Conversa com um campeão
Antes da Liga Mundial, eu bati um papo com um cara que era muito conhecido na Europa, mas pouco lembrado pelos brasileiros (veja a reportagem). Ele havia sido vice-campeão italiano e campeão europeu e estava pela primeira vez na lista da seleção principal de Bernardinho.
Agora, pouco mais de uma semana após o título da Liga Mundial, aquele cara já é conhecido de todos, voltou da Sérvia com a medalha de ouro na bagagem e com a vaga no time titular. Já sabem quem ele é? Ele é um pequenino de apenas 2, 12m!
Conversei mais uma vez com Leandro Vissotto, um dos nomes da renovada seleção masculina e que já virou o gigante do time nacional. Ou o Leandrão, como foi chamado durante a transmissão da Liga Mundial. A reportagem com eles vocês podem ver no iG (clique aqui para ler), mas guardei para o Mundo do Vôlei um pouco dos bastidores da nossa conversa. Espero que gostem!
Como achar o nosso gigante
Mais uma vez quem ajudou foi o Ciro, pai do Leandro. Mas agora, foi um pouco mais complicado falar com o oposto do que na matéria antes da Liga Mundial. Na primeira tentativa, ele ainda estava descansando depois de viajar a madrugada toda de volta da Sérvia. No dia seguinte, consegui falar com Leandro Vissotto, mas atrapalhei uma entrevista que ele estava dando para um jornal de Belo Horizonte. Foram mais três ligações no mesmo dia até que ele estivesse livre para a nossa entrevista, afinal, estava atrás de um novo campeão mundial! Apesar da insistência e dos desencontros, o jogador foi muito simpático e conversamos por aproximadamente meia-hora.
Final da Liga Mundial
Como já era esperado, antes mesmo de acabar a primeira pergunta, Leandrão já começou a falar da felicidade de ter conquistado o título da Liga Mundial. “Não poderia ter sido melhor. Foi um sonho realizado”, disse. E quando perguntei qual o melhor momento ou aquele que deu um certo “frio na barriga” na competição, ele não teve dúvida. “Ah, foi a final. Foi a partida mais difícil da minha vida, principalmente no quarto set”, contou.
Mas o que alguns poderiam não saber é que Leandro deu uma ajudinha a mais na partida decisiva contra a Sérvia. “Eu já conhecia os caras que estavam do outro lado. Com isso, fiquei mais tranqüilo. Não assustou tanto. Conheço o Nikola (Grbic, levantador sérvio). Eu sabia taticamente como seria o jogo dele. Conversei com o time e passei as informações para ele”, falou. Leandro e Grbic são parceiros do Trentino, na Itália.
Mesmo com toda essa segurança, ele ainda parece engasgado com erros da arbitragem no jogo, como a bola desviada na cabeça de Miljkovic e dada como fora pelo juiz. “Aquilo foi claramente roubado. Foi uma injustiça, mas nos deu mais força ainda para continuar. Eu tinha uma certeza dentro de mim de que a gente iria acabar vencendo”, afirmou.
Um famoso muito tranquilo
Quem assistiu aos jogos da Liga Mundial e já acompanhava o Campeonato Italiano pode ver o Leandro Vissotto como um jogador tranquilo em quadra. Ele faz o seu jogo e não vibra muito, não grita muito. “Sim, eu me considero muito tranqüilo. Eu tenho um estilo muito centrado e a minha cabeça funciona bem assim. Não adianta sair gritando e não fazer o ponto. O importante é raciocinar independente do estilo que se tenha”, contou o jogador.
E é com essa mesma tranqüilidade que ele lida com a nova fama. Já na fase final, era possível ver que Leandro era alvo dos jornalistas na quadra. “O gostinho da fama não me atrai muito não, mas sei que faz parte da nossa profissão, já que estamos sempre em foco. Mas eu não ligo não. Quero mais é treinar e jogar”, garantiu.
Federer do vôlei
Leandro ainda comentou o clima de amizade entre os jogadores da seleção masculina. Tanto que já ganhou até um apelido: Federer. “Ah, isso é coisa deles! Começou com o Lucão. Eles começaram a falar e ficam me zoando. Mas eu não me acho parecido com ele não, são os caras que acham e ficam brincando!”, revelou.
Mas por que oposto?
Desde a nossa primeira matéria, eu havia ficado com essa duvida. Normalmente os jogadores mais altos atuam no meio-de-rede e Leandro Vissotto, mesmo com seus 2, 12m optou pela posição de oposto. Por quê? “Foi no Flamengo, meu primeiro clube. Queriam que fosse jogador de meio, mas eu não gostava. Eu admirava muito os jogadores de ponta. Treinei e convenci o técnico a me mudar de posição”, contou Vissotto.
Leandro convenceu o técnico do Flamengo e Bernardinho, pelo jeito! Mas vamos ver como vai ficar a seleção agora, para o Sul-Americano. O time já está treinando em Saquarema e André Nascimento, oposto titular até a Olimpíada de Pequim, está de volta à equipe. E agora? Quem será que vai começar jogando?
E você? O que achou do desempenho de Leandro Vissotto na seleção brasileira? Aposta em quem como titular? Deixe a sua opinião no Mundo do Vôlei!
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Autor: Aretha Martins Tags: Bernardinho, Leandro Vissotto, Liga Mundial, seleção brasileira, vôlei




