Brasil faz 3 a 0, mas tem a atuação mais fraca do Sul-Americano
Mais um jogo do Sul-Americano, mais uma vitória do Brasil por 3 sets a 0, agora sobre a Venezuela (25/14, 25/15 e 27/25). Só que desta vez a partida foi bem pior do que o esperado… Que chegue logo o confronto contra a Argentina!
A seleção foi bem no primeiro set, marcando forte no bloqueio, precisa no saque e quase sem errar. Depois, parou. Saiu perdendo de 3 a 0 na segunda parcial e se recuperou mais em função da confusão da Venezuela do que pela sua qualidade. No final, errou passes e sofreu para fechar, acabando com o set apenas no 27 a 25. No geral, a falta de concentração e os erros de recepção ao logo de quase todo o jogo fizeram o Brasil ter a pior apresentação no Sul-Americano.
Mas o segundo set ainda merece um espaço a mais pela lambança dos venezuelanos. Eles se atrapalharam de uma maneira que eu nunca tinha visto. Jogadores, técnico e árbitros não se entendiam com a posição de cada um em quadra. Até Bernardinho foi lá ajudar para ver se dava jeito! Depois, eles caíram de rendimento, perderam e só voltaram a jogar no set seguinte, aquele do 27 a 25.
E agora, o que esperar do duelo contra a Argentina? Escrevi que queria ver logo essa partida pelo nível das duas seleções. Finalmente teremos dois times de igual para igual em quadra. Os argentinos, quarto colocados na última Liga Mundial, têm volume de jogo, atacantes bons (como Conte) e um levantador habilidoso (De Cecco).
Mas e o Brasil? Como chega para o jogo, ainda mais depois de uma atuação fraca como a deste sábado? Murilo, conhecido pela precisão no passe, não está bem na função. Neste sábado, ele e Dante falharam na posição, por exemplo. Wallace tem as características para embalar, mas não repetiu a atuação que teve diante da Colômbia. Quem veio do banco e precisava conquistar um posição, como Thiago Alves e João Paulo Bravo, foram melhores que os mais experientes.
É difícil mensurar a evolução de uma equipe com rivais mais fracos e é normal perder o foco e tal. Mas se a seleção só teve adversário que não exigiu muito, a Argentina passou pela mesma situação. Porém, a obrigação de vitória é da equipe de Bernardinho. E para conseguir, acho que será necessário arrumar o passe, em primeiro lugar. Além disso, manter o saque que já foi visto neste Sul-Americano, com alguns forçando, como Lucão, Sidão, e outros executando um serviço tático e preciso, como Marlon. De nada adianta errar demais com excesso de pancadas ou só passar para o outro lado. E claro, contra a Argentina não será possível usar a desculpa da falta de concentração ou de um objetivo. Concentração será fundamental para entrar no jogo e não sair dele e o objetivo é cumprir a obrigação de vencer em casa.
P.s.: e na seleção feminina, que joga o Sul-Americano a partir da próxima quarta-feira, Adenízia foi cortada. Pensei que uma das ponteiras poderia perder a vaga, mas Zé Roberto preferiu manter Jaqueline na equipe. O Brasil jogará o torneio com as levantadoras Dani Lins e Fabíola; as opostos Sheilla e Tandara; as centrais Fabiana, Thaísa e Juciely; as ponteiras Mari, Paula, Jaqueline, Sassá, Fernanda Garay e Natália; e a líbero Fabi. Mas isso é assunto para a semana que vem…
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