lo de fato.”

 

Em que pé estamos?

 

Porém, se até o xadrez já foi reconhecido como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional, o que impede

que os games também o sejam? Muitos títulos requerem o mesmo nível de raciocínio e esforço físico que o enxadrismo, se não mais. Da mesma maneira, o nível de coordenação entre olho e mãos pode ser facilmente comparado ao requerido em esportes tradicionais como golfe e tênis.

 

Sem falar da grana que já gira em torno dos chamados e-sports. Os melhores jogadores do mundo ganham até US$ 100,000 por ano em torneios, fora os patrocínios milionários que equipes de e-sports recebem em países como a Coréia – onde disputas virtuais são transmitidas pela televisão em pleno horário nobre.

 

Na verdade, um reconhecimento dos videogames como espote olímpico pode estar mais perto do que muitos imaginam. Principalmente se considerarmos que a Global Gaming League organizou em 2008 um torneio de videogames paralelo às Olimpíadas de Pequim, na cidade de Shangai – onde foram disputadas as partidas olímpicas de futebol. A China, inclusive, foi o primeiro país do mundo a reconhecer os videogames, ou e-sports, como esporte profissional, colocando a categoria como o 99º esporte nacional oficial do país.

 

Major League Gaming - ColumbusSe levarmos em conta a constante decadência no interesse mundial pelas Olimpíadas, é de se imaginar se a introdução de esportes mais modernos não poderia revitalizar a mesma. Games possuem um tremendo apelo popular, em escala global, e principalmente entre audiências mais jovens. Uma vez aceitos, poderiam trazer aos Jogos Olímpicos um esporte facilmente reconhecido e compreendido por uma geração que nasceu e crescer cercada por videogames.

 

Será que já não é hora de reconhecer os games como esporte olímpico? Pois convenhamos, outros esportes olímpicos, como cabo-de-guerra, já deixaram de ser emocionantes há centenas de anos.

Autor: Bruno Vasone - Categoria(s): E-sports Tags: , ,
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