O Nintendo Wii pode ser responsável pela atual explosão do mercado de videogames caseiros, mas existe um outro fenômeno vindo dos games de igual ou até maior importância, que tem deixado sua sua marca na sociedade contemporânea: os MMOs, ou games online maciços. Mundos virtuais com diversas temáticas e ambientações que são hoje chamadas de lar por milhões de pessoas. Se você pensava que Matrix estava longe de se tornar realidade, pense de novo.
Quando mais de 11 milhões de pessoas já jogaram ou habitam atualmente o mundo virtual de World of Warcraft, isso por si só já é motivo suficiente para ficar com as orelhas em pé. Esse número representa a população inteira de São Paulo, a maior cidade brasileira e a sétima no mundo. E esse é apenas um desses jogos.
O jornal britânico The Guardian inclusive chegou a chamar esse fenômeno de “o próximo estágio na evolução social humana”, referindo-se ao fato de que essas milhões de pessoas passam praticamente dias inteiros fingindo ser guerreiros imaginários nesses mundos virtuais. “Eles estão criando uma nova soberania, estabelecendo uma nação-estado que transcende fronteiras, que desafia ideias tradicionais de governo, que ameaçam estruturas econômicas e deixa os poderes hierárquicos em estado de alerta.”
Pense bem, o futuro da humanidade pode estar nas mãos de orcs e trolls. E governos mundiais há anos tentam estabalecer algum tipo de vigilância ou controle sobre esses mundos virtuais, sob a sempre patética desculpa de garantir a segurança nacional. Quem diria que um bando de nerds reunidos sob uma alucinação coletiva e consensual poderia ser capaz de ameaçar a nova ordem mundial.
Ok, isso provavelmente é um certo exagero, mas não deixa de ser um alerta sobre a atual condição humana, e presságio de tempos por vir. E claro, os MMOs não são apenas flores. Metade dos 50 milhões de jogadores do gênero no mundo inteiro consideram-se viciados de alguma forma. Tornou-se inclusive uma preocupação nacional na China, onde a cultura de jogos eletrônicos sustenta inclusive milhares de pessoas que enfrentam jornadas de trabalho desumanas coletando itens virtuais para vender para jogadores ocidentais mais preguiçosos.
Mas todo esse blablabla foi na verdade um pretexto para chamar a atenção para um filme que está sendo lançado essa semana nos EUA. E não, não estamos falando do hollywoodiano Gamer, de Gerard Butler, mas sim de Second Skin, um documentário que procura desvendar a verdade sobre os jogadores de MMOs.
De situações de dependência patológica a casais que se apaixonaram sem nunca terem se conhecido em carne e osso. De pessoas desabilitadas ou inválidas que encontraram um novo significado em suas vidas, às fazendas de mineradores de moedas virtuais. Das viúvas dos games a empresários que trocaram os campos de golfe por mundos virtuais para fechar negócios. Second Skin mergulha em todos esses temas para traçar um panorama desta nova realidade que representa a vanguarda de novas formas de interações entre seres humanos.
“Esses computadores em nossas mesas estão tornando-se portais para outras realidades de existência… realidades que serão preferidas à terra um dia”, diz a frase de abertura de Second Skin.
Esse é um daqueles filmes que muito “impossivelmente” não chegará em terras tupiniquins, porém a boa noticia é que durante a próxima semana é possível assistí-lo na íntegra online - e de graça. A barbada vai até o dia 13 de agosto, portanto aproveite para conhecer um pouco melhor o atual estado dessas realidades paralelas, que já são chamadas de lar por quase 50 milhões de pessoas.
Portanto, só pra frisar: Second Skin, na íntegra e de graça, até o dia 13 de agosto. Depois disso só comprando o DVD oficial do filme.
E depois de assistir, não deixe de comentar o que achou.