TV Cultura | Mona Dorf

sexta-feira, 12 de agosto de 2011 Cinema, Entrevista | 08:00

O mundo do rodeio pelo olhar feminino de Tatiana Lohmann

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Chega às telas, nesse fim de semana, Solidão & fé, primeiro longa da cineasta Tatiana Lohmann, eleito pelo juri popular da Mostra de Cinema de Tiradentes, como o melhor loga metragem. A pré-estreia do documentário aconteceu durante o 6º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, onde pude conversar com ela.

No longa Solidão & Fé, Tatiana Lohmann viaja pelo universo dos rodeios buscando entender, com sua lente feminina, um mundo masculino à moda antiga. Uma coisa legal do documentário é o tom intimista, e as impressões narradas na primeira pessoa, por ela mesma. De rodeio em rodeio, seguindo com os peões estrada adentro e estrada afora dos sertões brasileiros, Tatiana vai junto, nos contando o que encontram: surpresas, imprevistos, medo, glória. Não sem reconhecer no ambiente, o espírito rude próprio do masculino: “tem aspectos num homem que uma mulher não entende, só contempla”.

Aos poucos, ela foi gostando do assunto e se animou em fazer o documentário

Capim, lama, couro e sobretudo testosterona na arena… 

O universo sertanejo mexeu com própria diretora. Sua ligação, antes com o tema limitava-se as lembranças dos quadrinhos de Lucky Luke que seu pai lhe dava para ler, como ela mesma mostra no ínicio do filme.

Na entrevista, Tatiana conta que Solidão & Fé nasceu a partir de uma série realizada por ela e Sergio Roizenblit, seu sócio na Miração Filmes, entre 2004 e 2006. Eram 16 documentários sobre o interior do Estado de São Paulo que integravam o projeto Terra Paulista, exibido nas TVs Cultura e Futura.

“Uma mulher num mundo de homens, com regras de homens…”

A câmera nervosa e ágil é muito próxima e intensifica a intimidade com os personagens. Num determinado momento, a impressão que se tem é que a cineasta caiu junto com ela ao filmar de tão perto os peões se preparando para entrar na arena.  Parece que é ela ou nós que estamos montado num touro de mais de uma tonelada!  A próximidade, o ponto de vista alcançado, talvez seja o grande mérito do documentário.

Em seu primeiro longa-metragem, Tatiana viaja com sua câmera pelo universo masculino do rodeio e depara-se com cavaleiros, domadores, heróis, sertanejos, boiadeiros… o homem comum. Ao tentar decifrar o masculino, encontra doçura e violência.

Dirigido, roteirizado e montado por Tatiana, que divide a fotografia com Humberto Bassanelli, o longa foi produzido pela Miração Filmes, com duração de 89 minutos e  finalizado em 35mm. A trilha sonora criada pelo Duofel pontua as cenas. Destaque para a que mostra os peões rezando antes de entrar em campo, ou melhor já diante da arena lotada, fazendo as suas últimas orações com a imagem de Nossa Senhora. Mais Brasil, impossível!

Tatiana Lohmann 

Carioca, formada pela FAAP -SP, é sócia de Sérgio Roizenblit na Miração Filmes. Trabalhou como montadora com Carlos Nader, Luiz Duva, Carla Gallo e Miriam Schnaidermann. Dirigiu o clipe ‘Olhos nos Olhos’, com Tata Amaral e, sozinha, ‘Respeito é pra quem tem’, do rapper Sabotage, finalista do VMB da MTV. Dirigiu com Luiz Duva “A Vida Entre 4 Paredes”, documentário sobre donas de casa, que ela considera, talvez,  uma bisavó de Solidão & Fé, por explorar um universo tipicamente feminino. Seus curtas de ficção ‘Medo’ e ‘A Raiz de Ti Mesmo’ circularam por vários festivais, mas seu caminho se construiu principalmente com documentários.

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sábado, 18 de junho de 2011 Entrevista, Recomendo | 08:00

Ibirapuera, o Central Park paulistano

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Parque do Ibirapuera-SP/ Foto: Sampaonline


O descolado Cadão Volpato, que apresenta o programa Metrópolis, da TV Cultura, com as melhores dicas de entretenimento, na televisão, esteve recentemente no Festival Literário da Mantiqueira. Entre as centenas de programas e roteiros turísticos, ele recomenda um imprescíndível para turistas e paulistanos: percorrer o Parque Ibirapuera a pé ou de bicicleta e visitar seus equipamentos como o MAM, onde dá pra almoçar, a Bienal ou a OCA apresenta o Salão Design São Paulo, até domingo. Programa válido para toda a família!

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 Entrevista, Música | 11:03

Caruso em dose dupla

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Um é carioca por adoção e você acompanha através das charges no Jornal da Globo, o outro paulistano, vc conhece dos desenhos no Roda Viva da TV Cultura. O que você não sabe é que os dois tocam juntos num conjunto e hoje sopram velinhas e se apresentam em São Paulo no Boteco São Bento. Viva a ponte área!

Paulo no violão, Chico no vocal, a dupla vai mostra alguns de seus maiores sucessos como  Forró da Dilma e do Serra Pelados e Aula de Inglês do Professor Lula e Obama Lá.  

Paulo deu uma canja especial para a coluna e incluiu a primeira dama francesa Carla Bruni.

Irmãos Caruso na Casa de Mamãe

No dia de hoje, 6 de dezembro, os gêmeos cartunistas comemoram seu sexagésimo primeiro aniversário. Além da apresentação, eles também inauguram uma grande mostra de fotos, desenhos e performances na casa em que viveram sua infância. Como nada é por acaso, a casa na Vila Madalena, pra onde se mudaram com 11 anos, virou o conhecido e badalado Boteco São Bento.

Na mostra: desenhos e fotos da família, das brincadeiras de criança, dos amigos, vizinhos e colegas do Colégio Estadual Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, da banda de garagem. Mas tem também caderno de caligrafia e outros itens da memorabilia dos irmãos Caruso.

Paulo e Chico Caruso com 6 meses/ Arquivo Pessoal

Fotos dos dois quando crianças no quintal, rabiscos e desenhos carinhosamente guardados por sua avó Joana e a imagem divina de Dona Marina, a autora desse talento em dose dupla poderão ser amiradas pelos fãs dos humoristas e habituées do Boteco.

Autógrafos e caricaturas – lançamento de livros

Paulo e Chico vão autografar seus mais recentes livros. O carioca lança em São Paulo Lula, A Sucessão. Paulo vai autografar Avenida Brasil – Enfim, um País Sério. E prometem: cada autógrafo virá com uma caricatura desenhada especialmente.

Sarney, Collor, Itamar Franco… quanta  inspiração para outras músicas!

“Para cada político, um ritmo: Itamar, música caipira; Collor, funk, Fernando Henrique, salsa. Cada fato ou personagem suscita um gênero musical”, explica Paulo.  O repertório da dupla, na maioria de sátiras políticas e comentários bem humorados sobre nossa realidade, já originou dois CDs.

Cachaça com sátira

Paulo também vai expor suas famosas cachaças, cujos rótulos trazem em seus nomes, pérolas da sua prolífica produção de sátira política sintonizada com os eventos da vida parlamentar em Brasília:

Derruba Zé marca a queda de Zé Dirceu, Morte e Vida Severino faz referência à eleição do nobre deputado Severino Cavalcanti à presidência da Câmara dos Deputados. Chega Prá Lá Valdemar  lembrar a renúncia de Valdemar da Costa Neto e por aí vai…

Veja também:

Caruso: a realidade brasileira supera a caricatura

Exposição Casa da Mãe Marina e da Vó Joana
Até 12 de março de 2011
Local: Boteco São Bento- Vila Madalena
Endereço: Rua Mourato Coelho, 1060 – Vila Madalena, São Paulo

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Música Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
sexta-feira, 29 de outubro de 2010 Entrevista, Imagem, Literatura, Música | 16:42

Caruso: a realidade brasileira supera a caricatura

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 Tudo começou há trinta anos atrás, com um botequim, o Bar Brasil…

Inspirado no temperamento ciclo-tímico do General João Batista Figueiredo, que ia da depressão à euforia galopante (pra usar um termo da cavalaria que ele tanto apreciava… )  Caruso inicia sua série sobre o país, que sofreria muitos e muitos solavancos, entre planos econômicos, impeachment e escândalos variados, como os da pasta rosa,  mensalão e Erenicegate. 

Nunca antes nesse país, se viu uma eleição tão disputada … Ás vésperas da votação, o chargista ficou ainda mais inspirado para compor a paródia:

Dilma e Serra, feitos um para o  outro

Avenida Brasil: retrato dos 25 anos de uma democracia tupiniquim

Retrato do momento político, o Bar Brasil era uma metáfora dos tempos em que falar abertamente poderia ser considerado ofensa. Com a esperança morte de Tancredo Neves, fica claro que a abertura rumo à democracia seria uma caminhada lenta, gradual e insegura… conta Caruso.

“Intitulei a primeira coletânea da série de Avenida Brasil, porque é a  imagem da transição, da transição pela via das dúvidas… Agora, o país é profícuo em piadas, a realidade supera a caricatura!”.

Do fusca e da modelo sem calcinhas que acompanhou num carnaval o ex-presidente Itamar àquele fatídico camarote, dos cartunistas Jaguar e Ziraldo, aquinhoados com indenização milionária dos tempos áureos do Pasquim às gravatas de Henry Sobel,  ninguém escapa do píncel de Caruso.

Os escândalos são permanentes, os governos passageiros

Para Caruso, o Shopping Center é a melhor imagem para falar do nosso congresso, traduzir as negociatas que alí se passam:  “Usei o Shopping como um lugar onde os pais congressistas levam os filhos candidatos a aprender como gastar o seu, o meu, o nosso dinheiro”.

Para cada governo uma coletânea e dezenas de traços. O reinado de Sarney e sua família, perpetuada no poder, aparece em “A Transição Pela Via das Dúvidas”, Collor em ”A Sucessão está nas Ruas”, “O Bonde da História”, e “Assim Caminha a Modernidade”. Itamar, mereceu a sátira em “Se Meu Fusca Falasse”, FHC  “O Circo do Poder” e “O Conjunto Nacional”, e finalmente o governo Lula, que já havia sido contemplado com o volume anterior, “Se Meu Rolls Royce Falasse” agora é retratado em  “Enfim Um País Sério!”.

“E com investment grade, finalmente podemos ser considerados um país sério!” comemora em tom de blague, mas a classificação como um país longe de riscos para investimentos não significou necessàriamente uma evolução em nossos padrões éticos e comportamentais nesta república com viés sindicalista e que poderá emplacar a primeira mulher presidente do Brasil.

O poder das mulheres

As mulheres, agora na política também viram piada. Super-poderosas, são postas à prova pelo machismo reinante que discute a passagem do poder para mãos de mães zelosas e cuidadoras, como Dilma Roussef, Yeda Crusius, Ana Júlia e Vilma Farias.

No Roda Viva, desde o primeiro dia do programa

“Durante esses trinta anos, a cada semana, depois de concluída mais uma página, me perguntava como seria a seqüencia final dessa história. Essa experiência agora se encerra aqui, como o fim de uma era. Uma era de transição, a transição pela via das dúvidas, por esta imensa avenida chamada Brasil. Ao mesmo tempo em que noso operário padrão se despede do poder efêmero,com o nada efêmero comandante Fidel, que faz tudo pra não sair de cena.” Paulo Caruso.

Autor: Mona Dorf - Categoria(s): Entrevista, Imagem, Literatura, Música Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

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