Para ver, ouvir e sentir: multimída em foco na Oi Futuro
Três exposições simultâneas: Revídeo de Lenora de Barros, Night Painting do fotógrafo Renan Cepeda e Qualia, obra inédita da artista Simone Michelin, feita especialmente para a exposição, prometem mexer com os sentido no Centro Cultural do Flamengo, Rio de Janeiro, na Oi Futuro.
Revídeo
Lenora de Barros sempre foi moderna. Filha do fotógrafo Geraldo de Barros, não só teve a quem puxar, como também, foi educada numa casa que respirava arte, desde sempre. Pela primeira vez, uma exposição reúne todas as videoperformances dessa artista paulistana; a retrospectiva abrange mais de 25 anos, com trabalhos feitos desde 1984.
O humor é uma característica constante em sua produção. “Me interessa o que surpreende pelo inusitado, situações engraçadas, humor patético, ironia, paradoxos…”, conta Lenora. Os trabalhos sonoros, que tomam como ponto de partida a palavra escrita ou falada, também fazem parte da produção da artista.
Revídeo, além de reapresentar trabalhos antigos, também sinaliza novos caminhos em sua produção: “Não sou videomaker, e o vídeo me interessa como ‘linguagem suporte’, no seu aspecto ‘documental’, como um meio”.
Temporal (inédito, 2010), faz parte da série Lugar de Sempre, trabalho que Lenora de Barros apresenta, em parte, na edição deste ano da exposição Paralela em São Paulo , são novos vídeos que apontam para o campo semântico do “excesso, do acúmulo, da saturação do tempo”.
Night Painting
Na parede do nível 8, as fotos projetadas de Renan Cepeda, imagens feitas em completa escuridão. Apenas com uma lanterna comum e duas câmeras, utilizando eventualmente alguns filtros, Cepeda ilumina as cenas noturnas criando as paisagens e retratos de rara beleza. Além desta exibição, o trabalho de Cepeda está permanentemente disponível na galeria virtual de fotografias do site do Oi Futuro.
Qualia
Também em retrospectiva, os 30 anos de trajetória de Simone Michelin, artista gaúcha, radicada no RJ. O trabalho, que conta com a curadoria do Paulo Herkenhoff, está dividido em dois espaços e reafirma seu interesse pela tecnologia e a imagem.
No primeiro, uma estrutura de acrílico transparente abriga, em cima de uma esteira rolante em látex, três canhões de laser que imprimem marcas diferenciadas em sua superfície. Elas revelam estatísticas sobre mortes, drogas e lavagem de dinheiro. Três mostradores digitais indicam ao público quais dados estão sendo gravados naquele momento. “A história deixa um registro, uma marca, uma memória gravada”.
Na sala ao lado, uma videoinstalação em 3D mostra imagens de moléculas de substâncias entorpecentes, como o THC (encontrada na maconha), cocaína e ecstasy. Espelhos laterais multiplicam as imagens projetadas e causam um efeito hipnótico. ”Nesse trabalho busco entender essa tecnologia e produzir uma experiência intensa”, conta Simone Michelin.
Quando a Bienal de São Paulo elege como tema a relação entre Arte e Política, Simone observa: “Ações de ordem social, baseadas em escolhas individuais me interessam. O que para mim tem de mais político na minha produção é essa escolha. As escolhas feitas por cada um afetam a comunidade. O coletivo não existe sem o individual e vice-versa”, explica. “Pessoas estão por trás dessas estatísticas presentes em Qualia, têm suas vidas marcadas e se posicionam em relação a elas”.
Revídeo/ Night Paintings (Nível 8)/ Qualia
Oi Futuro Flamengo
Até 17 de outubro de 2010
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro 21
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação etária: Livre
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