“Ainda não estamos 100%”
A seleção brasileira chegou ao Campeonato Mundial masculino de vôlei como favorita ao bicampeonato. Parte desse favoritismo veio da ótima campanha na conquista da Liga Mundial deste ano. Entretanto, parece que esse time campeão ainda não entrou no Mundial. O próprio técnico Bernardinho reconhece que a sua equipe ainda não está 100%. Apesar do rendimento abaixo do esperado o Brasil venceu a Austrália nesta manhã por 3 sets a 0 e garantiu vaga para a próxima fase. Mas, para chegar a semifinal, é preciso melhorar.
O time australiano não deu trabalho ao Brasil e a seleção venceu os dois primeiros sets com facilidade por 25/19 e 25/19. “Tentamos fazer coisas extraordinárias porque estávamos jogando contra o Brasil. Talvez não devêssemos ter feito isso e sim, ter jogado um voleibol mais sólido”, disse o capitão australiano Benjamin Hardy. “Cometemos alguns erros, mas no geral jogamos bem no primeiro e no segundo set. Nosso contra-ataque, que foi um grande problema contra a França, voltou a funcionar, mas ainda não está tão efetivo quanto precisa”, falou o levantador e capitão brasileiro Ricardinho.
Na terceira etapa, Bernardinho colocou os reservas em quadra. Entraram Samuel, Anderson, Murilo e Rodrigão. A Austrália cresceu e consegui ficar quase o set todo dois pontos à frente no placar. “Eles jogaram bem, bons bloqueios, serviço forçado e contra-ataques. Isso colocou a gente sob pressão”, comentou Bernardinho. O Brasil virou no 22 a 21 e Murilo levou o time ao match point. O capitão australiano Hardy errou um ataque e o time brasileiro levou o set por 25/23.
A vitória sobre a Austrália não é muito animadora, afinal a equipe perdeu todas as partidas que disputou até o momento e só ganhou dois sets. Era obrigação da seleção brasileira levar a partida desta manhã. Com o resultado, o time de Bernardinho garantiu vaga para a próxima fase, junto com Alemanha e França, que já estavam classificadas. Além disso, a vitória também deu lugar a Cuba na segunda etapa do Mundial de Vôlei.
Estar classificado não alivia a pressão em cima da seleção brasileira. Como os resultados dessa fase são levados para a seguinte, na qual oito times disputam duas vagas para as semifinais, a equipe não pode mais perder. Essa situação não está fazendo bem aos brasileiros. Bernardinho culpa pressão por atuações abaixo do esperado. “O Brasil ainda não está 100% e estamos atrás disso nesse Mundial”, admitiu o treinador. “Jogamos sempre às 3h (14h no Japão) e não temos tempo para treinar”, completou.
Segundo Bernardinho, estar sob pressão todo o tempo não é fácil. Ele lembra que muitos jogadores estão cansados, pois estavam na Liga Mundial, depois no Campeonato Italiano e agora estão no Mundial. Não tiveram tempo para respirar. “Eles não são máquinas e às vezes as coisas não funcionam”, falou o técnico.
O Brasil precisa encontrar o seu ponto de equilíbrio para a segunda fase dessa competição. Terá pela frente a invicta Bulgária e a tricampeã mundial Itália. Superar essas duas equipes não será fácil porque elas estão embaladas no Mundial e são muito fortes. Agora é fundamental vencer a Alemanha na última partida da primeira etapa e chegar com mais vontade e concentração à rodada decisiva.
BRASIL – Ricardinho, André Nascimento, Giba, Dante, Gustavo e André Heller. Líber Escadinha. Entraram: Anderson, Marcelinho, Rodrigão, Murilo e Samuel. Técnico Bernardinho.
AUSTRÁLIA – Alderman, Carroll, Hardy, Yudin, Howard e Campbell. Líber DeSalvo. Entrou: Panagopka. Técnico Russell Borgeaud.
A única invicta da chave
A seleção brasileira encara a Alemanha nesta quarta, às 3h (horário de Brasília) e o desafio não será simples. Enquanto os brasileiros não podem nem pensar em uma derrota, os alemães estão empolgados com a vitória sobre a França por 3 sets a 1, de virada, na manhã desta terça-feira com parciais de 22/25, 25/21, 28/26 e 25/22. Com isso, a Alemanha é única invicta e líder do Grupo B.
De acordo com o técnico Bernardinho, é necessário ter cuidado com o experiente central Hübner, de 31 anos. Ele é um dos melhores bloqueadores do Campeonato Mundial. “Hübner é um grande bloqueador de meio e um bom reforço para a equipe da Alemanha”, disse o técnico. “Para fugir da marcação do bloqueio dele, temos de jogar com velocidade. Isso vai dificultar um pouco o trabalho dos alemães”, comentou o oposto André Nascimento, que é companheiro de time do alemão no Trentino, na Itália.
Além disso, a Alemanha é uma equipe que joga com bastante potência. “É um time que saca muito forte e também é alto. Por isso, baseia seu jogo no saque e no bloqueio. Eles quebram o passe adversário e bloqueiam em seguida”, analisa Bernardinho. Na partida contra a França, mostraram um bom jogo no fundo de quadra e que não dependem apenas da pancada para vencer. “Sempre fomos bons em atacar e sacar. Muita gente fala que não conseguimos defender, mas agora estamos melhorando. Por muitos anos, ninguém acreditou na seleção alemã masculina. Agora estamos jogando em um bom nível e conseguindo ótimos resultados”, falou o técnico Stelian Moculescu.
Para superar a Alemanha, o Brasil tem que contar com um bom saque, para quebrar o passe adversário, e Ricardinho precisa variar bem as jogadas, para fugir do bloqueio. O fundo de quadra também será exigido para segurar os ataques alemães e dar chances ao contra-ataque brasileiro. É fundamental esquecer o tropeço contra a França e se concentrar para sair bem da primeira fase.
Outros resultados
GRUPO A
Egito 2 x 3 China
Porto Rico 0 x 3 Polônia
Japão 3 x 1 Argentina
GRUPO B
Cuba 2 x 3 Grécia
Austrália 0 x 3 Brasil
Alemanha 3 x 1 França
GRUPO C
Irã 0 x 3 Bulgária
República Checa 3 x 0 Venezuela
Itália 3 x 1 Estados Unidos
GRUPO D
Tunísia 2 x 3 Canadá
Sérvia e Montenegro 3 x 1 Coréia
Rússia 3 x 0 Cazaquistão
*com informações da FIVB e da CBV/Foto: Levantador Marcelo arma a jogada com o central Gustavo/Divulgação*
Para trabalhar dessa maneira, Puyol contou com a ótima atuação da defesa da França. “A recepção deles estava muito boa e isso fez a gente perder a paciência e cometer mais erros”, disse Bernardinho. O Brasil atacava, mas a bola não caia na quadra adversária. “Contra um time como a França não se pode cometer tantos erros assim”, analisou o técnico. Ao todo, o Brasil deu 37 pontos de graça para os franceses em erros. Segundo Bernardinho,
Até agora, a vida dos brasileiros foi mais simples nessa competição. Após um susto no primeiro set na estréia contra Cuba, o Brasil venceu por 3 sets a 1. Na segunda rodada, tranqüilidade para bater os gregos por 3 a 0 (veja detalhes dessa partida abaixo). Já os franceses perderam um set para os gregos e suaram para vencer os australianos na madrugada deste sábado. A Austrália não deu folga, pressionou o tempo todo e fez um jogo muito equilibrado. No final, a França conseguiu ganhar por 3 a 1, com parciais de 25/23, 30/28, 24/26, 26/24.
No intervalo para a segunda parcial, o técnico brasileiro chamou a atenção de todos e os jogadores acordaram e,
Na partida desta madrugada, as duas equipes tiveram altos e baixos. O Brasil dominou o primeiro set com um excelente saque, que acabou com a recepção russa, e venceu por 25 a 15. Na parcial seguinte, o jogo foi mais equilibrado e a maior vantagem foi um 10 a 7 para o Brasil. As russas seguiram pressionando, empataram e viraram no final. Com um ataque errado de Sheilla, as adversárias levaram a parcial por 25 a 23 e empataram o jogo.
Agora a história é outra. Na segunda rodada, o jogo não valia muita coisa, pois as duas seleções já estavam na semifinal. A partida de amanhã vale o título e as equipes vão jogar tudo o que sabem. O Brasil precisa estar com a defesa perfeita para segurar as pancadas russas, que já podem contar com Sokolova. A atacante voltou na partida contra a Itália usando uma atadura na perna e mostrou que está recuperada. “Minha lesão está bem e estou preparada para jogar a final. Nós estamos determinadas a ganhar”, disse Sokolova. A Rússia ganhou mais volume de jogo e mais potência no ataque. O trio Sokolova, Gamova e Godina não deram chances ao bloqueio e a defesa italiana.
Na partida desta madrugada, contra Sérvia e Montenegro, o Brasil mostrou que consegue dominar um jogo, subir no salto e descer no salto. No final, a vitória por 3 sets a 1 e a vaga na final garantida.
Mas, do outro lado da quadra, a seleção de José Roberto vai encontrar um time embalado. Sérvia e Montenegro é considerada a surpresa do Campeonato Mundial. O time chegou invicto à segunda fase e superou as atuais campeãs mundiais, as italianas, por 3 sets 1 na primeira etapa da competição. “É um time que vem bem no Mundial e surpreendeu todos até o momento”, falou o técnico do Brasil. A única derrota sofrida até agora foi para o Japão, por 3 sets a 2. As sérvias só terminaram em segundo do Grupo E após o desempate na média de pontos, quando a Itália levou a melhor.
Foi um jogo de superação. O Brasil começou sem muita potência e sofrendo com os ataques russos, principalmente os que saíam das mãos de Gamova. Aos poucos, o bloqueio verde e amarelo cresceu e intimidou as russas.
“Apesar da classificação para as semifinais, o jogo com as russas será muito importante para nós, pois ainda não vimos a Rússia jogar. É comemorar a classificação hoje, já pensando na Rússia, e manter a concentração”, comentou a líbero Fabi.