“Grupo da morte” do Brasil e palpites para o Mundial
A seleção masculina estreia nesta quinta-feira na segunda fase do Campeonato Mundial e já ouvi muita gente comentar que o time está no “grupo da morte”, ao lado de Polônia e Bulgária. Será mesmo que o futuro do Brasil no torneio é tão preocupante?
Alguns leitores daqui do blog disseram que não e eu concordo com eles. Polônia e Bulgária são bons times e têm suas qualidades. A Polônia tem o ponteiro Kurek, excelente atacante, e a experiência do levantador Zagumny. A Bulgária, apesar de duas derrotas na primeira fase e da classificação no sufoco, com ajuda da vitória da França sobre a Cihna, é um time de força no ataque e no saque e uma parede no bloqueio e tem Kaziyski e Vladimir Nikolov nas pontas, soltando o braço e também usando a categoria. A primeira é a atual campeã europeia e a segunda, foi bronze no Mundial de 2006.
Qual a vantagem para o Brasil nessa história? O time de Bernardinho está mais do que acostumado aos adversários! Jogou vários amistosos contra a Polônia no ano, venceu a maioria com facilidade e perdeu apenas um. Encarou a Bulgária cinco vezes (quatro na Liga e um amistoso) e venceu todos. E o time que estava em quadra era o mesmo que jogará o Mundial, a exceção é o levantador Marlon, ainda fora do torneio com inflamação no intestino.
Se fosse o primeiro confronto do ano, eu estaria mais preocupada. Mas a seleção já viu, pela Liga Mundial, que não adianta nada medir forças contra a Bulgária, por exemplo. Eles são mais potentes no ataque e a chave é jogar com um saque que encaixe e acreditando no nosso bloqueio e contra-ataque. Apesar da derrota para Cuba, o fundo do Brasil melhorou em relação aos primeiros jogos. E Murilo, que saiu com cãibras, já disse estar bem. O time sabe o que deve fazer em quadra.
Sei que, se o Brasil conhece os rivais, eles conhecem a seleção, mas acho que as chances de classificação são boas. Os jogos serão complicados e agora é esperar que o saque seja bem feito, sem tantos erros, e que as finalizações se encaixem. Além disso, Bruno, que está indo muito bem, tem que aguentar a pressão de ser o único levantador. E também será bom contar com Vissotto como no terceiro set contra Cuba, mais confiante e bloqueando e soltando o braço. Ele está caminhando, mas ainda não é o oposto que queremos…
Quem segue no Mundial?
Com os grupos da segunda fase nas mãos, vamos dar nossos palpites? Abaixo estão as chaves dessa etapa e os meus chutes. O espaço dos comentários, claro, é todo de vocês!
Grupo G: Alemanha, Porto Rico e Itália
Itália, que já havia caído em um grupo simples na primeira fase, ao lado e Egito, Japão e Irã, deve se dar bem mais uma vez. O melhor jogo será entre eles e os alemães, que venceram o Brasil em amistosos antes do Mundial, mas se classificaram apenas em terceiro, com derrotas para Polônia e Sérvia. Porto Rico deve cair
Grupo H: Sérvia, México e Cuba
Cuba e Sérvia saem na frente. Os cubanos ganharam crédito depois do jogo contra o Brasil porque além de atacar e sacar muito bem, eles souberam defender. Os sérvios foram surpreendidos pelo Canadá na primeira fase, ainda forçam o jogo em cima de Milijkovic, mas podem crescer. México deve sobrar.
Grupo I: Rússia, Espanha e Egito
Vantagem para a Rússia, que teve vida fácil na primeira fase e deve ter jogos simples mais uma vez. É bem mais time que Espanha e Egito. Para a outra vaga eu aposto na Espanha. É uma equipe que ataca na velocidade, mas erra quando pressionada. Será que o Egito surpreende? Acho que não…
Grupo L: República Tcheca, Estados Unidos e Camarões
Apesar de toda a festa e emoção da inédita classificação de Camarões, acho que eles ficam nessa fase. Os Estados Unidos não são os fortes campeões olímpicos, mas avançam ao lado dos tchecos.
Grupo M: França, Argentina e Japão
França chega na frente, mas teve trabalho para vencer Bulgária e República Tcheca na primeira fase. Já a Argentina, apesar de ter roubado um set contra os Estados Unidos, ainda é um time em formação. Vai brigar pela segunda vaga com o Japão e não tenho certeza sobre quem avança (quem viu o Japão na primeira fase pode ajudar?)
Grupo N: Polônia, Bulgária e Brasil
Já falamos do grupo e aposto em Brasil em primeiro e Polônia em segundo, pelo embalo depois das vitórias na primeira fase. Mas a briga promete ser boa.
Agora é com vocês! O que esperam da segunda fase do Mundial? Deixem seus palpites e a gente se fala depois do jogo do Brasil. Até!
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5 comentários | Comentar
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5 Rafael Souza 30/09/2010 18:45
Pessoal…não é a organização que falhou na divisão dos grupos….e sim a seleções consideradas favoritas que falharam em jogos da 1° fase. Seleções como Bulgária e Brasil são exemplos.
A Bulgária perdeu 2 jogos na primeira fase e se classificou apenas em 3°.
E o Brasil que se classificou em 2° poderia ter caído num grupo com o México, que é mel na chupeta…..
Vale lembrar que os grupos são divididos por SORTEIO!!!!!
4 Newton Carvalho 30/09/2010 13:00
O problema talvez não seja jogar contra estes 2 times… mas sim decidir sobre quais resultados seriam interessantes para a seleção. Vencer Bulgário e Polônia definitivamente não vale a pena, pois, ficando em PRIMEIRO LUGAR o Brasil acabaria caindo numa chave com Rússia, Cuba ou Sérvia!
Sim, isso mesmo! Há coisas que só os gênios que inventaram o regulamente deste mundial podem explicar! Enquanto isso a seleção italiana só na molezinha…$$$$
Carlos Vinícius 30/09/2010 14:03
Também vi isso… a Itália só na moleza e os grandes se fudendo pelo caminho….
Se Brasil ficar em 1º lugar pode pegar Rússia, Cuba e/ou Sérvia. O cara que bolou o sistema desse campeonato deve ser uma anta, ou simplesmente quer que a Itália pelo menos chegue a final.
Nisso, a Fifa é bem superior, pois a copa do mundo de futebol tem um sistema melhor, onde os fortes não se enfrentam nas 1ªs fases a não ser num caso de derrota inesperada.
Tá me cheirando a corrupção esse campeonato!
3 Dadi 30/09/2010 11:23
Ola Aretha, conheci o blog ontem e já estou fazendo meu segundo comentário. Realmente muito bom, com comentários pertinentes de todos. Bom, acredito que o Brasil terá dificuldade no jogo contra a Polonia. Conforme o Carlos comentou, o time da Polonia tem um jogo parecido com o nosso, não são jogadores com força bruta como Cuba, mas são mais habilidosos e hágeis que o restante dos europeus (lembra a Servia nos bons tempos). Ainda tenho receio da irregularidade do Bruno e do Vissotto, mas acredito que o Brasil classifica pelo menos em segundo. Quanto aos outros confrontos, concordo plenamente com seus palpites e acredito na Argentina contra o Japão. Assisti o jogo contra a Italia, jogaram bem, defendendo o que podiam, mas não farão frente.
Insisto que o Brasil tem que melhorar a relação bloqueio/defesa e o jogo de hoje vai mostrar. Se cometer os mesmos erros do jogo contra Cuba, pode perder novamente. Abraços a todos!
2 Carlos Maia 29/09/2010 17:27
Boa tarde Aretha. Só uma contribuição, Kurek não é oposto e sim ponteiro, os opostos da seleção da Polônia são Wlasly, considerado por muitos e até pelo Bernardinho um dos três melhores atacantes do mundo e Piotr Gruszka, meu brother, o conheci em Curitiba, onde resido, pois a seleção da Polônia utilizou a academia que eu frequento. O time da Polônia é bem parecido com o do Brasil no sentido de que quem entra(os ponteiros e os opostos) dão conta do recado, não têm titulares absolutos. Essa já era a minha opinião, corroborada em conversa com o Castellani em Curitiba após o jogo de sexta-feira, que cara acessível esse argentino, entende e fala bem português, pois jogou no Brasil. Via de regra, a formação polonesa mais forte no que tange a ponteiros e opostos, é Wlasly de oposto(Gruszka entra bem nas inversões, bloqueia muito bem e é bom nos contra-ataques) e Winiarski e Kurek nas pontas, que podem sair para a entrada do Bakiewicz(marrento) e Bartman. No jogo de domingo em Curitiba, que foi 3X2, o Winiarski não estava bem e entrou o Bakiewicz, que é bem equilibrado nos fundamentos. O Bartman é o mais cavalo de todos,(os ponteiros, pois o Wlasly fazia ele parecer uma moça) no aquecimento de rede a bola quase ia no teto, gosta de bater pra baixo, daí toma diversos caixotes. Precisa de mais maturidade, o jogo dele é bem físico e plástico, parecido com Giba e Murilo. Mas o Brasil passeia em cima deles, isso se o Bruno continuar nessa ascendente. Vendo os jogos do Brasil ao vivo, é flagrante a diferença de precisão no levantamento entre o Marlon e o Bruno, o Marlon tem um toque bem mais refinado, embora precise ajustar um pouco as bolas de meio, onde o Bruno ainda é superior. É isso aí pessoal, um abraço a todos.
Aretha Martins 30/09/2010 10:35
Corrigido, Carlos! Eu fiz confusão
Abs e continue comentando por aqui
Aretha Martins
1 Bruno 29/09/2010 13:53
Boa tarde, Aretha.
Sou bastante otimista também quanto ao desempenho da seleção nessa segunda fase e creio em duas vitórias também. Mas esse otimismo não é por causa da amplo histórico contra essas seleções e, sim, pelo bom voleibol apresentado sobretudo na última partida que, mais uma vez digo, Cuba ganhou nos detalhes.
O Brasil também não perdeu para Cuba até o Mundial e o fez na 1ª fase. Portanto, seriedade, vibração e organização não devem ser esquecidos nos confrontos contra os times do leste europeu.
Me preocupa muito o bloqueio (ou a falta dele) nesse mundial até agora. Fomos bem nesse fundamento apenas na 1ª partida e no jogo contra Cuba, onde mais precisávamos, ele não foi como estamos acostumados a ver.
Polônia tem Kurek e Bulgária tem Kaziyski. Brasil tem Murilo, Dante e Bruno. Sou mais o nosso time!
P.S.: Aqui pra nós, vida mais molinha que a da Itália duvido existir.