Quem acompanhou o Trentino nesta temporada sabe de quem estamos falando. O oposto Leandro Vissotto é um gigante de 2,12m, foi decisivo nos jogos finais do Italiano, tem o título da Liga dos Campeões da Europa e chega à seleção brasileira com grandes chances de assumir a vaga de titular. Conversei com o jogador para o iG Esporte e para uma entrevista exclusiva para o Mundo do Vôlei. Confira a nossa conversa na íntegra!
Mundo do Vôlei: Você chegou à seleção brasileira no começo da semana e agora, sem André Nascimento e Anderson, pode virar titular. Como está o clima no time nacional?
Leandro Vissotto: É um trabalho muito intenso, mas ainda está no começo. É uma grande oportunidade que todo mundo estava esperando. Vai mudar muita coisa na seleção, principalmente na posição de oposto. Não é sempre que tem uma vaga assim em aberto.
Mundo do Vôlei: Mas por enquanto você está quase sozinho na seleção, já que quase todo mundo está na pré-temporada na Europa…
Leandro Vissotto: Por enquanto estamos treinando em quatro. Tem eu, João Paulo Bravo, Wanderson e Léo. Ainda não tive contrato com os outros jogadores. Mas Quando tiver todo mundo vai ser melhor. Aí é que vamos nos conhecer e ver como estamos. Vamos treinar para nos entrosar.
Mundo do Vôlei: E treinar com poucos jogadores assim, como é?
Leandro Vissotto: A diferença é que o treino é mais curto, mas é muito mais intenso. E treinamos as mesmas coisas, ataque, defesa, bloqueio…
Mundo do Vôlei: Você já esteve na seleção, jogou a Copa América no ano passado, já fez parte da seleção de novos e agora tem a chance de ser titular do time principal. Aumentou a responsabilidade?
Leandro Vissotto: Antes chegava como um complemento e agora é a peça principal. E também tem a responsabilidade de manter o Brasil lá em cima.
Mundo do Vôlei: E agora é um momento de renovação, de preparar o time para um novo ciclo olímpico…
Leandro Vissotto: Sim, é o momento de renovação e não tem que ter cobranças. Se tiver, tem que ser algo positivo. É um time novo, que vai se conhecer agora. Tem que fazer um grupo novo e começar tudo de novo. Sim, tem a responsabilidade (de manter os bons resultados), mas responsabilidade todo mundo tem e em todos os momentos da vida, no profissional, no pessoal… Tem que saber lidar e não usar isso como um peso ainda maior. Já tem um adversário do outro lado a cada jogo, não precisa de mais.
Mundo do Vôlei: Mas a cobrança sempre vai existir, ainda mais depois de todos os resultados da “era Bernardinho”. Você e os outros novatos estão preparados para isso?
Leandro Vissotto: Somos jogadores novos, mas já temos bastante bagagem. Eu jogo na Itália e lá os estrangeiros, principalmente, sofrem muita pressão. Mas sei que com a camisa da seleção é um compromisso ainda maior e vou entrar com vontade e fazer o melhor possível para conseguir a minha vaga.

Mundo do Vôlei: Nesta temporada, você foi um dos destaques do Trentino no Campeonato Italiano e na Liga dos Campeões. Como é o assédio lá fora?
Leandro Vissotto: Lá o pessoal acompanha muito o time. Já tem uma história com a cidade de Trento e sempre todo mundo acompanha, vai aos ginásios e viaja para ver o time. Lá os jogadores de clube são muito mais conhecidos do que aqui no Brasil. Aqui, são reconhecidos os caras da seleção e acho isso até injusto com quem é bom e joga nos clubes. Lá na Itália ainda tem a admiração das crianças, as pessoas te conhecem e às vezes te param quando você sai para jantar. É uma satisfação pessoal muito grande. Estamos aqui para dar bons exemplos. O importante é a admiração pelo jogador. Isso é muito positivo. Você é visto como um símbolo. Mas a gente sabe que isso é passageiro. Tem que aproveitar essa pseudofama para passar algo de bom para as pessoas.
Mundo do Vôlei: Pelo visto você está feliz na Itália. Vai continuar por lá ou pensa em voltar a jogar no Brasil?
Leandro Vissotto: O Campeonato Italiano é o melhor do mundo. É o número um se comparar com o nível internacional. Enquanto gostar e tiver prazer de jogar no alto nível, eu vou continuar lá. Ainda tenho mais três temporadas de contrato com o Trentino.
Mundo do Vôlei: Mas nem tudo deu certo nesta temporada na Itália. Você faturou a Liga dos Campeões, mas ficou com o vice no Campeonato Italiano. O que faltou para vencer o Piacenza na final?
Leandro Vissotto: Faltou fôlego. O nosso objetivo era conseguir a Liga dos Campeões e nós vencemos. Já o Piacenza chegou mais descansado para a final. Eles tinham três jogadores importantes que ficaram fora por causa de lesão e estavam voltando a jogar, Marshall, Zlatanov e João Paulo Bravo. Com isso, chegaram mais frescos à decisão. O time deles eliminou o Macerata na semifinal, que era um dos favoritos, e mereceu o título. O nosso segundo lugar foi muito bom. Fiquei muito feliz pelo que fiz nesta temporada. Ficamos em segundo, mas combatemos até a final. Foi decidido no último jogo, no último set, por dois pontos. É claro que a gente quer ganhar tudo. Mas estou feliz e lá as pessoas reconheceram o nosso esforço.
Mundo do Vôlei: E no Campeonato Italiano você jogou com bons atletas do mundo inteiro. Isso vai ajudar em alguma coisa agora na Liga Mundial?
Leandro Vissotto: Conhecer os outros jogadores ajuda um pouco, você acaba sabendo de alguma coisa. Ajuda para não pegar a gente de surpresa.
Mundo do Vôlei: E o que esperar da Liga Mundial, sua primeira competição com a seleção brasileira?
Leandro Vissotto: Pelo que eu andei escutando, é um ano de renovação para todo mundo, não só para nós. Então eu não sei dizer o que esperar dos outros times.