terça-feira, 22 de fevereiro de 2011 Exposições, Imagem | 12:01

Ródtchenko, introdutor da ideologia construtivista na fotografia

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Em 2009, o público brasileiro teve contato com os artistas da vanguarda russa, primeiro enaltecidos pela revolução e depois colocados no gelo, pelo regime comunista, na fantástica exposição trazida para o CCBB, por Ania Rodríguez, a mesma curadora de Miragens.

Agora, graças a uma parceria com Instituto Moreira Salles, a Pinacoteca do Estado de São Paulo abriu no último sábado a exposição Aleksandr Ródtchenko Revolução na fotografia, um dos líderes do construtivismo russo, ao lado de artistas como Kasimir Maliévitch, Kandinsky, Wladimir Tatlin e o poeta Maiakóvski.

300 obras de um dos grandes inovadores da arte de vanguarda do século XX

“Em todo trabalho eu testo um novo experimento, sem o adicional do trabalho antigo, e me proponho tarefas diferentes. Se você olhasse para tudo o que fiz, o todo formaria um trabalho vasto e inteiramente novo”, escreve Ródtchenko,  em Tudo é experimento ( 1920 ).

A curadora Olga Svíblova, afirma que a fotografia foi invadida por Ródtchenko com o slogan ‘Nosso dever é experimentar’ no centro de sua estética e o resultado foi uma mudança nas ideias sobre a natureza da fotografia e o papel do fotógrafo”. Ródtchenko aliou a experimentação à registros documentais da vida política e social da União Soviética, dos anos de Lênin até o regime repressor stalinista (que o colocou no ostracismo nos seus últimos 20 anos de vida).

© A. Ródtchenko – V. Stepanova Archive/ © Moscow House of Photography Museum

Ródtchenko foi premiado por esta foto numa competição para eleger os melhores fotógrafos de Moscou

Nascido em São Petersburgo, Ródtchenko iniciou-se na fotografia em 1920 (sua maior produção concentra-se no período entre 1924 a 1954) . Foi reconhecido internacionalmente por seu talento, como pintor, escultor e designer gráfico. 

No nosso passeio virtual você pode acompanhar as características de seu trabalho fotográfico, muito inovador para a época, de fotomontagens a reportagens, cartazes e capa para revistas, aparece até um precursor do pop-up!  

Chama a atenção, seu princípio de fotografar a partir do alto ou de baixo, criando pontos de vistas inusitados, que ficaram conhecidos como os “ângulos de Ródtchenko” como em Escada de incêndio (1925) e Reunião para uma manifestação (1928).

Há estudos arquitetônicos e geométricos como nas fotos em close de rolamentos de fábricas, e retratos de seu círculo familiar e artístico.  E a busca por representar o movimento humano em obras como em Corrida de cavalos (1935), Campeões de Moscou (1938) e Coluna da Sociedade Esportiva Dinamo.

A revista LEF, editada por Maiakóvski reunia em suas páginas a vanguarda mais significativa da época. Róstchenko projetou todas as capas da LEF (1923-1934) e da Novi LEF (1927-1928). As séries de fotomontagens feitas para essas revistas, cartazes e anúncios preconizam uma nova estética construtivista. Outro destaque da exposição são os famosos retratos do poeta Vladimir Maiakóvski, visto em vários momentos e posições. No impactante Retrato da mãe (1924), Ródtchenko nos sinaliza que ela lê atentamente um livro, embora ele não apareça na foto.


Sobre Aleksandr Ródtchenko

Nascido em 1891, em São Petersburgo, de pai camponês e mãe lavadeira, começa a trabalhar em 1908, como aprendiz de dentista afim de se tornar técnico dentário. Em 1910, ingressa na Escola de Arte de Kazan como ouvinte até 1914. Aos 21 anos, começa a desenhar painéis para a Universidade de Kazan. Em 1913, participa de uma série de exposições coletivas, com pinturas, artes gráficas e esculturas. Tornou-se membro, a partir de 1919, da comissão de pintura, escultura e arquitetura do departamento de artes visuais do Narkompros (departamento soviético responsável pela administração da educação pública). Logo depois, colabora com o cineasta Dziga Vertov, em títulos para o cinejornal Kino-Pravda e dá aulas no VKhUTEMAS (escola de design).

Expôs na Bienal de Veneza, em 1924, criou os cartazes para o lançamento do épico Encouraçado Potenkim, de Serguei Eisenstein e capas para os livros de Maiakóvski. Trabalhou para a companhia Dobroliolt, criando cartazes, sacolas e projetos para pinturas de aviões, e teve suas fotografias e fotomontagens publicadas nas revistas Proletkinó, Soviétskoe kinó, Soviétskoe Foto, entre muitas outras. Em 1928, realizou o projeto cenográfico da peça de teatro Inga, de Anatoli Gliébov.

Do auge da efervescência para o ostracismo

Sua pintura ( 1917 e 1922 ) é ligada fundamentalmente ao construtivismo e ao círculo artístico formado por pintores como Malevich, Popova, Stepânova, Tatlin. A linguagem arrojada e inovadora, que tanto agradou no ínicio do governo soviético e que era associada à uma atitude de vanguarda, levou-o assim como outros artistas, do  movimento reconhecido hoje como Vanguarda Russa, a um ostracismo forçado. O que era moderno e revolucionário passa a incomodar o regime instalado que se cristaliza. Esses artistas cairam em desgraça, com a onda conservadora e o autoritarismo da era Stalin e só forma reabilitados recentemente.

O impacto em Ródtchenko lhe custa a sáude, gravemente doente, ele tem  crises frequentes de pressão alta. Sua mulher Stepânova lidera uma campanha para que Ródtchenko fosse readmitido na União dos Artistas Soviéticos, o que aconteceu em 1955, um ano antes de sua morte. A primeira exposição individual das fotografias dedicada de Ródtchenko aconteceu em 1957, na Casa dos Jornalistas de Moscou.

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Até o dia 01 de maio de 2011
Local: Pinacoteca do Estado
Endereço: Praça da luz, 02, São Paulo
Datas e horários: de terça a domingo, das 10h às 18h
Grátis aos sábados

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Exposições, Imagem Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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