Wendy Guerra | Mona Dorf

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 08:00

A Mulher na Escrita, com Carola Saavedra, Tatiana Levy e Maitê Proença

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No último domingo de maio, a Tenda principal da Praça matriz de São Francisco Xavier recebeu a atriz Maitê Proença (Entre Ossos e a Escrita e Uma Vida Inventada), a escritora Carola Saavedra (Paisagem com Dromedário e Flores azuis) e Tatiana Salem Levy, (Prêmio São Paulo de Literatura). As três conversaram sobre A Mulher na Escrita ao Longo dos Tempos. Carola tem uma obra reconhecida e um projeto bem próprio de construção da sua escrita. Já a atriz Maitê aventurou-se nas letras, com uma espécie de autobiografia, não assumida, como ficou claro na entrevista que me deu ao Letras e Leituras.

Paisagem com dromedário
Autor: Carola Saavedra
Editora: Companhia das Letras

Paisagem com Dromedário é meu livro mais otimista”.

“A mesa vai ser bem interessante, o tema – A mulher na escrita ao longo dos tempos – é um assunto que nunca se esgota… Vai ser uma oportunidade para trocar ideias, muitas vezes, trazer autores com trajetórias diferentes é uma ótima forma de enriquecer o debate.” comenta Carola Saavedra.

Currículo invejável
A comunicação ou a falta da comunicação é um tema constante na obra dessa talentosa e criativa escritora, finalista com seus livros anteriores do Jabuti, Portugal Telecom e Prêmio São Paulo de Literatura, entre outros.

Nascida no Chile, mora no Brasil, desde os três anos de idade. Morou na Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e Espanha e França, ela vive no Rio de Janeiro onde nos deu a entrevista falando dessa trilogia (Companhia das Letras) que se completa agora depois de Toda Terça e Flores Azuis, premiado pela APCA como melhor romance em 2009.

Autoexilada numa ilha, a artista plástica Érika grava mensagens endereçadas a Alex, seu amado. Mais uma vez, inovando na construção da narrativa, a escritora Carola Saavedra, nos lê um trecho do seu novo romance Paisagem com Dromedário e fala do desafio de encontrar um novo formato. Através de 22 gravações a personagem tenta reconstituir e compreender seu passado.

Em Flores Azuis Carola Saavedra explorou o fluxo de consciência, através do gênero epistolar

Ouça o podcast do programa Letras e Leituras com Carola Saavedra sobre os livros anteriores.

Carola Saavedra participou da FLIP 2010, em Paraty, na mesa Cartas, diários e outras subversões com a cubana Wendy Guerra com mediação do escritor João Paulo Cuenca.

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sábado, 25 de dezembro de 2010 Entrevista, Festivais Literários, Literatura | 08:00

Além de autora, Wendy Guerra é boa de salsa

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Coquette, de óculos Chanel, chapéu e roupas claras de marca, a jovem escritora cubana atrai a atenção por onde passa. Wendy Guerra quer que discutam a sua literatura e não a ditadura castrista. Não conhece a obra da escritora Carola Saavedra, com quem dividiu a mesa Cartas, diários e outras subversões em Paraty, mas ficou brava comigo por eu näo ter lido seu livro até o fim. Esgotada com o assédio da mídia, a  cubana performática, que passou 14 anos na TV como apresentadora de programa infantil, mostrou-se cheia de energia, de noite, na festa Buena Vista Social Club que a editora Saraiva fez em Paraty para lançar em grande estilo, seu livro Nunca fui primeira dama.

A literatura é como sexo  

Tem que mostrar um pouco e deixar o resto sugerido. Para ela, a poesia começa quando entra o silêncio na literatura… Desde o primeiro livro Todos se van, ela escreve a partir dos seus diários, que reelabora. Quando questiono o que há de ficcional e de autobiográfico na sua obra, ela compara com a arte contemporânea: “ Você não pergunta à um artista o que há de real na sua performance… O real é como posso roubar minha própria vida e exibir-la performaticamente nas letras”.

Há um vazio do poder feminino em Cuba

Wendy pertence à terceira geração de filhos da revolução: “É muito difícil, aonde quer que estejamos, nós cubanos, devemos sustentar nossas mães, mandar dinheiro de Miami, da Espanha – não é  meu caso -  Mas é uma situação comum, elas que foram mulheres fabulosas, que fizeram a revolução, estão sem funçâo. Voltaram pra casa sem encontrar os filhos que emigraram por razões econômicas…Essa primeira dama então está só, esperando que a ajudem”.

Wendy gostaria de ver um protagonismo maior da mulher em Cuba, mas não gosta de falar de política: “Desconheço as razões reais pelas quais a blogueira Yoani Sanchez – que se opôe ao regime de Fidel - não pode sair de Cuba, para mim é um mistério…” Para sair de Cuba, ela tem de pedir autorização como todo cubano.

Não se dá com Yoani Sanchez, mas é amiga de Pedro Juan Gutierrez

” Gosto muito da literatura de Gutierrez, como vive… Não é meu mundo, mas gosto muito. São livros que vão ficar, pois é um registro histórico.” Wendy comenta que é muito fácil se enrolar em política  em Cuba e que suspeita dos políticos. Quanto ao título, ela quis desafiar a superstição a de que quando você começa um livro negando, ele não vai bem. Nele, fala da revolucinária Celia Sanchez: ” a relação dela com a minha familia é a relação de Celia com a família cubana, as pessoas depositam flores em seu túmulo. Ela não foi uma primeira dama mas um canal entre o poder e o povo, poucos políticos estiveram nesse cordão umbilical, Gandhi talvez…”

Saiba mais:

Uma tarde na Flipinha com a escritora Alina Perlman

Terry Eagleton e Robert Crumb, as atrações na Tenda dos autores

Na casa do príncipe, em Paraty

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Comentários pós-FHC

FHC inaugura olhar sobre Gilberto Freyre, um pensador do Brasil

FHC antecipa mesa inaugural sobre Gilberto Freyre

A literatura de Beatriz Bracher

Contagem regressiva para a Flip

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terça-feira, 27 de julho de 2010 Entrevista, FLIP, Festivais Literários | 12:53

Contagem regressiva para a FLIP

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O cancelamento de última hora da vinda do compositor Lou Reed não abateu os animos dos organizadores da 8ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty que acontece entre 4 e 8 de agosto. A mesa não terá substituto, em compensação a poesia ganhará espaço no sábado com um sarau de peso: Chacal, Antonio Cícero, Eucanaâ Ferraz farão um tibuto a Drummond, lendo poemas de Alguma Poesia. Ferreira Gullar também participa, ele mesmo com homenagem já prevista anteriormente, como explica o curador Flavio Moura. Ele está nessa função, à frente do “conteúdo” das mesas, há 3 anos e nos conta como é programar e pensar o evento, 1 ano antes: “Gullar completa 80 anos e lança um livro, depois de muito tempo sem publicar… É sempre um grande acontecimento um livro dele, recém agraciado com o maior prêmio da literatura – Prêmio Camões”.  

Pergunto sobre os temas: “Mais do que temas, a gente tenta prioriza autores interessantes, gente  que tenha coisa a dizer”. Alguns dos 35 autores, de 14 diferentes países, que estarão reunidos em mesas literárias. A conferência de abertura será comandada por Fernando Henrique Cardoso, sobre Gilberto Freyre, tema de diversos outros debates.

De política e escravidão aos quadrinhos, das fábulas aos thrillers policiais,  do ebook e ipad às letras de música e poesia, da perseguição à intolerância e convivência, das diversas formas de constuir narrativas… nada escapa à programação 2010 da Flip, que tem ainda eventos paralelos como o FlipZona e a Flipinha

O livro ontem, o livro amanhã

O tema das possibilidades da leitura, na era da digitalização estará presente em 2 mesas que já são obrigatórias para o mercado livreiro com grandes nomes das discussões sobre mídia e  futuro dos livros: os historiadores Peter Burke e Robert Darnton, diretor da bilblioteca de Harvard, que negociou com o Google, a digitalização de seu acervo. Sobre esse processo de transformação em que se encontra também o mercado editorial taqmbém estará presente no debate, John Makinson, CEO da Editora Penguin, uma das maiores casas editoriais, associada agora no Brasil, à Companhia das Letras.

Vozes diferentes para contar as fábulas contemporâneas

Universos muito distintos que vão do sertão ao mundo underground paulistano, com narrativas refinadas, devem aparecer numa das mesas da quinta-feira que reúne 3 autores dae uma nova geração que conquista aos poucos seu espaço. Quem debate são os escritores brasileiros Reinaldo Moraes ( Pornopopeia ) , Ronaldo Correia de Brito ( Galileia – Prêmio São Paulo de Literatura ) e Beatriz Bracher ( Antonio ) ampliaram muito seu público, amadureceram e ocupam hoje um espaço importante na literatura brasileira.

A cubana Wendy Guerra, que vive à sombra da ditadura castrista, e a brasileira Carola Saavedra, que escreve em plena democracia, irão partilhar suas experiências ficcionais falando da literatura epistolar que se faz através de diários, blogs, cartas, mensagens, gravações, torpedos. Porque não?

O indiano Salman Rushdie volta à Flip para fazer o lançamento mundial de Luka e o fogo da vida (Companhia das Letras). O retorno de Rushdie - presente na 3ª edição, em 2005 -, reforça sua condição de autor-síntese de uma literatura multicultural.  “É a pluralidade que faz da Flip um dos encontros de literatura mais representativos. A riqueza está no encontro de vozes diferentes, na mistura que faz toda a diferença”, comenta o diretor de programação, Flávio Moura. Essa multiculturalidade aparece também em outra mesa. A do israelense Abraham B. Yehoshua e a iraniana Azar Nafisi, a autora que se recusava a usar burka, virou persona non grata em seu país, depois de escrever Lendo Lolita em Teerã.  Na Tenda dos Autores, certamente também uma conversa sobre a paz entre árabes e israelenses, já que  o escritor Abraham B. Yehoshua é tão militante pacifista, quanto como seus conterrâneos Amós Oz e David Grosman compondo a tríade de frente da literatura de Israel.

Nomes como o do cartunista Robert Crumb, prometem atrair todo tipo de leitor à festa, além de toda a comunidade acadêmica, intelectuais e visitantes que já viraram “habitués”, voltando todos anos a Paraty.

Como todos os anos, o público terá á disposição um cardápio variado. Os fãs da chilena Isabel Allende, esgotaram os ingressos em menos de 10 minutos! A mesa dela terá o jornalista e escritor Humberto Werneck como debatedor; ele nos contou da experiência anterior em que esteve com a escritora para uma entrevista à Playboy. Em breve, vamos postar aqui!  

Da violência dos regimes políticos aos crimes nas páginas dos livros, a paulista Patricia Melo vai dialogar com a americana Lionel Shriver sobre os suspenses psicológicos e a criminalidade presente nas narrativas contemporâneas.

O show de abertura será todo dedicado e inspirado nas obras de Freyre. Com direção artística de Arthur Nestrovski, o Quarteto de Cordas da Academia Osesp e Edu Lobo farão um show único, especialmente produzido para a Flip.

Para acompanhar pela internet:
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Leia mais:

Flip anuncia mudanças na programação

Passeios em Paraty – guia Flip

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, FLIP, Festivais Literários Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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