No primeiro final de semana de Grand Prix, com um time cheio de novatas, a seleção feminina de vôlei venceu as três partidas por 3 sets a 2. Agora, na estreia das experientes no torneio, o primeiro 3 sets a 1, mas ainda com uma atuação que não convenceu e não agradou totalmente ao técnico José Roberto Guimarães.
Veja mais detalhes da vitória do Brasil sobre a Alemanha
O Brasil encarou a Alemanha na noite de sexta-feira e começou apática e sem convicção no ataque no primeiro set. O bloqueio pouco fez, o saque não entrou e as alemãs, amortecendo bolas e mostrando volume de jogo, venceram. Mas deu tempo para a equipe nacional superar o começo ruim

Depois de primeiro set apático, Brasil se acertou, passou a vibrar mais e venceu Alemanha de virada
Na segunda e na terceira parciais, o time de Zé Roberto, assim como a seleção masculina fez mais cedo, soube usar o saque. Com serviço bem executado, a Alemanha se atrapalhou e viu o Brasil crescer e vencer sem muitos problemas. Sheilla e Jaque pontuaram com saque balanceado. E ”chapadão” de Thaísa também deu muito certo. Mas, quando a equipe nacional voltou a errar no saque, as rivais equilibraram o jogo. Por pouco o Brasil não teve que encarar mais um tie-break. O que salvou? O saque, sempre ele. Thaísa acertou a mão e fechou o jogo.
O que ainda preocupa é essa demora para entrar no jogo. Como lembrou Zé Roberto na coletiva após a partida, em uma competição como as Olimpíadas ou diante de um adversário mais complicado, pode não dar tempo de recuperar. A Alemanha pode ter suas qualidades, mas nem vai aos Jogos Olímpicos. A situação tende a ficar pior ainda neste final de semana, contra a Itália, ainda que sem todas as estrelas, e os Estados Unidos.
Além disso, o bloqueio, principal arma dessa equipe, demorou a aparecer. Foram apenas dois pontos no fundamento no primeiro set, pro exemplo. No total, foram 11 pontos de bloqueio, número baixo para a seleção, segundo Zé Roberto.
Clima do jogo e os testes de Mari
O treinador faz questão de lembrar que o importante não é o resultado do Grand Prix, mas sim, testar a equipe para as Olimpíadas. É fundamental, para ele, colocar o time para jogar, fazer o Brasil encarar diferentes tipos de jogo. Para isso, seguiu com as mudanças. Dessa vez, usou quem estamos acostumados a ver como titulares: Fabíola, Thaísa, Fabiana, Sheilla, Paula Pequeno, Jaqueline e Fabi.

Thaísa e Jaqueline na rede. Zé Roberto escalou 'titulares' na segunda semana de GP
Já Mari foi quem teve um teste duplo. Entrou como oposta ainda no primeiro set e no primeiro ataque, ficou no bloqueio. A bola não caiu no chão, mas ela já fez cara feia e ficou cabisbaixa, desistindo com a jogada ainda no meio. Logo saiu. Voltou no set seguinte e, assim como toda a seleção, parecia mais confiante. O time todo começou devagar e abalado pelos 4 a 0 que levou logo de cara da Alemanha. O segundo set também começou com 4 a 0, mas elas logo se recuperaram e isso deu ânimo às titulares e também a quem entrou do banco. Mari correspondeu um pouco mais, com dois pontos.
Só que Paula Pequeno, alvo do saque rival e com dores no cotovelo, teve que sair do jogo. Mari voltou para a quadra, agora como ponteira. Entretanto, ela também estava machucada. Jaqueline acertou uma bola no dedão esquerdo da companheira, o que resultou em dois ligamentos rompidos e o tendão machucado. Mari usou uma proteção na mão e quase não passou, mas ficou em quadra.
Após o jogo, Mari parecia calma e feliz com resultado. Ela conversou com jornalistas e confessou que nunca ficará realmente zerada das lesões (lembrando que ficou fora do Pré-Olímpico por causa de dores no joelho, nas costas e no ombro), mas que agora dá para jogar. Sacrifícios de um ano olímpico. Mas como oposta ou ponteira, ela ainda segue com rendimento abaixo das demais.
O Grand Prix continua e sábado será o jogo contra a Itália. Depois, domingo, será a vez dos Estados Unidos. E a lição do jogo desta noite foi que o saque pode fazer muita diferença, mas também fica o alerta para o começo um pouco ansioso, que não deve se repetir.