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21/07/2009 - 16:40

Atletas comentam videogames enquanto esporte olímpico

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Há alguns meses nós fizemos no Arena Turbo uma brincadeira de 1º de abril com notícias falsas, e a que mais fez sucesso foi a que “confirmava” o game Counter-Strike como esporte olímpico em Londres 2012. Aparte a tiração de sarro, este é um assunto um tanto polêmico no mundo gamer: afinal de contas, o que desqualifica a prática de games como um esporte legítimo?

 

Matthew Morison

Pois em uma sessão de fotos realizada pela Sega para promover o jogo Winter Games 2010, a revista Wired perguntou aos atletas olímpicos presentes o que eles acham a respeito dos videogames tornarem-se um esporte olímpico. As respostas foram bem divergentes e interessantes.

 

O “snowboarder” canadense Matthew Morrison, auto-declarado um ‘fanboy’ do Xbox 360, acredita que sim, games podem definitivamente ser considerados como esportes, mas não está tão certo quanto à uma provável adição às Olimpíadas. “Definitivamente games são um esporte. Mas um esporte olímpico? Não tenho muita certeza quanto á isso”, diz o atleta de 22 anos.

 

Morrison justifica: “Atletas olímpicos precisam utilizar-se de força bruta para competir, enquanto nos games é mais uma questão de coordenação entre olho e mãos e estratégia, definitivamente menos físico. Entenda: eu não me ofenderia se os games se tornassem um esporte olímpico, mas eu prefiro continuar no snowboarding de verdade.”

 

Kristina Groves

Já a norte-americana Lindsey Vonn mostra-se mais entusiasmada com a idéia: “Claro que games devem ser considerados um esporte competitivo, como tantos outros. Milhões de jogos poderiam ser esportes olímpicos, como o poker por exemplo; talvez eles pudessem ter suas próprias Olimpíadas”.

 

A esquiadora de 24 anos, que ama seu DS, afirma que certamente participaria com prazer de tal competição se ela algum dia viesse a existir. “Eu definitivamente tentaria vencer uma medalha olímpica em esqui virtual”, diverte-se Lindsey. “Talvez eu já não esteja mais esquiando de fato quando isso acontecer, então seria ótimo poder competir por uma medalha nos games, eu adoraria.”

 

Outros atletas possuem um ponto de vista mais tradicional, como a canadense Kristina Groves, de 32 anos, que reconhece não ser muito familiarizada com os videogames. “Não concordo pois esportes são parte de uma realidade muito física. Você não pode simplesmente imitá-lo; a ideia principal do esporte é praticá-lo de fato.”

 

Em que pé estamos?

 

Porém, se até o xadrez já foi reconhecido como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional, o que impede

que os games também o sejam? Muitos títulos requerem o mesmo nível de raciocínio e esforço físico que o enxadrismo, se não mais. Da mesma maneira, o nível de coordenação entre olho e mãos pode ser facilmente comparado ao requerido em esportes tradicionais como golfe e tênis.

 

Sem falar da grana que já gira em torno dos chamados e-sports. Os melhores jogadores do mundo ganham até US$ 100,000 por ano em torneios, fora os patrocínios milionários que equipes de e-sports recebem em países como a Coréia – onde disputas virtuais são transmitidas pela televisão em pleno horário nobre.

 

Na verdade, um reconhecimento dos videogames como espote olímpico pode estar mais perto do que muitos imaginam. Principalmente se considerarmos que a Global Gaming League organizou em 2008 um torneio de videogames paralelo às Olimpíadas de Pequim, na cidade de Shangai – onde foram disputadas as partidas olímpicas de futebol. A China, inclusive, foi o primeiro país do mundo a reconhecer os videogames, ou e-sports, como esporte profissional, colocando a categoria como o 99º esporte nacional oficial do país.

 

Major League Gaming - ColumbusSe levarmos em conta a constante decadência no interesse mundial pelas Olimpíadas, é de se imaginar se a introdução de esportes mais modernos não poderia revitalizar a mesma. Games possuem um tremendo apelo popular, em escala global, e principalmente entre audiências mais jovens. Uma vez aceitos, poderiam trazer aos Jogos Olímpicos um esporte facilmente reconhecido e compreendido por uma geração que nasceu e crescer cercada por videogames.

 

Será que já não é hora de reconhecer os games como esporte olímpico? Pois convenhamos, outros esportes olímpicos, como cabo-de-guerra, já deixaram de ser emocionantes há centenas de anos.

Autor: Bruno Vasone - Categoria(s): E-sports Tags: , ,
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