Pois é, parece que dessa vez a EA foi longe demais. Em uma promoção para promover o game Dante’s Inferno durante a San Diego Comic Con, a empresa está encorajando os participantes a tirarem fotos cometendo atos de luxúria ao lado de booth babes – aquelas gurias semi-nuas que figuram em estandes de feiras para ajudar a promover os jogos.

A promoção é inspirada em um dos círculos do inferno – luxúria – da obra literária A Divina Comédia, de Dante Alighieri, no qual o game é baseado. Após tirada, a fotografia deve ser enviada para a EA via twitter, facebook ou email para serem julgadas. Os vencedores serão presenteados com uma noite pecaminosa ao lado de duas garotas fogosas, com direito a serviço de limusine, paparazzi e um baú recheado de “booty” – que em tradução literal significa recompensa, mas também é gíria para bunda.
Em uma indústria que já carrega ampla má reputação pela misoginia, sexismo e por frequentemente retratar mulheres como objetos, ainda somos obrigados a tolerar uma promoção como essa? Tenha dó. Ainda mais vindo de uma empresa possui imensa representação feminina na sua base de consumidores, com títulos como The Sims ou EA Sports Active.
Agora imagine como deve ser a vida de uma dessas modelos que trabalham como booth babes: como se já não bastasse passar dias tendo que aturar multidões de nerds suados pedindo para tirar fotos – e ainda fazê-lo sorrindo – agora tem que aturar seus próprios empregadores oferecendo uma recompensa para as pessoas que mais as assediarem. Ou seria molestarem?
E a promoção não é válida apenas para as “booth babes” dos estandes da EA, mas de toda a feira. Ou seja, já dá pra começar a imaginar o tipo de fotos que vão começar a aparecer nessa promoção quando as massas da Comic Con começarem a colocar em prática sua criatividade libidinosa.

Não duvido que em algumas horas já vejamos notícias de “booth babes” pedindo demissão ou voando pra cima dos fãs mais “joselitos” com espadas de papelão ou outros adereços temáticos de seus estandes. Sem falar de possíveis processos jurídicos pra cima da EA por encorajamento de assédio sexual.
Quem diria que depois do fiasco do protesto “fake” durante a E3 de Los Angeles esse ano – diga-se de passagem, para divulgar o mesmo game – a EA conseguiria se superar. Simplesmente lamentável.